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Donna Rotunno: a advogada que está defendendo Harvey Weinstein no tribunal

Conheça a mulher que encabeça o time de advogados responsáveis por defender Weinstein, o magnata de Hollywood acusados de violentar dezenas de mulheres.

Por Júlia Warken Atualizado em 8 jan 2020, 19h37 - Publicado em 8 jan 2020, 14h16

Harvey Weinstein, protagonista de um gigantesco escândalo de crimes sexuais em Hollywood, tem a seu lado uma aliada improvável: a advogada Donna Rotunno. Sim, uma mulher está defendendo o produtor, acusado de agredir sexualmente mais de 80 mulheres ao longo de 30 anos.

O primeiro julgamento de Weinstein teve início na última segunda-feira (6) e deve se estender até março. Essa batalha judicial não engloba todas as denúncias que recaem sobre ele, mas apenas duas. No tribunal, em Nova York, ele enfrenta Mimi Haleyi (ex-funcionária que o acusa de estupro) e uma mulher que não quis identificar-se (que o acusa de agressão sexual). Também na segunda-feira, ele foi indiciado por outros dois estupros, dessa vez em Los Angeles – e deve enfrentar o tribunal na Califórnia em breve. 

  • Voltando a Donna Rotundo, a profissional de 44 anos lidera um time seis advogados na defesa de Weinstein. Ela assumiu o caso depois da desistência de diversos outros advogados e era pouco conhecida fora de Chicago – cidade onde atua – antes de ser contratada pelo magnata. Segundo a Vanity Fair, esse é de longe o maior caso de todos os profissionais que defendem Weinstein no julgamento de Nova York. 

    Mesmo que não estivesse nos holofotes até pouco tempo atrás, Donna tem experiência em casos envolvendo crimes sexuais. Por isso, diz que não se espantou ao ser chamada pelo produtor.

    Quanto a polêmica envolvendo a natureza do caso, a advogada defende que todos merecem um julgamento justo e critica a imprensa e os movimentos sociais que “fazem campanha” contra seu cliente.

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    “Os veículos de imprensa deixaram sua marca. Eles contaminaram o juri, pois saíram espalhando um pré-julgamento pelos Estados Unidos e pelo mundo antes de o caso ir para o tribunal”, escreveu em um artigo na Newsweek. E continuou: “O fato de que isso precisa ser debatido deveria preocupar a todos nós. Nada pode prevenir você de ser o próximo. Muito antes de você se apresentar perante um juiz, a denúncia de algumas poucas pessoas pode acabar com a sua vida e destruir a sua reputação”.

    Declarações desse tipo estão na ordem do dia de dez entre dez advogados de defesa contratados por réus midiáticos. E, verdade seja dita, a noção de que todo acusado tem o direto de defender-se judicialmente é um dos pilares indispensáveis da democracia.

    Mas Donna vai muito além do didatismo jurídico padrão na hora de defender a si e a seu cliente mais célebre. Ela critica abertamente o movimento #MeToo e já lançou declarações altamente controversas.

    “O pêndulo está balançando longe demais numa direção muito sensível, de que homens não podem mais realmente ser homens e mulheres não podem ser realmente mulheres. Eu sinto que que as mulheres podem se arrepender do dia em que tudo isso começou, quando ninguém mais convidá-las para sair, ninguém mais segurar a porta para elas e ninguém mais disser que elas estão bonitas”, disse em entrevista a Vanity Fair.

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