“Estou traumatizado, pois vi a morte de perto”, diz homem que salvou mulher grávida no Bataclan

Sébastien foi capturado pelos terroristas após voltar ao prédio para ajudar jovem que estava pendurada na janela. Ele conta os detalhes dos momentos de horror

Uma das cenas mais impressionantes dos atentados terroristas em Paris, na última sexta-feira, foi no Bataclan. Pendurada no parapeito de uma janela, a jovem gritava: “Senhor, senhor, senhor! Eu estou grávida. Eu estou escorregando.”

Depois de alguns instantes assim, um homem que está um pouco acima, também no vídeo, entra pela janela e ajuda essa mulher. O nome dele é Sébastien. Leia o relato concedido ao jornal francês La Provence:

“Esse é o pesadelo que todos nós temos quando crianças. O pesadelo de que está sendo capturado por um homem mau ou um monstro, e você não é capaz de correr rápido o suficiente. Bom, dessa vez foi realidade.

Nós vimos a morte vindo em nossa direção. Tudo o que você poderia fazer era tentar se salvar e rezar para que não fosse o próximo da linha.

Eu soube que havia uma saída de emergência do lado esquerdo do prédio. Eu tentei ir nessa direção, mas terminei em um corredor sem saída com duas janelas. Eu vi a altura da janela e percebi que era alto demais para pular. Então eu fiquei apoiado no parapeito.

Foi quando eu vi uma mulher pendurada na janela. Ela estava pedindo para que as pessoas em fuga a segurassem, ela queria pular. E é claro que ninguém parou, pois o tiroteio continuava. 

No momento em que ela disse que não poderia mais segurar, vimos alguém morrer. Isso foi demais para mim. Então eu voltei para dentro e a alcancei com a mão.

As pessoas me perguntaram se eu estou traumatizado. Sim, pois eu vi a morte de perto. Eu vi alguém ser baleado a poucos metros de mim. E continuo me perguntando: ‘por que ele e não eu?’. Os verdadeiros heróis morreram naquela noite.”

Depois de resgatar a mulher, Sébastien e outros foram feitos de reféns dentro do Bataclan. O horror durou pouco mais de duas horas, até a entrada nos policiais.

Assista ao vídeo:

 

 

(Vídeo: The New York Times)

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