“Era tão insegura que costurei 3 bojos no meu vestido de noiva”

Conheça a história da mineira Nildilene Mendes, que demorou anos até aprender a valorizar a própria beleza.

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 (Elvio Junior/CLAUDIA)

A mineira Nildilene Mendes, 29 anos, trabalhava como manicure do salão e conseguia ver beleza em todas as mulheres que atendia – menos nela mesma. Até que um dia essa situação mudou. Conheça sua história:

“Há sete anos, quando me casei, usei um vestido em que havia costurado não apenas um, mas três bojos! O episódio foi só um reflexo do que vivia até então – e até pouco tempo atrás: minha autoestima em frangalhos. Não aceitava meu corpo, assim como não me satisfazia com meu rosto. Tive uma infância pobre como a mais velha de sete irmãos, de quem cuidava como se fossem meus filhos, já que minha mãe trabalhava o dia todo. Naquele tempo, não tínhamos tempo para elogios. E cresci sem que ninguém valorizasse meus pontos fortes. Durante a faculdade, trabalhava como manicure num salão. Atendia todo tipo de mulher e conseguia ver beleza em todas, menos em mim mesma. Me formei mais ou menos na mesma época em que meu então namorado (hoje, marido) alimentava um hobby, a fotografia. Ele gostava tanto que logo se tornou fotógrafo profissional e começou a fazer ensaios de várias pessoas. (Claro que eu não posava para ele, me achava horrível.) Uma vez uma das retratadas quis ficar mais bonita para as fotos e me pediu para maquiá-la. Quando terminei, ela me encheu de elogios. E, de fato, tinha mesmo ficado linda. A partir daí, passei a maquiar as mulheres que meu marido clicava e tomei gosto. Mergulhei nos estudos de maquiagem e ganhei clientes. Fui ficando mais segura do meu trabalho, mais consciente das minhas capacidades, mais feliz comigo mesma. Até que um dia pedi para meu marido me fotografar. E me vi bonita! Comigo, a transformação foi de fora para dentro: ajudar outras mulheres a reforçar sua beleza me fez abrir os olhos para a minha. Hoje, convivo bem com meus defeitos, me sinto bonita. Entendi que nossas imperfeições fazem parte da nossa beleza, são elas que nos dão identidade. Na semana passada, comprei um sutiã sem bojo pela primeira vez. Acho que será o primeiro de muitos…”

Ela é uma das mulheres retratadas no Atlas da Beleza Brasileira. CLAUDIA acredita que beleza é uma consequência do lugar de onde viemos, das vivências e da maneira como nos vemos, por isso, ao longo de três meses, convocamos fotógrafos de todo o país a compartilharem registros de mulheres acompanhados de suas histórias. A ideia é mostrar que o encanto das brasileiras vai muito além do que aparece na televisão, nas passarelas e até mesmo nas páginas de revista.