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Governo chinês proíbe crianças e adolescentes de jogar online durante a semana

A restrição reflete a pressão que a China sofre para banir o que o Partido Comunista Chinês chama de "influências culturais prejudiciais à saúde"

Por Da Redação 30 ago 2021, 18h56

As novas regras do governo da China estabelecem que os limites em relação ao tempo em que menores de idade podem jogar online ficaram mais rígidas. Nos dias escolares, crianças e adolescentes chineses ficam proibidos de jogar na internet. Já nos finais de semana e feriados, o tempo se limita a uma hora.

As regras, divulgadas pela National Press and Publication Administration, aumentaram as restrições em 2019 por conta do aumento do vício em jogos online entre os jovens em idade escolar. De acordo com as regras antigas, jogadores com menos de 18 anos estavam limitados a 90 minutos por semana e três horas por dia nos finais de semana.

Segundo o governo chinês, os pais afirmavam que essa determinação era generosa demais e havia sido mal aplicada. A nova regra divulgada determina também que a hora de jogo permitida é das 20h às 21h de sexta, sábado e domingo. As autoridades garantiram que as inspeções serão intensificaram para garantir o cumprimento das restrições.

criança sorrindo
As novas regras buscam diminuir as influências prejudiciais à saúde dos jogos Images By Tang Ming Tung/Getty Images

“Recentemente, muitos pais relataram que o vício em jogos entre alguns jovens e crianças está prejudicando seriamente seu estudo normal, vida e saúde mental e física”, afirmou o governo na explicação publicada sobre as novas regras. Segundo eles, os pais exigiram “mais restrições e reduções no tempo fornecido para menores pelos serviços de jogos online”.

A restrição reflete a pressão que a China sofre para banir o que o Partido Comunista Chinês chama de “influências culturais prejudiciais à saúde”, principalmente entre os jovens. “Alguns adolescentes simplesmente não dão ouvidos à disciplina de seus pais, e essa política pode controlá-los”, afirmou Lily Feng, funcionária de uma empresa em Shenzhen, no sul da China.

Em entrevista ao The New York Times, ela afirmou que sua filha, de 10 anos, não está tão interessada em jogos online quanto em Douying (o aplicativo chinês equivalente ao TikTok), mas acredita que os limites são um bom exemplo.

O Centro de Ajuda e Pesquisa Legal para Crianças de Pequim divulgou um relatório, financiado pelo governo, que mostra a insatisfação dos pais porque as crianças encontravam novas maneiras de ultrapassar os limites de tempo. O relatório aponta que muitos pais “relataram que seus filhos tiveram grandes mudanças em seu temperamento e personalidade depois de se tornarem viciados em jogos, como se tivessem se tornado outra pessoa”.

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