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CLAUDIA Talks reúne mulheres inspiradoras no Rio de Janeiro

As finalistas do Prêmio CLAUDIA 2017 compartilharam suas vivências e emocionaram o público do evento. Assista às apresentações.

Por Camila Bahia Braga 31 ago 2017, 19h26

“Com a força de meu povo, coloquei o pé na estrada. Caminhando dia e noite, caminhando noite e dia, em longa jornada”. Este é o canto de Cacique Pequena, 72 anos, líder do povo Jenipapo-Kanindé, do Ceará. Foram diversas as caminhadas que pudemos conhecer durante o CLAUDIA Talks, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (31) no Hotel Emiliano, em Copacabana, no Rio de Janeiro, com apresentações de nove finalistas do Prêmio CLAUDIA 2017.

Fernanda Honorato, 36 anos, sonha em se casar e participar de uma novela. Ela já foi ao programa do Jô Soares, da Fátima Bernardes… mas o que mais interessa a ela é ter entrevistado Maria Bethânia e Chico Buarque, artistas que são seletivos quanto a jornalistas. Afinal, Fernanda é a primeira repórter com síndrome de Down do Brasil. Sobre preconceito, ela é direta: “Eu nem ligo, disfarço. As pessoas com síndrome de Down devem ser respeitadas no mercado de trabalho”, defende a jovem finalista na categoria Trabalho Social.

As outras duas finalistas da categoria, Gina Ponte, 45 anos, e Karine Vieira, 35 anos, também se apresentaram. “A melhor forma de me definir é dizendo que eu sou filha da Dona Djanira e do Seu Moisés”, começou Gina. Ele, vendedor ambulante que não teve acesso a nenhum estudo; ela, trabalhadora doméstica que estudou até a quarta série. Ambos fizeram de tudo para que Gina pudesse estudar e, enfrentando todas as contrariedades, assim ela o fez. A educação é seu superpoder e Gina o aplica como professora, inovando em métodos para de fato se comunicar com os alunos e envolvê-los no processo de formação.

Karine é assistente social e falou em nome dos egressos dos sistemas penitenciários, como ela. Ela trabalha voluntariamente para conscientizar a sociedade e as empresas sobre a importância de abrir portas e braços: “A minha experiência fez com que eu tivesse vontade de auxiliar outras pessoas a mudarem suas vidas também. Eu acredito na transformação do ser humano, que podemos fazer novas escolhas, e para isso é preciso dar oportunidade”.

As finalistas da categoria Consultora Natura Inspiradora Eufrásia Agizzio, 55 anos, Lucimara de Lima, 48 anos, e Joelma Nunes, 43 anos, também compartilharam suas histórias. Eufrásia é mãe do Vitor, que recebeu o diagnóstico de autismo antes de completar 2 anos de idade. Desde então, ela luta pelo respeito e inclusão dos autistas, na sociedade como um todo e nas escolas regulares. “As escolas dificultam muito, existe muita desinformação, falta de conhecimento. Mas o que eu consegui para o Vitor [ser matriculado em escolar regular] nós lutamos para que seja direito de todos“, declarou a finalista.

Lucimara transforma a vida dos seus alunos ao envolvê-los com a educação e ação ambiental. Eles constroem brinquedos e ambientes com materiais recicláveis, fazem hortas e reformas: “O meu sonho é ter uma escola pública de qualidade, em que o aluno seja o protagonista, e estou trabalhando para isso”.

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Joelma veio do Pará para falar sobre a Cooprima, cooperativa que fundou para empoderar as famílias agricultoras. Ela já colaborou para que famílias conseguissem o título de suas terras, além de incentivar conhecimentos técnicos e lutar para uma agricultura com menos agrotóxicos e mais dignidade. “Diziam que a cooperativa não ia funcionar, que não ia para a frente. Não acreditavam. Mas ela está de pé e temos muito orgulho”, disse Joelma, fazendo o convite para que todos conheçam a Cooprima.

Na categoria Cultura, pudemos ouvir Karen Worcman, 55 anos, sobre o Museu da Pessoa, que possui milhares de depoimentos de vida de pessoas de diferentes países e pensamentos, criado por ela. “Estamos desaprendendo a ouvir. Precisamos dos nossos ouvidos, pela nossa memória oral, para sabermos quem somos, de onde vimos e para onde vamos”, lembrou Karen.

Já a escritora Conceição Evaristo, 70 anos, nos presenteou com sua literatura, sua escrevivência: a escrita que vem da subjetividade, do longo e admirável caminho percorrido com luta e arte. “A minha potencialidade para a escrita veio do fato de ter crescido ouvindo muitas histórias. Venho de família mineira que sempre cultivou as tradições africanas, e eu alimento isso”, contou Conceição.

A Cacique Pequena, por fim, nos lembrou que sua pequenez só está no nome: ela é líder de um povo, mas se dispõe a defender toda a humanidade. Afinal, somos todos filhos e filhas do mesmo Tupã: “Se eu nasci para ser uma guerreira, que o Senhor me dê força para ir até o fim”.

Conheça todas as finalistas do Prêmio CLAUDIA e vote nas suas favoritas!

O evento foi inteiramente transmitido ao vivo pelo Facebook de CLAUDIA, e você pode assistir as apresentações no vídeo abaixo.

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