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Mãe de Valentina, do MasterChef, quebra o silêncio sobre o caso

Daniela Schmitz confessa que teve vergonha de sua dor e de seu silêncio, mas resolveu se pronunciar e se posicionar sobre o assunto

Por Redação CLAUDIA - Atualizado em 5 abr 2017, 19h24 - Publicado em 22 jun 2016, 13h53

Em outubro de 2014, Valentina, na época com 12 anos, foi alvo de pedofilia na internet. Mensagens de cunho sexual direcionadas a ela tomaram conta das redes após suas aparições no reality show culinário MasterChef Júnior, do qual fazia parte. O aterrorizante episódio foi o estopim para campanhas como #PrimeiroAssedio, em que mulheres compartilharam seus casos de violência.

Agora, oito meses depois, Daniela Schmitz, mãe da garota, quebrou o silêncio e comentou o caso em um emocionante relato publicado pelo Meio&Mensagem. Leia abaixo:

“Foi em outubro do ano passado quando minha filha de 12 anos, participando do Junior MasterChef, sofreu uma série de tentativas de assédio sexual virtual.

Eu não ia falar sobre isso. Mas depois de assistir à palestra da Madonna Badger, não é possível se calar diante de tanta coragem e sabedoria.

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Não há muito o que falar sobre o caso de assédio em si, que foi vastamente explorado pela mídia e redes sociais a seu tempo e só não foi mais e mais equivocadamente porque estávamos preparados e ela amplamente protegida. No entanto, há muito o que falar sobre o que leva as pessoas a acharem que alguém como ela, por estar participando de um programa de tv, ser menina e ser bonita pode ser assediada, publicamente sexualizada e virtualmente estuprada.

Muitos dirão, são doentes, são pedófilos. Discordo, senhores. A maior parte deles são simplesmente rapazes que desde sempre foram impactados por imagens e mensagens nas quais as mulheres ou pedaços delas eram tratadas como objetos sexuais. Imagens e mensagens contidas nos anúncios, nos filmes e outdoors que os leitores deste jornal criaram, aprovaram e veicularam. E assim, cresceram, crescemos… ajudando através da publicidade a construir a cultura do estupro.

Eu não ia falar sobre isso, porque é muito dolorido ver a tua própria família se tornar vítima de uma cultura que de alguma forma direta ou indiretamente você ajudou a construir. E ainda ver, supostos influenciadores, cobras que ajudamos a criar, ironizando o caso e desmerecendo a importância da discussão que se deflagrou a partir dele com a campanha #meuprimeiroassedio.

Mas depois de ouvir a história da Madonna Badger, tive vergonha da minha dor e do meu silêncio. O que ela tem feito, em nome do legado que ela diz querer deixar paras suas 3 filhas, é algo tão poderoso e tão importante, que não pode ser mantido em silêncio.

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Talvez vocês já tenham assistido aos vídeos produzidos para o movimento #WomenNotObjects (Mulheres, Não Objetos) criado pela Badger & Winters.

Mais do que assistir, refletir, mudar o mindset, eu recomendo que a gente radicalize, deixando de consumir marcas que promovam a objetificação da mulher. Checando e deixando de contratar pessoas que planejam, criam ou aprovam essa forma de “comunicação”. Porque isso não são campanhas publicitárias, isso é contribuir ativamente para a construção de um padrão de comportamento estuprador, desumano e que coloca a mulher, desde bem pequena, num contexto profundamente humilhante e incentiva os homens, desde cedo a tratá-las como objetos. Não é brincadeira, não é sexy e muito menos engraçado. Isso não é nem mesmo propaganda. Isso é algo que vai contra a reputação das marcas e das pessoas por trás dessas marcas. E isso a Badger & Winters também comprovou através de suas pesquisas.

By the way (“A propósito”), as filhas da Madonna Badger, morreram num incêndio há muitos anos, quando ainda eram bem pequenas. Portanto, as filhas, as netas… que vão se beneficiar de fato das mudanças que devem ocorrer a partir dessa luta, são as nossas. Obrigada por não se calar.”

O relato foi publicado originalmente aqui.

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