Agora, apps de terapia têm mais liberdade para atendimentos

Nova norma do Conselho Federal de Psicologia amplia as possibilidades de atendimento psicológico à distância

A partir desta quarta (14) passa a vigorar uma nova norma do Conselho Federal de Psicologia que amplia as possibilidades de atendimento psicológico online. Agora, entre outras mudanças, psicólogos podem atender sem limite de sessões (antes eram apenas vinte para cada paciente). A medida foi implementada através da Resolução CFP nº 11/2018.

A determinação atende a uma antiga demanda de pacientes que buscam por esse tipo de atendimento e de empresas que prestam o serviço. Para se ter ideia, a regulamentação começou a ser discutida em 2005, quando surgiram sites de psicólogos. Com o novo documento, plataformas passam a ter mais liberdade para realizar as consultas à distância.

É o caso da FalaFreud, startup dos sócios Yonathan Yuri Faber e Renan Pupin. A iniciativa começou a funcionar em 2016 após Faber ter feito algumas sessões via WhatsApp com sua psicóloga. “Depois de um mês de troca de mensagens, tive uma luz: as pessoas pagariam por isso”, afirmou à CLAUDIA.

Entraves 

A partir daí, ele começou a testar modos de operação. Outros profissionais do ramo, no entanto, passaram a denunciar a empresa ao Conselho Federal de Psicologia. Entre as reclamações estavam a de que Faber conectava pacientes a psicólogos, o que era vetado pelo órgão. “Passamos a chamá-los então de terapeutas.” Com a nova medida, isso não é mais preciso.  

De acordo com o empresário, cerca de 7 000 psicólogos se cadastraram para começar a trabalhar na plataforma, mas a grande maioria não atende aos requisitos exigidos pela FalaFreud. Eles devem passar por triagem e treinamento antes de iniciar os atendimentos. Hoje, apenas 150 profissionais estão aptos a realizar as consultas. “A maioria dos usuários é mulher e tem entre 25 e 45 anos”, afirma.

O fundador do FalaFreud, Yonathan Yuri Faber

O fundador do FalaFreud, Yonathan Yuri Faber (Divulgação/CLAUDIA)

Para começar a usar o aplicativo, o paciente se cadastra e responde a um teste. A partir das respostas, a Inteligência Artificial procura por um profissional que combine com o perfil do novo usuário. Na sequência, ele pode ser encaminhado para duas versões de planos. Uma combina chat e áudio e custa R$ 159,99 por mês (se o usuário quiser fazer uma chamada em vídeo, ele paga outros R$ 80,00). A outra versão é a de video-chamada, que custa R$ 99,99 na primeira sessão e entre R$ 90,00 e R$ 99, 99 mensais de acordo com o número de atendimentos.

Para Marcelo Ferreira Schiavo, colaborador do Núcleo de Comunicação do Conselho Regional de Psicologia, as pessoas já consumiam esse tipo de serviço de escuta individual. Um exemplo é o Centro de Valorização da Vida (CVV) e fóruns na internet. “É uma demanda do nosso tempo, mas deve haver embasamento e princípios éticos que regulem a atividade da psicologia”, diz.  

Apesar da flexibilização, ainda há proibições para os atendimentos à distância, como situações de emergência, desastres, violação de direitos e violência, “devendo a prestação desse tipo de serviço ser executado por profissionais e equipes de forma presencial”, afirma a resolução.

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