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“Ranking sexual” em universidade paulista expõe a intimidade de estudantes

Cartaz com nomes e "pontuação" depreciavam alunas da instituição

Por Isabella Marinelli Atualizado em 22 out 2016, 16h21 - Publicado em 19 jun 2015, 14h28

Um cartaz com uma espécie de “ranking sexual” foi exposto na área da convivência da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP em Piracicaba, no Estado de São Paulo. As folhas estampavam, principalmente, os apelidos de alunas e de alguns poucos alunos com uma contagem ao lado, remetendo às relações sexuais que mantiveram. Palavras depreciativas e termos chulos, como “teta preta”, dividiam os estudantes em três categorias.

O episódio reacendeu as discussões sobre o preconceito, o machismo e a homofobia nos ambientes universitários. No início do ano, os dados da CPI dos Trotes, realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo, apontaram a Esalq mais de uma vez como uma das mais violentas do Estado.

As 37 audiências produziram um relatório final de 194 páginas, que relatam uma série de atrocidades vividas no meio acadêmico. Um dos destaques do documento é a suspeita de 112 estupros ocorridos apenas na Universidade de São Paulo (USP) nos últimos dez anos. Os números têm como base um extenso trabalho realizado pela professora Maria Ivete Castro Boulos, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Ao final das sessões, foram produzidas 39 recomendações para lidar com casos de tortura, violência, homofobia e outros crimes dentro dos muros das universidades. Entre elas, a CPI indicou aos Reitores das Universidades USP, UNESP, UNICAMP e FATECs, que prestem contas conforme previsto em lei, apresentando as iniciativas no âmbito administrativo e pedagógico para impedir que os atos que violam os Direitos Humanos não sejam mais praticados.

Em nota, a instituição declarou que “encaminhará o material para apreciação de uma comissão sindicante, cumprindo trâmite regular”.

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