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Diego Lima: “Alunos que estavam na marginalidade, hoje estão na escola”

O diretor Diego Mahfouz Faria Lima se uniu à comunidade, enfrentou a violência e fez da escola um lugar de aprender e exercitar a cidadania

Por Gabriela Abreu (colaboradora) Atualizado em 28 out 2016, 20h36 - Publicado em 6 jan 2016, 16h27

Em dezembro de 2013, ao entrar na escola que acabara de assumir, o diretor Diego Mahfouz Faria Lima se deparou com um cenário sombrio: paredes marcadas pelo fogo, janelas sem vidros e banheiros quebrados. O desafio era transformar a Escola Municipal Darcy Ribeiro, de São José do Rio Preto (SP), com o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da região, em referência de qualidade. Sua primeira atitude foi andar pelo bairro ouvindo moradores. “Queria saber o que a escola representava para todos”, diz o pedagogo. A conversa se estendeu aos funcionários. “Eles não se consideravam educadores e estavam cansados da violência registrada na instituição.” Não era incomum a presença do tráfico na rotina ali. Também estava claro que as punições adotadas não funcionavam. Toda semana, 60 alunos eram suspensos. Muitos desistiam de estudar, e a evasão naquele ano chegara a 202 estudantes do ensino fundamental. “Resolvi que os alunos começariam o ano de um jeito diferente”, conta.

Diego, então, pediu tintas a diretores de outras escolas para pintar o prédio. A notícia se espalhou, o material foi obtido e a reforma contou com servidores da instituição e pais. No primeiro dia de aula, um vídeo mostrava, no pátio, a nova fachada e as salas com cortinas. Mesmo com a renovação, no dia seguinte alunos berravam a palavra “rebelião”, que também estava escrita na placa que carregavam. “Sentei com todos e percebi que queriam ser ouvidos”, lembra. As reivindicações eram pertinentes. Diego teve a ideia de criar uma representação para organizar a atuação dos adolescentes e propôs montar um grêmio estudantil. Além disso, assembleias semanais passaram a ser realizadas às sexta-feiras, quando o índice de faltas era alto. Os estudantes decidem a pauta das discussões. “Eles mesmos concluíram que o celular atrapalhava o aprendizado e votaram pela proibição em sala.” O aparelho só é usado no recreio ou para a comunicação com os professores, que, por WhatsApp, dão orientações sobre tarefas, por exemplo.

A lista de atividades é enorme e elas se estendem a moradores que vão ao local nos fins de semana para ouvir a Camerata Jovem Beethoven da cidade, que ensaia e se apresenta ali. Cada professor tornou-se tutor de uma turma e ajuda a resolver problemas que vão surgindo. “Alunos que estavam na marginalidade, hoje estão na escola”. A maior participação atrai muitos. O projeto de Diego, intitulado Minha Escola: Reconstrução Coletiva, rendeu a ele o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

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