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Cirque du Soleil: como é a vida pessoal das artistas de ‘Amaluna’

Primeiro espetáculo da companhia com presença majoritariamente feminina chega ao Brasil. Conheça a história de algumas mulheres incríveis do elenco

Por Clara Novais Atualizado em 25 set 2017, 13h54 - Publicado em 25 set 2017, 13h43

Do alto da tenda de circo, desce um corpo de mulher apoiado em um aro para acrobacia aérea. Ela parece flutuar, rodando no ar. A leveza com que se movimenta é tamanha que hipnotiza. Ninguém nem enxerga mais a corda que sustenta o aro. Ali, a artista canta e dá um show de flexibilidade e coragem. Chega a  sustentar o corpo apenas com a cabeça.

Quem vê a canadense Marie-Michelle Faber, 39 anos, em sua principal cena no espetáculo Amaluna, da companhia internacional Cirque du Soleil, não imagina que ela teve de redescobrir suas habilidades motoras após dar à luz Asa, sua única filha, hoje com quase 4 anos.

“Pela primeira vez, precisei raciocinar como faria para erguer minhas pernas”, conta Marie-Michelle, que tem um relacionamento de oito anos com o engenheiro de som Matthew Steuart, colega na companhia, onde atua desde 1998. “Como eu comecei na ginástica aos 5 anos, o movimento das pernas antes vinha de forma automática”, explica em conversa com a reportagem de CLAUDIA, que passou uma tarde na tenda de treinamento do Cirque du Soleil, durante temporada de Amaluna no Paraguai.

É a primeira montagem do circo canadense com elenco majoritariamente feminino, além da banda composta só de mulheres. Amaluna é um tributo à força feminina. O enredo é focado na passagem para a vida adulta de Miranda, filha de Próspera, rainha e xamã da ilha que dá nome ao espetáculo. A matriarca usa seus poderes mágicos para influenciar o curso dos acontecimentos na vida da menina, que acaba de se apaixonar pela primeira vez.

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“Queria criar um show em que as mulheres fossem o centro das atenções, algo que tivesse uma história escondida mostrando heroínas”, diz a diretora Diane Paulus. A montagem estreia em São Paulo no dia 5 de outubro, no Parque Villa-Lobos, e dia 28 de dezembro no Rio de Janeiro, no Parque Olímpico. 

Em seu terceiro espetáculo no circo canadense, a brasileira Gabriella Argento, 42 anos, considera um divisor de águas no mercado internacional o fato de uma companhia do tamanho do Cirque du Soleil dirigir os holofotes para uma temática feminina. “É o resultado de uma luta de séculos. Tenho muito orgulho de trabalhar nesse show por isso.”

Em seu terceiro espetáculo do Cirque du Soleil, a palhaça brasileira Gabriella Argento orgulha-se de participar de uma montagem centrada na força feminina. O trabalho tornou mais difícil manter namoros longos. Mas ela não lamenta. “Minha carreira vem em primeiro lugar” Bianca Tatamiya/Divulgação

Gabriella é palhaça há 25 anos e, desde 2004, intercala temporadas vivendo no Brasil com turnês do Cirque du Soleil pelo mundo, já que o contrato dos artistas é sempre por trabalho. Quando ingressou pela primeira vez no elenco de uma montagem da companhia, ela estava em processo de divórcio e, desde então, nunca mais teve um relacionamento amoroso longo.

“É sempre a mesma história. Eles dizem: ‘Volta para o Brasil, vamos ter filhinhos’. Respondo: ‘Você faltou na primeira aula sobre mim, respeite quem eu sou, não quero ter filhos nem me casar. Minha carreira vem em primeiro lugar’”, conta a palhaça. Um parceiro já chegou a acompanhá-la em turnê, mas Gabriella confessa que não faz nenhuma questão. “Eu lido bem com a distância; eles é que acham ruim. Sou um lobo solitário, gosto de ficar sozinha.”

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O Cirque du Soleil permite a todos os artistas viajar com um acompanhante e até dá suporte para isso – ajudando nos pedidos de visto, por exemplo. Como os integrantes do elenco costumam ficar em quartos individuais nos hotéis, a única exigência é que dividam o espaço com quem estão levando.

A cantora e violoncelista americana Amanda Zidow, 38 anos, que vive a rainha Próspera, aproveita o benefício para levar o marido nas viagens quando ele mesmo não está em turnê como palhaço. Juntos há cinco anos, mas casados há apenas um, eles se conheceram quando trabalharam no espetáculo Iris. “Como agora ele está em cartaz na Escócia, me sinto um pouco solitária, mas tenho uma família incrível no Amaluna”, afirma.

Em seu tempo livre, a violoncelista gosta de explorar com os colegas as cidades onde se apresentam e as redondezas. “Aqui na América Latina, temos feito atividades ao ar livre, como escaladas e caminhadas a cachoeiras.”

A cantora e violoncelista americana Amanda Zidow se prepara para subir aos palcos Bianca Tatamiya/Divulgação

A ginasta britânica Marissa King, 26 anos, também considera um bônus e tanto a oportunidade de explorar lugares inéditos que as turnês proporcionam aos integrantes. Como permanecem por um período de quatro a seis semanas na mesma cidade, é possível até viver um pouco do estilo de vida das pessoas do local. “Trabalhar fazendo o que você ama e poder explorar o mundo ao mesmo tempo é fenomenal.”

Embora ame os passeios, Marissa ressalta a necessidade dos momentos de descanso. Afinal, os artistas fazem de oito a dez apresentações por semana. “Ficamos fisicamente esgotados e precisamos nos recuperar para a próxima semana de shows.”

Segunda-feira é o dia oficial de folga de toda a equipe. Durante uma turnê, sempre que trocam de cidade, os artistas ganham dez dias livres antes de as apresentações recomeçarem. Enquanto a equipe técnica transporta e prepara a infraestrutura do Cirque du Soleil no novo local, só resta ao elenco esperar – e fazer o que quiser nesse tempo.

A baixista canadense Casandra Faulconer, 44 anos, costuma aproveitar esses intervalos para ir a Nova Orleans, cidade americana que considera seu lar. “Sinto saudade de dormir na minha cama e estar com meus amigos, uma comunidade de músicos que tenho por lá”, diz.

A baixista canadense Casandra Faulconer tem tatuagem falsa aplicada para integrar a banda feminina de ‘Amaluna’ Bianca Tatamiya/Divulgação

Já Marie-Michelle, acrobata que flutua no espetáculo, aproveita as pausas prolongadas para fazer passeios interessantes com a filha na nova cidade. “Vamos a parques e lugares onde ela possa realmente ter bons momentos e interagir com crianças da idade dela.”

Com histórias tão distintas, todas essas mulheres se tornam habitantes da Ilha Amaluna quando estão no palco. “Não existe outro espetáculo que dê tanto destaque à mulher. Acredito que este é o momento para algo assim”, celebra a baixista Casandra.

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