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Música de protesto: Rapper afegã enfrenta o governo de seu país com letras ácidas

Paradise Sorouri não desiste de fazer um tipo de música que se opõe à violência que o governo do Afeganistão impõe à mulher, mesmo depois de ser espancada por cinco homens na rua e ter que fugir para outro país.

Por Redação M de Mulher
Atualizado em 28 out 2016, 03h27 - Publicado em 16 jun 2014, 22h00

Com a banda 143 Band, a rapper Paradise Sorouri canta para se opor à situação das mulheres no Afeganistão
Foto: Reprodução/ Facebook 143 Band


Nos sete anos em que ficou no poder, o Talibã destruiu o Afeganistão, proibiu música, TV e cinema e rebaixou as mulheres a quase zero. Se os barbudos do time de Bin Laden – que ainda hoje aterrorizam a sociedade – supunham ter enterrado a arte e a liberdade, Paradise Sorouri prova que estavam enganados.

Aos 24 anos, a rapper canta para se opor à violência e instigar suas compatriotas a reagir. Uma de suas músicas diz: “Por quanto tempo tenho que ser escrava da tirania? Os direitos humanos não são para todos? Por que eles querem que eu seja menos que os homens… Mulher, você respirou na atmosfera do horror. Você correu e correu, mas nunca alcançou. Cometeu suicídio, se imolou… Por que ainda está vivendo esse pesadelo em silêncio? Levante e busque o que é seu no mundo”.

Nos anos 1980, os pais de Paradise, que significa paraíso em inglês, fugiram do país para o Irã. Sempre defendendo a igualdade, eles incentivaram os filhos a tocar instrumentos. Quando fez 18 anos, ela voltou a Cabul, indignada com as notícias que ouvia sobre o sofrimento do seu povo. Trabalhava em uma universidade em troca de frequentar alguns cursos. Foi lá que conheceu o estudante Ahmad Marwi, que se tornou seu namorado e parceiro na 143 Band.

Já na primeira música lançada na web, Paradise sentiu o peso da sua decisão. “É difícil ser mulher ali, mas ser artista é ainda pior”, afirma em entrevista a CLAUDIA. “Sou vista como a escória e chamada de prostituta.”

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O preconceito cresceu tanto que Paradise teve de largar o curso e o emprego. Um dia, andando pela rua com o irmão, foi espancada por cinco homens, até cair inconsciente. Com medo de novo ataque, fugiu com Ahmad para o Tajiquistão, onde continuou a compor. “Não desisti. Seria sinal de fraqueza, eu estaria me entregando”, explica.

Nesse período, escreveu rimas para contar o episódio que quase lhe tirou a vida; sobre o uso frequente de ácido, atirado no rosto para desfigurar as mulheres; as proibições de sair de casa sem burca. Fez ainda um rap cáustico, relatando a história de duas primas dela, que souberam do arranjo para casar forçadas e colocaram fogo no corpo. No ano passado, Paradise e Ahmad voltaram ao Afeganistão.

Como seus clipes são muito vistos no YouTube e Facebook, ela cobre cabelos e olhos para não ser reconhecida em público. Em novembro, o casal desembarcou no Rio de Janeiro para a Festa Literária das Periferias, a Flupp. Fizeram tanto sucesso que resolveram tentar uma turnê internacional. Querem mostrar que afegãos como eles têm um ambicioso projeto de paz e igualdade no país.

Conheça outras histórias de mulheres inspiradoras finalistas do Prêmio CLAUDIA 2014. A votação já está aberta.

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