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Colombiana destaca-se por oferecer apoio aos que sofrem com a dor

Juana Marcela Ramirez Bustos ajuda pacientes de doenças crônicas e transforma suas esperanças e sonhos em realidade

Por Nancy Escutia e Estefanía Peñaroja Atualizado em 8 mar 2018, 03h42 - Publicado em 8 mar 2018, 00h01

Preocupada com os milhares de pacientes que sofrem de doenças degenerativas crônicas como o câncer e convencida de que um tratamento personalizado e de boa qualidade pode fazer toda a diferença, Juana Marcela Ramirez Bustos passou os últimos 8 anos dando vida a Soluciones Hospitalarias Integrales (SOHIN), uma start-up de serviços médicos que atende às necessidades individuais dos que sofrem com a dor.

Entre um número cada vez maior de empresárias mexicanas que desejam acabar com o modelo desatualizado que confina mulheres ao lar e homens ao mercado de trabalho, ela se descreve como: “uma mulher que ama ser mulher, que descobriu que algumas vocações vão além da escolha e que a sua é trabalhar no setor de saúde e ajudar os que sentem dor”.

“Colombiana de nascimento, mas mexicana por decisão”, em suas próprias palavras, Juana reconhece seu amor pelo México, um país que, segundo ela, lhe mostrou que “todas as suas esperanças e sonhos podem se tornar realidade”. Impulsionada pela violência e alta taxa de desemprego em seu país de origem, a Colômbia, ela viajou sozinha para o México em 2006 em busca de melhores oportunidades, levando apenas USD $ 100 no bolso, uma mala e um visto de 15 dias.

Com mais de 20 anos de experiência no campo da saúde, tanto no setor público quanto no privado, Juana hoje possui um diploma de MBA da Escola de Administração do México IPADE. Mas ela não parou por aí; se tornou uma conferencista de renome, uma mentora de saúde, empreendedorismo e igualdade de gênero, uma professora universitária e também uma esposa.

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Divulgação/Divulgação

Muito cedo na vida, Juana já tinha um espírito empreendedor; quando criança, durante as festas de Natal, ela vendia decorações caseiras com seu irmão, que também a ajudou a criar a SOHIN, em junho de 2009. Eles começaram com apenas dois funcionários e 89 mil pesos mexicanos, que Juana ganhara da venda de seu carro.

A empresa então começou a realizar testes genéticos em pacientes com câncer, enquanto Juana mantinha um emprego a meio turno para cobrir os custos da SOHIN. Naquela época, ela investia metade do seu salário na start-up. Foram tempos difíceis para a empresa recentemente fundada, pois não receberia nem investimentos nem créditos ao longo dos primeiros seis meses. Os créditos foram, na realidade, o maior obstáculo de Juana – os investidores pediam que seu marido assinasse as notas promissórias, apesar de não estar envolvido com a empresa em nenhuma instância.

Mas nada a impediria. Ela – que se descreve como uma mulher obsessiva e apaixonada, que acredita irremediavelmente nos outros e na possibilidade de um mundo melhor – continuaria em sua busca por soluções no combate a doenças como o câncer de mama, uma doença que se encontra entre as dez principais causas de morte para as mulheres no mundo, passando na frente da violência, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). E desafiando todas as probabilidades, Juana conseguiu. Sua start-up transformou-se numa holding sul-americana, com operações no México, na Colômbia e na Argentina. Desde seu lançamento, a SOHIN já forneceu serviços de saúde a mais de 25 mil pacientes no total.

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A empresária entendeu que cada paciente é único e, portanto, concentrou-se em adaptar e personalizar de forma holística os tratamentos de pacientes que vivem com doenças como o câncer, uma das três principais causas de morte no México e a quinta no mundo, de acordo com a OMS.

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Divulgação/Divulgação

O relacionamento das pacientes mexicanas com a SOHIN vem sendo possível graças aos acordos de parceria da empresa com produtos farmacêuticos, instituições públicas e 95% das seguradoras do país; em alguns casos, a paciente cobre os custos do tratamento. A empresa agora é a fornecedora exclusiva no México da Mammaprint, um exame que permite um diagnóstico genético preciso de pacientes com câncer de mama e determina se a paciente precisa de quimioterapia ou não.

Consciente dos “tipos de câncer que não estavam sendo cobertos pelo sistema de saúde” e do número de pessoas que não tinham acesso ao seguro médico, Juana também fundou a Fundação Guerreiros Contra o Câncer, uma organização que promove diagnóstico, orientação e tratamentos alternativos, bem como intervenção cirúrgica.

Mais que uma mera empresária implacável e ligeiramente viciada no trabalho, aos 39 anos ela afirma ser “uma mulher que ama a música – especialmente a clássica –, que gosta de ler romances para escapar um pouco da realidade”, bem como uma “mulher competitiva, dedicada e absolutamente apaixonada por seu país. Uma mulher que inspira aqueles a sua volta com seus sonhos e que consegue aquilo que se propõe a fazer”.

E ela recebeu mesmo uma bela quantidade de elogios ultimamente. Em 2015, foi condecorada com o prêmio anual de Empreendedora do Ano, da Ernst and Young, e foi nomeada Empreendedora de Alto Impacto pela ENDEAVOR, uma organização global que apoia o empreendedorismo. Incluída na lista das 30 personalidades empresariais mais promissoras da revista Forbes de 2016, Juana também foi considerada pela revista uma das 100 mulheres mais poderosas do México. Recentemente, a Associação Mexicana de Indústrias de Pesquisa Farmacêutica (AMIIF) concedeu-lhe o prêmio de “Empreendedora que luta para que o México tenha acesso à saúde”. A prova de que as esperanças e os sonhos se tornam realidade no México.

*Por Nancy Escutia e Estefanía Peñaroja para o Excélsior

*Neste Dia da Mulher, CLAUDIA participa da ação internacional Women in Businesses For Good, da iniciativa social Sparknews, que visa
revelar inovações impactantes criadas por mulheres e seu potencial de ampliação ou replicação em outros países. #WB4G

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