Após mãe matar o pai, irmãos ficarão 10 mil km distantes um do outro

Os avós paternos, que moram no Reino Unido, pretendiam buscar os dois netos, mas um deles terá que ficar na China com a família materna

O casal britânico Ian e Linda Simpson, de Suffolk, na Inglaterra, pretendia que os netos Jack, 8 anos, e Alice, 6, mudassem para morar com eles depois que seu filho Michael foi morto pela esposa em 2017, aos 34 anos. Depois de uma batalha legal que se estendeu desde a morte do filho, os avós poderão levar a neta para o Reino Unido, deixando o pequeno Jack com a família materna na China, a cerca de 10 mil quilômetros de distância.   

Além disso, Ian e Linda terão que pagar cerca de 10 mil libras para a família chinesa, como compensação financeira. A decisão foi anunciada na semana passada. Segundo eles, o objetivo não era que as crianças vivessem separadas, mas que a Justiça chinesa não lhes deu opções. “A família nos deixou ver as crianças uma vez em 21 meses”, disse Ian em entrevista à BBC, queixando-se de que não conseguia se comunicar com os netos. 

Michael foi assassinado em seu apartamento em Xangai, na China, em março de 2017 por Wiwei Fu, mãe das crianças. Eles haviam se conhecido quando o homem se mudou para a cidade a trabalho, casando-se e gerando as duas crianças.

O casal morava em casas separadas e passava por um processo de divórcio quando, após uma discussão, Michael foi esfaqueado. Desde o incidente, Jack e Alice vivem com os avós maternos em Nanzhang, no noroeste da China. A família britânica teme que Jack se esqueça do pai, já que seus avós chineses não falam sobre o que aconteceu com ele aos netos, conforme disse em entrevista Ian Simpson. 

Há quase dois anos, a família britânica tenta selar um acordo para buscar as crianças, tendo oferecido dinheiro e uma espécie de perdão em juízo que reduziria a pena de Wiwei, mas as propostas foram insuficientes para se chegar a um consenso. A mãe das crianças cumpre pena de prisão perpétua pelo homicídio.