Arábia Saudita inaugura Conselho Feminino, mas sem nenhuma mulher

A ideia de um conselho para mulheres pode parecer progressista para um país tão desigual na questão de gêneros, porém, a cultura machista continua forte

Em fevereiro de 2017, a Arábia Saudita mostrava ao mundo um avanço, ainda que pequeno, na luta contra a desigualdade de gêneros ao nomear para presidente da Bolsa de Valores a economista Sara al Suhaimi. Ela é a 1ª mulher a ocupar o cargo desde a criação, em 2007, da instituição.

No entanto, esta semana, ao anunciar a nova iniciativa do país, o Conselho Feminino da província de al-Qassim, eles negligenciaram a presença e participação de pessoas importantes: as próprias mulheres. Segundo a BBC, elas aparentemente estavam em outra sala, conectadas à inauguração por meio de vídeo.

As imagens, que não mostram sequer uma mulher, mas, sim, treze homens, estão sendo compartilhadas nas redes sociais desde sábado, dia em que o evento ocorreu.

 (Reprodução/Reprodução)

O príncipe Faisal bin Mishal bin Saud, governador da província, comandou a inauguração e, de acordo com a reportagem da BBC, estava orgulhoso da reunião, que foi uma das primeiras do gênero no país. O Conselho Feminino é presidido pela princesa Abir bint Salman, sua esposa, que não estava na fotografia. Isso se dá por uma política estatal de segregação de gêneros entre mulheres e homens não relacionados aplicada rigorosamente na Arábia Saudita.

Ainda assim, existe uma esperança. O país tem um programa denominado Vision 2030, o qual tem como um objetivo, dentre outros, aumentar a participação das mulheres na força de trabalho. Atualmente,  a porcentagem de mulheres no mercado é 22%, mas a meta é chegar aos 30%. Isso significa uma pequena abertura nas estritas leis da Arábia Saudita e pode representar o início de uma mudança interessante no país.

COMPARAÇÃO

 

(SAUL LOEB/AFP/Getty Images)

(SAUL LOEB/AFP/Getty Images) (SAUL LOEB/AFP/GETTY IMAGES/Reprodução)

A foto do Conselho foi comparada a outro viral da internet: o registro do momento em que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, assinava a proibição do envio de dinheiro para grupos e organizações internacionais que realizam abortos ou fornecem informações sobre o procedimento. Uma decisão que diz respeito à vida das mulheres, mas, ao redor dele, também só havia homens.

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