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Óleo de coco: vilão ou herói?

Queridinho das dietas, o óleo de coco também tem malefícios. Entenda se você deve ou não consumí-lo:

Por Andressa Heimbecher Soares (colunista) Atualizado em 21 jan 2020, 18h22 - Publicado em 30 set 2015, 13h18

O óleo de coco tem sido muito usado como substituto para outros óleos na hora de cozinhar e também adicionado nas dietas. Mas, afinal, o que é este pop star? Em seu estado virgem, ele contém 92% de gordura saturada, com alta concentração de ácido graxo, chamado de ácido láurico. A gordura do óleo de coco não é hidrogenada e, portanto, não é trans. E justamente por isso e por apresentar alta concentração de ácido láurico, o óleo de coco atua sobre o colesterol do nosso organismo de forma mais benéfica do que um alimento que contenha gordura trans em sua composição. 

+ Veja 30 usos do óleo de coco sem ser na cozinha

Queridinho por quem procurava um aliado na perda de peso, porém, ele não tem apenas fãs. Pesquisas recentes mostram os benefícios, porém, os estudos mais antigos e estabelecidos apontam os riscos do consumo do óleo. Mas afinal, ele é vilão ou herói? Pois bem… Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, respire fundo e vamos lá!

Herói

Um dos estudos científicos mais emblemáticos sobre o óleo de coco – e até antigo, de 1981 – comparava a dieta de duas populações de habitantes das ilhas Polinésias: os Tokelauans, que ingeriam muito mais derivados de coco (não apenas o óleo) e os Pukapukan, que tinham uma dieta com menos presença da fruta.

O resultado do estudo comparativo dizia que os Tokelauans acabavam ingerindo bem mais gorduras saturadas, porém, não apresentavam aumento de doenças vasculares cardíacas. Aqui, vale ressaltar que ambas ingeriam uma baixíssima quantidade de outros tipos de colesterol na dieta e também de sacarose (açúcar).

Reportagem: Eliane Contreras - Edição: MdeMulher
Reportagem: Eliane Contreras – Edição: MdeMulher

Outro estudo muito citado sobre os benefícios do óleo de coco na queima de calorias é um trabalho com 8 homens que ingeriram triglicerídeos de cadeia média – que o óleo de coco contém -, e apresentaram maior gasto energético (aumento de 5%) ao longo do dia. Uma possível explicação para isso é que, como são moléculas menores, elas seriam utilizadas como fonte energética de forma mais rápida e efetiva pelo organismo, o que aceleraria o metabolismo. No entanto, a medicina moderna baseada em evidências, indica que esse número de voluntários é muito pequeno para que se confirme o bom resultado.

E é importante saber que, para serem aprovados nos Comitês de Ética em Pesquisa dos seus países, os estudos não podiam oferecer quantidades do óleo de coco que fossem comprovadamente danosas à saúde das pessoas testadas. Ou seja, em grande parte destes estudos, a quantidade utilizada do óleo de coco foi pequena.

Existem, claro, muitos outros estudos sobre os benefícios do óleo de coco. Mas vamos ver o outro lado da moeda?

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Vilão

Sim, existe uma história por trás da preocupação sobre o óleo de coco. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardíacas são a principal causa de morte no mundo. Na imensa maioria dos casos, a aterosclerose, que é o entupimento das artérias por placas de gordura, é a maior causadora das doenças relacionadas ao sistema cardiovascular.

As placas de gordura são formadas por uma conjunção de fatores, entre eles o aumento dos níveis de colesterol ruim (LDL) – resultado de uma alimentação rica em gorduras saturadas –  e de açúcar no sangue, obesidade e pressão alta.

Reprodução
Reprodução

Em 1994, o Centro de Ciências para o Interesse Público dos Estados Unidos publicou um alerta sobre os malefícios do óleo de coco. Isso aconteceu ao analisarem a concentração de gordura saturada nas pipocas de cinemas, que eram preparadas com óleo de coco. A concentração nos pequenos sacos de pipoca já chegava em 50g de gordura total, sendo 26g de saturadas! Isso seria o equivalente à quantidade de gordura saturada de 6 sanduíches de fast food.

Vários estudos se debruçaram para tentar entender o impacto do consumo do óleo de coco na saúde das pessoas e as conclusões estão longe de serem definitivas. É sabido que sua alta concentração de ácidos graxos o torna mais inflamatório, o que poderia piorar o desenvolvimento de placas de gordura. Dessa forma, a recomendação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica é a de que o uso do óleo de coco pode ser danoso para os pacientes.  

O caminho do meio

Diante de toda controvérsia, o que prevalece é o caminho do meio. A Recomendação da Sociedade Americana de Cardiologia é que o consumo de gorduras saturadas deva corresponder a não mais que 10% das calorias totais do seu dia. Ou seja, para uma dieta de 2000 kcal, por exemplo, o ideal seriam 200 kcal por dia, ou seja 22 gramas de gordura. Então neste momento você deve estar se perguntando devo ou não devo consumir?  E aqui precisamos pesar alguns fatores..

Se você tem histórico pessoal de colesterol alto ou de doenças cardiovasculares na família, é preciso uma avaliação médica e nutricional, não apenas para saber se pode consumir o óleo de coco, mas para acertar a sua alimentação.

Se você quer usar o óleo de coco, a ideia é ficar dentro da quantidade recomendada dos 10% das gorduras saturadas no dia. Porém fique atenta aos seus exames médicos e aos seus fatores de risco: pratique exercícios, coma legumes, verduras, durma bem, controle seu peso e se fumar… pare o quanto antes.

O uso ou não uso do óleo de coco não é a única estrada conhecida para uma vida livre de riscos à saúde. A decisão sobre o óleo, e outras tantas outras, faz parte de uma jornada de diversas outras estradas que se unem definindo a sua saúde como um todo. E o mais importante é: não há ninguém melhor para decidir sobre sua saúde do que você e seu médico!

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