“Não é o primeiro relacionamento em que sou agredida”, diz Gisele Fraga

"Depois que você entra numa relação doentia, você acaba ficando doente também." diz Gisele Fraga sobre ter tido dois relacionamentos em que foi diversas vezes verbalmente e fisicamente. Atriz divulgou foto com o rosto machucado, resultado de tratamento que faz há dois anos após ter caído de rosto durante uma discussão com o ex-companheiro.

A atriz e modelo Gisele Fraga, 46 anos, tomou coragem após Luiza Brunet denunciar o ex-parceiro Lírio Parisotto por agressão agressão e decidiu contar sua história. Em uma foto publicada no Instagram na terça-feira (05), ela aparece com um hematoma no rosto. Na legenda, ela escreveu: “Esta foto é só um registro do que aconteceu na minha face quando eu tinha uma união estável com um sujeito bipolar após meu divórcio! Mas na época não tive coragem de falar. Como disse Luiza, a maquiagem esconde por fora mas a marca na alma permanece!”.

 

 

Em entrevista a CLAUDIA, ela conta que segue em tratamento até hoje por causa do ferimento provocado por uma discussão fervorosa com o ex-companheiro e que não é a primeira vez sofre violência em um relacionamento. Nos anos 1990, ela chegou a ir morar no Nordeste para fugir de outro ex.

O que te motivou a publicar a foto com o rosto machucado?
Gisele Fraga: Existe tanta polêmica em torno do assunto e, hoje, nós mulheres temos mais defesa. Acredito que várias mulheres são agredidas, mas não têm coragem de falar. É o meu caso. Passei por isso em dois relacionamentos e só tive coragem de me abrir agora. Eu fiquei sensibilizada depois que vi a matéria com a Luisa [Brunet]. Essa foto é recente, mas é resultado de um tratamento que venho fazendo há dois anos desde que caí de cara no chão durante uma discussão com meu ex, de quem prefiro não falar o nome.

Como essa queda aconteceu?
GF: Existem violências que são muito piores que a física, uma violência que não deixa marca. Há dois anos, depois de ser muito agredida verbalmente em mais uma das inúmeras ocasiões em que isso aconteceu, eu caí de cara no chão e precisei levar oito pontos na bochecha direita. Ele me levou a um cirurgião plástico particular que não fez um bom trabalho. Desde então, tenho feito cirurgias para recuperar meu rosto, que nunca mais ficou como era antes. 

E por que falar disso agora e não quando aconteceu?
GF: Eu tinha medo. Muita gente fala “se apanhou é porque mereceu”, isso não é verdade, mas eu tinha medo do que iam pensar sobre mim. Agora me manifestei para que as pessoas vejam que [violência em relacionamentos amorosos] acontecem com gente conhecida também. Quando acontecia no meu primeiro relacionamento, eu tinha muita vergonha do que iam falar e faltava coragem para terminar. Preferi fugir do meu ex e ir para o nordeste.

Como foi isso?
GF: Ficamos juntos por quatro anos e ele me agrediu sete vezes com tapas, beliscões, chutes. Ele era muito ciumento, muito agressivo. Me xingava, me traía e dizia que era minha culpa. Qual é a maior arte da defesa? O ataque! Então, quando ele se sentia acuado, ele me atacava. Ele me perseguia, tentava invadir os lugares que eu tava, muita gente via. Eu não sabia como sair dessa relação, então larguei meus trabalhos e fugi para o nordeste. Era final dos anos 1990, eu estava no auge da minha carreira, mas como eu ia chegar na TV e falar “não vou trabalhar porque estou cheia de roxo no rosto”? Passei um ano e meio escondida no nordeste.

E como foi passar por isso novamente em outro relacionamento?
GF:  A gente tinha acabado de reatar. Depois que você entra numa relação doentia, você acaba ficando doente também. Ele foi diagnosticado como bipolar [doença psiquiátrica que provoca variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania] e negou a se tratar. Eu já interpretei uma personagem bipolar no SBT, então entendo essas pessoas e me sensibilizo com elas, mas é preciso buscar tratamento, se medicar. Eu era muito envolvida com ele e só tive forças para terminar depois de uma traição muito grande por parte dele. 

Você tem medo de passar por isso outra vez? Afinal, aconteceu em dois relacionamentos…
GF: Eu não vou mais passar por isso, na próxima vez eu aponto a câmera e gravo tudo. A gente agora tem essa arma nas nossas mãos que é o celular com câmera, não dá mais para a pessoa negar e te chamarem de louca, como era antes. O assunto é sério, acontece com muitas mulheres e quanto mais ficarmos caladas, mais vai acontecer. O que me interessa agora é falar, expor esses casos, como as pessoas vão interpretar já não me dá medo, não tem nada que eu possa fazer em relação a isso. As mulheres precisam se juntar e se ajudar. Eu fui apenas mais uma que foi agredida, isso destrói nossas carreiras, famílias, reputação, tudo. Não pode ser assim mais.

Em caso de violência, não tenha medo. Denúncie ligando no número 180.

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