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Câncer de mama em mulheres jovens é uma realidade. Entenda

É o caso de Giulianna Nardini, que foi diagnosticada aos 21 anos e conscientiza outras mulheres e meninas sobre a importância de manter os exames em dia.

Por Nathalia Giannetti Atualizado em 15 jan 2020, 08h23 - Publicado em 18 out 2019, 17h08

A partir dos 40 anos, toda mulher sabe que precisa fazer mamomagrafia, além do autoexame, práticas imprescindíveis para detectar mais cedo o câncer de mama – a recomendação diminui a idade para 30 anos se houver casos na família. Mas as estatísticas estão acendendo alerta vermelho para mulheres ainda mais jovens.

De fato, é mais raro encontrar ocorrências da doença em mulheres jovens, mas o fato é que antigamente essa estatística era de 2% do total de casos no Brasil e hoje, elas representam entre 4% e 5%. E a ciência ainda não tem uma explicação tão clara sobre os fatores que podem estar levando a esse crescimento.

Giulianna Nardini faz parte dessa estatística. Ela foi diagnosticada com câncer de mama há poucos meses, com 21 anos de idade e nem mesmo o médico acreditou que o caso era sério.

“Eu não sabia que era possível ter câncer de mama na minha idade. Algumas semanas antes de descobrir, eu tentei fazer um autoexame, já que não custava nada tentar. E aí eu senti um negocinho, mas eu pensei não ser nada. Eu fiquei tão nisso de não ser nada, não falei pra ninguém e até esqueci. Só fui lembrar depois, quando eu senti um nódulo bem maior. Aí, fui ao mastologista. Ele falou pra não me preocupar, que no pior cenário eu teria de removê-lo porque estava muito grande, mas que era quase impossível eu ter alguma coisa grave, difícil de ser câncer na idade que eu tinha”, lembra.

Depois dos exames, os médicos chegaram à conclusão de que o tumor era bastante invasivo e estava crescendo rapidamente. Hoje ela está em tratamento, fazendo quimioterapia e usa suas redes sociais para compartilhar as experiências com o câncer e alertar outras jovens da importância do diagnóstico precoce.

É mais agressivo em mulheres jovens?

Quando mulheres mais jovens são diagnosticadas, é comum que o tumor seja mais agressivo, mas isso normalmente se deve ao fato da doença estar mais avançada, já que dificilmente elas fazem exames específicos antes dos 30 anos. Aí, quando descobrem, o tumor já está maior.

Por isso, é de extrema importância que você faça mensalmente o autoexame das mamas. Se encontrar qualquer assimetria ou nódulo na região do seios e axilas, marque uma consulta no ginecologista ou mastologista o mais cedo possível! São esses especialistas que vão pedir exames mais específicos. 

Manter a frequência anual de consultas com o ginecologista também é fundamental, uma vez que o especialista poderá te ajudar a detectar qualquer coisa fora do normal. “Todas as mulheres devem ir logo após ficarem menstruadas, para acompanhamento e a realização dos exames de rotina. O exame de toque faz parte dessa rotina. O ginecologista precisa realizar, nas consultas, o exame de mamas, se ele não realizar, tem algo de errado “, alerta o Dr. Bruno Ferrari, oncologista.   

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Eu tenho casos na família e imaginava que podia ter a doença um dia, mas lidava bem com isso, pensava que iria fazer o tratamento igual a todo mundo e ficar bem. Mas os médicos falavam que era só a partir dos 25 anos que eu tinha que começar a ver isso e fazer os os exames tudo certinho. Se eu soubesse antes, o procedimento seria muito mais fácil.  Eu poderia ter descoberto mais cedo e estar fazendo um tratamento muito mais fácil do que esse. Então eu me preocupo de também passar essa informação paras pessoas, é muito importante falar sobre o câncer de mama com mulheres jovens. Não é porque você é nova que você não pode ter câncer de mama”, conta Giulianna. 

Por que a doença tem acometido jovens?

Em primeiro lugar, é preciso entender que não existe uma única causa que leve ao surgimento de qualquer tipo de câncer. Logo é preciso a junção de vários agentes para que a doença se desenvolva.

Ao longo dos anos, há um aumento do tempo de exposição a fatores de risco. Conforme explica ginecologista Érica Mantelli: “Pessoas mais velhas geralmente passaram ali anos expostas, diferentemente de pessoas mais jovens, que têm uma menor exposição devido à idade”. Daí a menor preocupação com as jovens. 

Entre os agentes de risco podemos citar os altos níveis do hormônio estrógeno, então eventos como menstruação precoce, menopausa tardia, reposição hormonal pós-menopausa e uso prolongado de contraceptivos são todos contribuintes para o crescimento celular acelerado e desordenado. Além disso, é importante considerar a existência de casos na família e a predisposição genética.

Fatores ambientais também têm sua influência, podendo, inclusive, ser uma das possíveis causas do aumento de número de diagnósticos em mulheres jovens. “Uma dieta inadequada, rica em alimentos que contenham muitas substâncias químicas, como corantes, conservantes e hormônios, pode favorecer o surgimento da doença. Já a ingestão excessiva de álcool leva à queda da imunidade, o que pode resultar na formação de células atípicas, elevando também o risco para a doença”, aponta a Dra. Patrícia Gonçalves, médica obstetra e ginecologista. 

Convivendo com o diagnóstico

Não é fácil pensar que a vida vai mudar tanto, que a doença pode interferir nos estudos, na vida social e até no planejamento de gravidez – Giulianna, por exemplo, congelou os óvulos para garantir a fertilidade após o tratamento. Mas é preciso força para chegar à remissão. 

“No dia que recebi o diagnóstico, eu fiquei muito muito mal e chorei muito. Mas depois eu me conformei que não adiantava ficar daquela forma. Às vezes dou aquelas surtadas normais, que eu acho que é comum, quando o efeito colateral da quimioterapia é muito forte e eu fico um pouco mais nervosa. Mas de forma geral eu acho que consigo levar de uma forma bem leve e tranquila. Eu tento conviver o melhor possível com essa doença pra tirar o mais rápido possível ela de mim”, relata Giulianna.

Outra ajuda eficaz é conhecer histórias semelhantes e buscar apoio nas pessoas que estão passando pela mesma situação. “Quando eu fui diagnosticada, tentei procurar nas redes sociais outras meninas da minha idade passando por esse problema. Mas só encontrei meninas com leucemia e mulheres com câncer de mama que já eram muito mais velhas que eu. Então, resolvi mostrar toda a trajetória do câncer de mama no meu Instagram porque, além de ser uma forma de dar a notícia para todos os meus amigos, eu queria criar um lugar pra gente que é jovem e fica muito perdida com esse diagnóstico. Para falar que não é porque você é jovem que você não vai ter câncer, mostrar que eu tô bem, que tá tudo dando certo, tem cura, tem um jeito de se salvar dessa situação. Existe uma luz no fim do túnel e você é capaz de chegar. Eu queria muito mostrar muito esse lado da doença”, diz.

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