“Eu adoro holofotes, mas para meu trabalho”, diz Luciana Temer

Reservada e firme, a filha do presidente Michel Temer fez questão de afirmar sua independência política em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo

As referências ao pai incomodam Luciana Temer. Filha do atual presidente, ela tem uma carreira política sólida e faz questão de se afirmar como a gestora pública que é. Reservada e resistente a entrevistas, falou com o jornal O Estado de São Paulo, onde confessa sentir-se desconfortável com os holofotes voltados para si. “A questão é que, hoje, sendo doutora em Direito Constitucional e fazendo a trajetória profissional que faço, às vezes eu me canso um pouco de ser referenciada à figura do meu pai. Tenho orgulho de ser filha dele, assim como da minha mãe, que é uma pessoa maravilhosa. Agora, com 50 anos você viver referenciada… Eu quero luz sobre o meu trabalho, não sobre mim”, disse em um dos trechos.

A mais velha dos herdeiros Temer é formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e tem doutorado em Direito Constitucional na mesma faculdade. Mãe de dois filhos, professora na mesma universidade e ex-delegada da Delegacia de Defesa da Mulher de Osasco (SP), chegou à administração pública por Gabriel Chalita, atual vice-prefeito de São Paulo. Na mesma gestão, de Fernando Haddad, comanda a Secretaria de Assistência Social – cargo que, segundo ela, seu pai “preferia que não aceitasse”. Para ele, diriam que ela conseguiu só porque é sua filha. Para ela, tal realidade é apenas “uma condição terá por muito tempo” e que deve-se trabalhar “apesar de”.

Mas o afastamento veio durante a campanha eleitoral. Luciana descreve o pai como uma pessoa democrática, que não se importou em vê-la atuando em uma gestão que se opôs ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas sentiu-se mal pelos ataques populares e de adversários. Em família, há “uma relação de respeito mútuo, sabem que eu sou uma adulta e que sou gestora pública”. Ainda sobre Michel Temer, teceu elogios quanto à capacidade do governante enquanto articulador político competente, “coisa de que o Brasil precisa muito neste momento para retomar a normalidade institucional”, em suas palavras.

Enquanto o genitor dedica-se ao “momento difícil” do país, a paulista prepara-se para assumir um cargo de diretoria no Instituto Liberta à convite de Elie Horn, proprietário da incorporadora Cyrela. Sua missão será o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no país ao lado de organizações especializadas, como a Childhood, a Abrinq, a Unicef e o próprio Ministério da Justiça. Parte da experiência vem de um de seus maiores cartões de visitas, o programa “De Braços Abertos”, definido como “revolucionário, do ponto de vista do poder público”, por trazer a lógica acolhedora em vez da repressão no tratamento de dependentes químicos. Já os próximos passos consistem em desenvolver uma grande campanha de conscientização e com início próximo na iniciativa privada.

Leia a entrevista na íntegra.

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