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“Dá para eliminar preconceitos de uma sociedade com o humor”

Vencedora do Prêmio CLAUDIA 2011, Daniela Biancardi fala de seu trabalho como palhaça e da experiência em regiões de situação de risco e miséria

Por Carolina Scatolino 22 ago 2017, 18h40

Daniela Biancardi é uma graça só. A paulistana, vencedora do Prêmio CLAUDIA 2011 na categoria Cultura é palhaça profissional. Sua missão é arrancar gargalhadas – ou, no mínimo, sorrisos – mundo afora.

Ela é a primeira brasileira a entrar para a ong internacional Palhaços Sem Fronteiras, que faz apresentações a crianças em condições extremas, que vivem em regiões onde há guerra, miséria e epidemias.

Confira abaixo momentos do bate papo com a editora de CLAUDIA Liliane Prata, no Live gravado ao vivo e que foi ao ar em nossa página no Facebook na última sexta-feira (18).

 Nasce uma palhaça

Daniela começou a vida nos palcos ainda menina, incentivada pela mãe a participar de um curso de teatro: “Minha mãe foi fundamental no meu percurso, porque ela é uma mulher que atravessa fronteiras”, afirmou. Ela ainda contou um fato curioso sobre o início de sua carreira.

Na tentativa de encenar tragédias, acabava provocando o riso dos colegas de ensaio: “As pessoas riam muito de mim nas improvisações e eu ficava muito ofendida”, contou. “Depois fui me conscientizando, meu corpo foi amadurecendo… Até que realmente me tornei palhaça”.

Riso para todos

Na entrevista, a artista contou sobre sua experiência como integrante da trupe irlandesa Palhaços Sem Fronteiras. Em uma das expedições, ela passou setenta dias na África do Sul e em Lesoto, um reinado africano.

Na ocasião, chocou-se com o que viu, sobretudo no segundo país, assolado pela epidemia de Aids. “Vi uma das coisas que mais me tocaram: crianças órfãs, aldeias inteiras de crianças órfãs de pais”, lamentou a palhaça.”É delicado. A criança não ri, não brinca”.

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O papel do humor

“Dá para eliminar preconceitos de uma sociedade com o humor”, avaliou a artista. Ela citou humoristas brasileiros conhecidos em usar o riso para fazer duras críticas à sociedade, como Millôr Fernandes, Jô Soares, e Chico Anysio. Grande Otelo também foi mencionado pela atriz como um dos grandes comediantes do nosso país. E defendeu que é preciso estudar e encarar a comédia como uma profissão: “Uma coisa é você ser risível, outra coisa é você se profissionalizar”.

O impacto do Prêmio CLAUDIA

“O Prêmio CLAUDIA é uma coisa muito especial. Eu chorei no palco”, contou Daniela. Segundo ela, a premiação tem também um valor simbólico, já que CLAUDIA faz parte da história das mulheres de sua família.

“Minha mãe, minhas tias, minha avó compravam. E, aí, você fazer parte, simbolizar isso, é uma forma de multiplicar saber, de ampliar a dimensão crítica. É significativo e, para mim, mudou muita coisa. Eu nunca recebi um Prêmio dessa dimensão”.

O Prêmio também trouxe novas amizades. O estilista Fause Haten, que estava presente na cerimônia de entrega, procurou Daniela ao fim da premiação, interessado em ter aulas com ela. Acabaram tornando-se grandes amigos.

Quer assistir a entrevista completa? É só dar play:

 

 

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