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Atendimento virtual às gestantes é solução importante durante pandemia

Dúvidas já são frequentes nesta fase e durante a amamentação. Com o isolamento social, o atendimento à distância se tornou saída útil para essas mulheres

Por Gabriela Maraccini - 15 Maio 2020, 13h11

“Uma mãe me perguntou se poderia dar um beijo no próprio filho, porque ela precisou ir ao supermercado e estava com medo de transmitir o vírus para ele, mesmo tendo se protegido com máscara e álcool em gel”. Este relato, contado à CLAUDIA pela enfermeira obstetra Simone Nascimento, representa um dos maiores desafios que mães e gestantes, principalmente as de primeira viagem, estão enfrentando atualmente: conseguir informações de qualidade que possam sanar todas as dúvidas referentes à fase — que normalmente já é cercada de questões e inseguranças em meio a pandemia do coronavírus.

Simone é sócio-fundadora do Bella Materna, aplicativo criado em 2016 com o objetivo de unir profissionais da saúde e mães pela tecnologia e servir como fonte de informações confiáveis sobre as principais dúvidas em torno da gestação, pré-natal, amamentação, entre outras questões da maternidade.

“Eu queria buscar uma forma de levar meu conhecimento na área para toda e qualquer pessoa”, explica a enfermeira. “De um lado, temos um profissional que não está dando conta de atender toda essa demanda, ainda mais agora. De outro, temos uma pessoa que está com uma dúvida pontual que, se ela for marcar uma consulta, pode demorar um longo tempo para acontecer, e se ela pesquisar na internet, pode encontrar informações não tão relevantes”, explica.

Atualmente, são 180 profissionais da saúde, todas mulheres, cadastradas no aplicativo, entre elas enfermeiras, pediatras, obstetras e nutricionistas. E o mais interessante: 90% delas são mães, segundo Simone. “Então, levamos essa profissional que sabe ensinar e que sabe passar a informação certa para a mãe. Unimos gente com gente: quem tem capacitação com quem precisa de ajuda”, conta.

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Muito antes da pandemia, essa já era uma demanda das mães

A ideia de montar um aplicativo que conectasse profissionais da saúde com mães surgiu em 2016, a partir de percepção de Ricardo Franco que informações de qualidade sobre essa fase são determinantes no Brasil.

“Eu era presidente de uma empresa de bens de consumo para mães e gestantes e tínhamos um blog que virou um centro de pesquisa emocional. Ninguém perguntava sobre os nossos produtos, perguntavam muito mais sobre dúvidas do que fazer na fase de amamentação, entre outras questões”, conta Franco à CLAUDIA. “Dizem que as próximas guerras serão por conta da informação e nós já estamos vendo isso agora com o coronavírus. Então, unir gente com gente foi a ideia que eu tive naquele momento para conseguir passar a mensagem que eu precisava na indústria”

Mulher grávida mexendo no celular
Catherine Delahaye/Getty Images

O Bella Materna funciona de duas maneiras: para sanar dúvidas e pedir informações não emergenciais, a mãe ou gestante pode se conectar com uma profissional através de um chat bastante parecido com os aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp. Para casos mais urgentes, ela entra em uma consulta online por vídeo-chamada.

“Tínhamos muitas ocorrências como, por exemplo, tombo do bebê ou casos de engasgo, esse tipo de ocorrência em que a mãe está em um momento de aflição e precisa desse tipo de comunicação”, relata Franco. “Então, surgimos como um app de respostas ao problema agudo do momento e passou a ser um app de uma jornada, que acompanha a mãe e vai auxiliando-a efetivamente no dia a dia.”

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Os receios em meio à pandemia

É de se imaginar que, com o isolamento social e os hospitais com grande demanda de pacientes com coronavírus para atender, as mães e gestantes estejam evitando idas constantes ao consultório. Com isso, alternativas como o Bella Materna tem sido importantes e úteis.

Segundo Franco, estão acontecendo, por mês, mais de 50 mil interações entre pacientes e profissionais da saúde. Isso mostra que os receios e anseios das mães estão cada vez mais recorrentes.

“O principal medo delas é sair de casa”, conta Simone. Ao relatar o caso citado no início desta matéria, da mãe que estava com medo de beijar o próprio filho e transmitir o vírus para ele, mesmo estando assintomática, a enfermeira chega a uma conclusão: “As informações estão ficando muito pesadas para muitas pessoas, então estamos sendo extremamente úteis nesse período.”

Outra preocupação relatada por Simone é sobre a hora do parto. “Como vai ser, se está todo mundo tendo que usar máscara? Elas me perguntam o que vai acontecer com elas ao entrarem na Maternidade, se elas vão ter que usar máscaras durante o trabalho de parto, se elas poderão segurar e beijar seus filhos. Isso gera muita dúvida”, conta.

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“Por mais que tenha informações na internet, as dúvidas estão muito em cima disso. Tem aqueles casos que conseguimos orientar, atender, que não é necessário que a mãe se dirija a um ambiente hospitalar”, finaliza Simone. “Nós devolvemos o controle da situação à mãe através de um clique. Esse é o sucesso da plataforma”, completa Franco.

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