Conheça Maria Pereira, a portuguesa que pode revolucionar a medicina

"A inovação científica é a chave para melhorar a vida das pessoas", disse a cientista

Maria Pereira está a alguns passos de solucionar mistérios que rondam a medicina desde os tempos de egípcios e gregos. Aos trinta anos, ela desenvolveu uma cola com potencial para substituir as suturas na pele humana.

O processo começou há mais de sete anos atrás. Quando seu antigo supervisor, Jeff Karp, entrou para a equipe do Boston Children’s Hospital, chamou a cientista para liderar uma pesquisa sobre alternativas de suturas para tratar problemas cardíacos congênitos.

Era necessária uma boa solução: cerca de 1 em cada 100 bebês nasce com uma deficiência dessa espécie e isso é uma das principais causas de mortes infantis nos Estados Unidos. A dificuldade é, justamente, acompanhar o crescimento do órgão: com o desenvolvimento da criança, são necessários mais procedimentos de revisão – que podem ocasionar outros danos.

O objetivo de Maria era, portanto, desenvolver um material capaz de permanecer intacto nos ambientes mais agressivos do corpo – sob condições molhadas e dinâmicas, sendo elástico o suficiente para expandir e contrair a cada batida do coração. Além disso, é claro, não poderia ser um produto tóxico.

Em 2012, chegou a um resultado que unia todos esses critérios e muito mais: a cola adere somente quando o cirurgião posiciona uma luz sobre ela, proporcionando maior controle aos profissionais.

Dentro de um ano, sua equipe conseguiu produzir quantidades industriais da cola, contra apenas cinco gramas no laboratório. “Maria não é apenas fazer as coisas, ela faz as coisas acontecerem”, diz Christophe Bancel, CEO do Gecko, uma startup de biomedicina.

Com os ensaios clínicos prestes a começar, o material pode chegar às salas de operação em 2017. O sonho de Maria Pereira é revolucionar completamente a cirurgia moderna. Alguém dúvida de que ela está no caminho certo?