Entenda como a endometriose afeta a fertilidade das mulheres

Cerca de 7 milhões de mulheres sofrem com a endometriose no Brasil

A endometriose é uma daquelas doenças silenciosas, difícil de ser diagnosticada. E é por isso que o conhecimento sobre sua existência é essencial, ainda mais pelo fato desse distúrbio estar presente na vida de tantas mulheres.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 7 milhões de mulheres sofrem com a endometriose no Brasil. A endometriose pode ser assintomática, mas também pode causar cólica menstrual intensa, dor durante a relação sexual e também, em alguns casos, a infertilidade.

O QUE É A ENDOMETRIOSE

A doença é causada pelo tecido interno que reveste o útero (endométrio) que, por razões ainda não totalmente descobertas, se implanta em outros órgãos da região do abdômen, causando dor e desconforto, impactando na saúde e rotina das mulheres, além de comprometer a fertilidade de quem deseja engravidar.

Mulher com cólica

 (Divulgação/Divulgação)

A RELAÇÃO ENTRE ENDOMETRIOSE E INFERTILIDADE

Além de prejudicar a saúde da mulher em vários fatores, é comprovado que a endometriose infelizmente pode influenciar a fertilidade, na maioria dos casos.

A doença se caracteriza pela presença do tecido da camada interna do útero, o endométrio, fora desse órgão, podendo ser encontrada em várias localizações. “É importante que se entenda que a condição gera localmente um tecido cicatricial, o qual chamamos de aderência, cuja ação ocorre tal qual uma ‘cola’ juntando os órgãos. E mais, impedindo um funcionamento adequado e a mobilidade dessas regiões”, explica Flavia Tarabini, Ginecologista da clínica Dr. André Braz (RJ)

Nesse sentido, esse fator das tubas uterinas – que pode se estender a outras regiões abdominopélvicas- é um dos principais motivadores da infertilidade pelo desarranjo anatômico gerado. Associa-se também à endometriose formações tumorais benignas ovarianas, chamadas de endometriomas. Elas são compostas por tecido endometrial que podem dificultar a ovulação.

“Há que se considerar ainda questões socioculturais que levam as mulheres a postergarem a gestação, incrementando assim a chance de evolução dessa ginecopatia, piorando seu desfecho, por haver mais tempo de evolução da doença”, afirma a especialista.

“A endometriose influencia negativamente no processo de ovulação e implantação do embrião, também levando a alterações hormonais e inflamatórias, que causam impacto negativo na capacidade fértil”, explica o médico Matheus Roque, pós-graduado em reprodução assistida.

O especialista ressalta que a doença prejudica a liberação de óvulos em direção às trompas e interfere no transporte do óvulo pela trompa, seja pela alteração inflamatória ou pelas aderências que fazem as trompas se entrelaçarem em outros órgãos impedindo a sua adequada movimentação.

Ele também salienta que a endometriose pode ser dividida em três tipos, cada um deles recebendo tratamentos e cuidados diferenciados:

Endometriose superficial ou peritoneal: caracterizada por lesões espalhadas na superfície interior do abdômen. Podem chegar a atingir até mesmo o diafragma. Embora sejam lesões superficiais, em alguns casos podem estar localizadas sobre órgãos vitais como o intestino e bexiga. Os sintomas mais comuns desse tipo de endometriose são cólica fortes, menstruação irregular e infertilidade.

Endometriose ovariana ou endometrioma: atinge a face externa dos ovários, provocando a retração do mesmo e formação de cistos. Na maioria dos casos a paciente apresenta sintomas e o diagnóstico ocorre em exames ginecológico de rotina. A indicação cirúrgica vai depender do tamanho dos cistos e a resposta da paciente ao tratamento medicamentoso.

Endometriose infiltrativa profunda: a forma mais agressiva da endometriose, compromete muito a qualidade de vida da paciente, podendo interferir nas chances de gravidez mesmo quando utilizadas técnicas de Reprodução Assistida. As lesões são profundas e o tecido endometrial chega a envolver outros órgãos como a bexiga, ureteres e intestino.

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DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Diante da suspeita de endometriose, o exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado pelos seguintes exames laboratoriais e de imagem: visualização das lesões por laparoscopia, ultra-som endovaginal, ressonância magnética e um exame de sangue chamado marcador tumoral CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença.

Segundo a doutora Flavia Tarabini, o diagnóstico deve ser feito através da avaliação do histórico da paciente — marcada por dor pélvica no período menstrual por vezes sendo incapaz de manter suas atividades habituais, dor durante a relação sexual e a própria infertilidade — e do exame físico, principalmente, o ginecológico. “Assim é possível confirmar e ter a extensão da doença avaliada pelos exames de imagem, especialmente a ressonância nuclear magnética”, explica.

Entretanto, um diagnóstico com mais certeza, depende da realização da biópsia. “Os diagnósticos de cada tipo da doença devem ser feito através de exames solicitados pelo médico assistente. Caso a paciente esteja tentando engravidar e não consiga e sinta desconfortos menstruais, é indicado que procure um especialista para tentar diagnosticar a doença e indicar o tratamento que melhor se encaixa para aquela paciente”, finaliza o doutor Matheus Roque.

O tratamento da endometriose depende do estágio e do nível de comprometimento da doença na rotina diária da paciente e em sua fertilidade. Os tipos de tratamento variam entre o uso de medicamentos, cirurgia ou então técnicas de reprodução assistida em casos de infertilidade.

“O acompanhamento clínico sem medicação é a melhor opção nos casos de endometriose em que as pacientes não apresentem queixas, em pacientes jovens sem risco de dano à função de algum”, afirma a especialista Flavia Tarabini.

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