Boko Haram: grupo usa meninas-bomba para realizar massacre na Nigéria. Entenda o caso

Saiba o que move o grupo terrorista islâmico a acabar com a vida de muitos nigerianos. As principais vítimas são as mulheres.

Estima-se que mais de 2000 pessoas morreram na cidade de Baga, na Nigéria, só no começo deste ano. Na sexta-feira (9), a Anistia Internacional divulgou um comunicado sobre este ataque do grupo Boko Haram, que seria o maior e mais mortal desde o seu surgimento, em 2009. O número exato ainda não pode ser calculado, uma vez que ainda não é considerado seguro ir ao local para contar ou recolher os corpos. A Organização de Defensa dos Direitos Humanos divulgou o relato de uma testemunha do massacre, que contou, entre outras, barbaridades, ver uma mulher ser morta durante o trabalho de parto.

O grupo usou meninas entre 10 e 15 anos para cometer ataques terroristas. Uma garota de apenas dez anos, que tinha explosivos amarrados em seu corpo, matou cerca de 20 pessoas no sábado (10), na cidade de Maiduguri, no nordeste da Nigéria. Outros dois ataques, também envolvendo meninas com bombas, também já foram noticiados.

Quem são os assassinos?

O Boko Haram é um grupo de radicais nigerianos que nasceu de uma seita que quer estabelecer a lei Islã no país. Além disso, condenam a educação ocidental e são contra mulheres frequentarem a escola. A crença acredita que a “educação do ocidente é um pecado”, e eles veem nesse estilo de vida uma ameaça à ordem que acreditam ser natural. 

Por que a educação feminina é ofensiva para esses grupos?

Essa visão de poder que os homens têm sobre as mulheres reflete no acesso à educação delas, principalmente nos países em situação de conflito. Por representar certa emancipação da mulher, a escola passa a ser um ambiente condenado por extremistas e, por consequência, um lugar perigoso a quem os desafia.

#BringBackOurGirls

Ano passado, o grupo teve como alvo uma escola de meninas. Eles raptaram mais de 200 estudantes entre 15 e 18 anos e desapareceram com elas. Personalidades como Michelle Obama e a ativista Malala Yousafzai publicaram mensagens de apoio às meninas com a hashtag #bringbackourgirls, causando grande repercussão nas redes sociais. Relembre o caso

Por que a notícia não teve repercussão antes?

A ação do grupo, que começou no dia 3, aconteceu em um lugar onde, segundo o jornal britânico “The Guardian”, praticamente não existe acesso à internet e jornalistas dificilmente estão presentes por medo. As informações costumam demorar para serem transmitidas, e muitas vezes só chegam à imprensa graças aos relatos imprecisos de sobreviventes. 

 

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Divulgação (/)

Imagens de satélite revelam como estão as cidades de Baga e Doron Baga após o massacre de mais de 2 mil pessoas. As áreas em vermelho mostram edifícios e árvores em cidades densamente povoadas no norte do país. Já as fotos capturadas após o massacre mostram que os pontos vermelhos foram simplesmente dizimados, deixando apenas áreas cinzas, arruinadas pelos radicais islâmicos.

 

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Reprodução Instagram (/)

A cantora Madonna também mostrou-se solidária às vítimas do ataque nas redes sociais.

“Cada novo crime cometido pelo Boko Haram excede o último em brutalidade. Esta é uma consequência direta do ambiente de total impunidade em que o Boko Haram opera. Toda vez que eles saem impunes de assassinato em massa, estupro e escravização de mulheres e crianças, eles são mais encorajados.”, disse a atriz Angelina Jolie, em comunicado ao Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Atualização

Mais de 300 mulheres e crianças sequestradas pelo grupo Boko Haram foram libertadas pelas forças nigerianas. O comunicado é desta quarta-feira (28/10). Segundo a nota, as operações aconteceram na terça-feira, na região florestal de Sambisa. No entanto, não fica claro se entre as pessoas resgatadas estão as estudantes sequestradas no início do ano passado.

O Exército da Nigéria tem reivindicado nos últimos meses várias vitórias contra o Boko Haram. A revolta, que acontece desde 2009, já causou a morte de pelo menos 17 mil pessoas e obrigou mais de 2,5 milhões a abandonar suas casas.