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Maria da Penha e Juliana de Faria encerram revezamento da Tocha Olímpica no Ceará

O revezamento, ocorrido na última terça-feira (7), foi dedicado ao empoderamento feminino e ninguém melhor para representá-lo do que estes dois nomes que estão lá por serem motivo de muito orgulho e luta pelos direitos das mulheres

Por Débora Stevaux (colaboradora) - Atualizado em 28 out 2016, 01h49 - Publicado em 10 jun 2016, 16h52

Desde o dia 3 de maio, a tocha dos Jogos Olímpicos Rio 2016 já está circulando por cerca de 300 municípios brasileiros, até chegar no seu destino final – a sede localizada na capital carioca. E entre a lista quilométrica – que conta com mais de doze mil nomes – responsáveis por conduzir o símbolo do maior evento esportivo de todo o mundo,  estão dois nomes que além de nos representarem como mulheres, estão lá por serem motivo de muito orgulho e luta pelos direitos femininos.

Rio2016/Fernando Soutello
Rio2016/Fernando Soutello

LEIA MAIS: Os obstáculos vencidos pelas atletas para chegar à Rio 2016​.

O revezamento, ocorrido na última terça-feira (7), foi dedicado ao empoderamento feminino e ninguém melhor para representá-lo do que a farmacêutica bioquímica Maria da Penha, conhecida nacionalmente por dar nome à Lei nº 11.340/2006, que completa dez anos de existência em 2016; e a criadora da organização não-governamental Think Olga, idealizadora do projeto Chega de Fiu Fiu e finalista da edição de 2015 do Prêmio CLAUDIA, na categoria Trabalho Social. As duas encerraram o revezamento da tocha olímpica na cidade de Fortaleza, estado do Ceará, e Maria acendeu a pira local. Assista ao vídeo que registrou este momento inspirador: 

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LEIA MAIS: Assédio em lugares públicos: a jornalista que mostrou o outro lado da cantada.

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Quem são elas?

Maria da Penha Maia Fernandes tornou-se símbolo da luta contra a violência doméstica após ter sido vítima de seu marido e pai de suas três filhas, o economista colombiano Marco Antonio Heredia Viveros que além de agredí-la constantemente, tentou matá-la duas vezes, ambas no ano de 1983: na primeira vez, a atingiu com um tiro de espingarda pelas costas enquanto dormia – o que acabou a deixando paraplégica; e na segunda vez, quando tentou eletrocutá-la durante um banho. Maria ergueu a tocha no município de Fortaleza, sua terra natal e comentou sobre os avanços da medida legislativa, mas que infelizmente segundo ela mesma, são boas mas “a situação ainda deixa muito a desejar”. De acordo com o levantamento anual divulgado no ano de 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de um milhão de brasileiras são agredidas no ambiente doméstico, na maioria das vezes, a violência é protagonizada por seus próprios companheiros, como foi o caso da farmacêutica. Assista abaixo a sua declaração inspiradora após ter acendido a pira: 

 

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Rio2016/Fernando Soutello
Rio2016/Fernando Soutello

Maria da Penha, leva a tocha para acender a pira, ao lado de sua primogênita, Viviane Fernandes.

Juliana de Faria é uma das comunicadoras paulistanas à frente do projeto Think Olga, que lançou no ano de 2013, a campanha Chega de Fiu Fiu, que pôs fim ao silêncio das mulheres sobre as cantadas de rua, traçando um retrato do assédio sofrido por milhares de brasileiras pelas vias públicas do nosso país. A jornalista elaborou, a pedido da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, uma cartilha sobre o tema, que foi distribuída aos habitantes da cidade e também escreveu, em conjunto com a socióloga Bárbara Castro, o livro “Meu Corpo Não É Seu – Desvendando a Violência contra a Mulher”, lançado pela Companhia das Letras. No ano de 2015, a jornalista contou à CLAUDIA que uma das principais motivações para a idealização da ação foi a vez em que o diretor teatral Gerald Thomas colocou sua mão por baixo da saia da modelo Nicole Bahls, durante uma entrevista para um canal de TV: “Fiquei chocada; ainda mais quando vi que, nas redes sociais, havia pessoas que eu conhecia apoiando aquela atitude”. Assista abaixo a declaração de Juliana de Faria, feita momentos antes de ter entregue a tocha a Maria da Penha:

 

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