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Motivadas pelo “Me too”, mulheres denunciam gamers por assédio

Um dos jogadores mais famosos, SayNoToRage foi apontado em diversos relatos e declarou "não sou vítima"

Por Da Redação
Atualizado em 22 jun 2020, 21h41 - Publicado em 22 jun 2020, 19h00

O universo dos games ainda é majoritariamente masculino e, consequentemente, mais opressor para as jogadoras, que dificilmente escapam de algum episódio de assédio virtual durante os jogos online. Porém, um movimento inspirado no “Me too”, em que atrizes e outras profissionais da indústria audiovisual denunciaram abusadores da área em 2017, tornou público casos de abusos cometidos por gamers e praticantes de esportes eletrônicos.

Entre as denúncias, há personalidades da plataforma de streaming Twitch, espaço digital onde esses jogadores transmitem suas partidas e competições de modalidades esportivas. Neste domingo (21), a empresa se pronunciou após a divulgação das denúncias. “Levamos a sério as acusações de agressão e assédio sexual. Estamos analisando os casos relativos a streamers afiliados ao Twitch e trabalharemos com a aplicação da lei, quando for necessário (…). Somos gratos à bravura demonstrada por quem se apresentou para falar sobre suas experiências e estamos comprometidos em trabalhar para tornar a comunidade de streaming mais segura para todos”, declaram em nota.

Conhecido por gravar sua performance no jogo Destiny 2, SayNoToRage, um dos gamers mais seguidos pelo público, foi citado nas acusações. Uma usuária da plataforma declarou que, em 2017, durante um encontro, o jogador teria a tocado de forma inapropriada e sem consentimento. A partir do relato dela, outras mulheres também contaram situações de assédio cometidas por SayNoToRage.

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Após a divulgação das denúncias, o jogador chegou a dizer em seu perfil nas redes sociais que suas atitudes eram resultado de traumas da adolescência. Porém, o vídeo foi deletado em poucos instantes e substituído por uma mensagem de desculpas. “Quero deixar bem claro que não sou uma vítima nessa situação. Não há desculpa para o meu comportamento. Não há um jeito de encobrir isso. As coisas que eu fiz são inaceitáveis”, declarou.

O que eles ensinam

Além dos danos causados pela agressão às vítimas, o ato criminoso desses referenciais para os jogadores também reforça o cenário violento no mundo dos games da perspectiva de gênero. Segundo uma pesquisa da organização Anti-Defamation League (em português, Liga antidifamação), de 2019, mais da metade dos entrevistados nos EUA (74%) revelaram que já foram vítimas de assédio por gênero, raça, religião orientação sexual ou etnia. Entre as mulheres, 38% afirmaram sofrer assédio constante durante os jogos.

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Para focar apenas no jogo e evitar esse tipo de situações, muitas jogadoras optam por mudar o nome e não deixar um avatar feminino. Juliana Kobel, 22 anos, de São Paulo, já passou por situações constrangedoras e incômodas em jogos virtuais. “Uso um nome neutro para não saberem que sou mulher e também costumo falar só como se fosse homem. Ainda assim, já aconteceu de estar jogando com amigos e algum deles digitar algo que dava pra perceber que sou mulher. Com isso, outras pessoas que não conhecíamos começaram a me xingar, dizendo que era por isso que jogava mal, além de assediarem sexualmente”, lamenta.

Em tempos de isolamento, não se cobre tanto a ser produtiva:

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