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“Sou feminista e comprei um fogãozinho pra minha filha”

Mãe compartilha história para lembrar que feminismo é sobre as mulheres poderem tomar as próprias decisões

Por Da Redação 13 jan 2017, 19h45

Ser feminista significa acreditar que mulheres e homens deveriam ter os mesmos direitos e deveres. Por isso, muitas vezes é celebrado quando uma mulher conquista algo que constantemente fica restrito aos homens, ou quando ela se livra de uma obrigação que antes tinha simplesmente por ser mulher. Isso não quer dizer que funções e objetos que são constantemente associados ao universo feminino devem ser deixados de lado pelas mulheres – caso seja opção delas.

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É isso que a cuiabana Rogéria Rizette Linares fez questão de deixar claro em uma publicação feita em seu perfil no Facebook esta semana. “Sou feminista e comprei um fogãozinho pra minha filha”, é o título da história que já tem mais de 95 mil curtidas e 33 mil compartilhamentos. “Quero que ela brinque com suas panelinhas, com suas filhas de brinquedo, suas maquiagens coloridas, que se imagine sendo uma princesa coberta de vestidos esvoaçantes e cheios de brilhos”, escreve antes de completar, “SE FOR O QUE ELA GOSTA E DESEJA

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Ao longo do texto, ela também conta sobre o boneca do Homem-Aranha que a filha adora – e como ela brinca que ele está indo viajar com a filha com uma mala bem cheia, já que vê o pai fazendo o mesmo em casa. “Quero que ela peça por um fogãozinho em um dia e um foguete espacial no outro”, adiciona.

Leia a mensagem completa:

SOU FEMINISTA E COMPREI UM FOGÃOZINHO PRA MINHA FILHA

No Natal, minha filha de 3 anos pediu que eu comprasse para ela um fogãozinho com panelinhas pra ela brincar. Pesquisei, me irritei com as opções só rosa e preços absurdos, e ontem comprei o que achei melhor. Ela amou e brincou por horas seguidas com ele.

Uma história comum, que não passaria disso se, ao comentar com uma amiga, não tivesse ouvido o seguinte: “Vc deu um fogão e panelas pra sua filha? Deve ter doído no seu feminismo.”Sim, sou feminista. 24/7, e com bastante orgulho.

Esse comentário da minha amiga engloba toda uma noção errada que parte da sociedade possui sobre o Feminismo. Parecem pensar que nós, feministas, somos contra uma mulher querer se cuidar, se casar, ter filhos, cuidar de casa, abrir mão de carreira ou coisas assim.

Então vai aqui a notícia chocante: não somos contra nada isso. O que não queremos é que essas sejam as únicas opções das mulheres ou que elas sejam criticadas e punidas se não quiserem nada disso. Apenas isso.

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Então sim, sou feminista e dei um fogãozinho rosa pra minha filha. Porque quero que ela brinque com suas panelinhas, com suas filhas de brinquedo, suas maquiagens coloridas, que se imagine sendo uma princesa coberta de vestidos esvoaçantes e cheios de brilhos.

SE FOR O QUE ELA GOSTA E DESEJA.

Quero também que ela chame o pai dela pra brincar de cozinhar com ela, como fez ontem, pq sabe que homem também cozinha, também cuida da casa, porque ela vê o pai fazendo isso em nossa casa.

Quero que o chame pra brincar de mamãe e bebê, como também fez ontem, porque está acostumada a ser cuidada por seu pai e isso é natural para ela.

Que tenha um boneco e um edredon do Homem-Aranha, porque ela quis e ela pode, porque aqui não tem isso de brinquedo de menino e brinquedo de menina.

Que faça seu brinquedo do Homem-Aranha andar pelo chão carregando uma bolsa rosa enorme cheia de acessórios porque ele vai viajar com a filhinha, como já a vi fazendo inúmeras vezes.

Que também tenha quebra-cabeças, livros, bolas, filmes, jogos de montar, tablet, bicicleta, carrinho e uma gama enorme de brinquedos que não a restringem apenas a fogões e bonecas, com os quais ela pode exercitar toda a sua imaginação e ser feliz.

Quero que ela peça por um fogãozinho em um dia e um foguete espacial no outro.

Que um dia fale que vai casar e ter filhos e no outro que vai ser Veterinária e cuidar de todos os gatinhos da rua – sim, é o que ela diz, e talvez seja tudo isso, ou nada disso, tanto faz.

Enfim, que ela tenha escolhas. É disso que se trata o Feminismo. Do direito de mulheres escolherem o que querem, sem restrições e julgamentos.

É no que acredito e é como crio minhas filhas. Bastante simples, né?

Rogéria Rizette Linares

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