Número de abortos cai em países em que a prática foi legalizada

América Latina e Caribe, que ainda criminalizam a interrupção, seguem com os índices mais altos do mundo

A legalização do aborto é um tema que divide opiniões e gera grandes discussões. Um estudo divulgado pelo Instituto Guttmacher, focado em saúde e direitos reprodutivos, mostrou que a legalização do aborto em países desenvolvidos fez com que as taxas de interrupção da gravidez caíssem e os procedimentos se tornassem mais seguros.

A América do Norte e a Europa foram os continentes que apresentaram os menores índices. Nos últimos 25 anos, as nações mais ricas passaram de 46 para 27 abortos a cada mil mulheres em idade reprodutiva -depois da primeira menstruação.  Já nos países em desenvolvimento o número se manteve estável, passando de 39 para 36 para cada mil mulheres em idade reprodutiva.

A região que tem a taxa anual mais alta é a da América Latina e Caribe, com 44 abortos a cada mil mulheres. Os países com os maiores índices são aqueles em que a prática é proibida por lei. No Brasil, só é autorizado abortar quando o feto é anencéfalo,  quando a mãe corre risco de vida ou quando a gravidez é fruto de estupro. Mas isso não inibe a realização do procedimento. De acordo com a pesquisa, só em 2014 mais de 20 mil mulheres morreram devido a um aborto clandestino.

A vice-presidente de pesquisas internacionais do Instituto, Susheela Singh, afirmou em entrevista ao jornal O GLOBO que criminalizar o aborto não é a melhor saída. “Esses países fazem subir a possibilidade de que os abortos sejam feitos de forma arriscada, porque eles forçam as mulheres a procurarem clínicas clandestinas.”

O estudo concluiu que os países que tiveram queda no número de abortos apresentaram fatores como acesso à contracepção, educação sexual e renda para conseguir reduzir os números.

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