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Ação de universitárias denuncia declarações machistas e assédio vindos de professores

"Seu trabalho tá ruim, você podia pelo menos ter vindo com uma saia curta." Era uma das frases impressas em papel colorido, expostas nas duas portas de entrada, saguão, sala dos professores e pelas escadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na manhã desta terça-feira (26), na capital paulista.

Por Débora Stevaux (colaboradora) Atualizado em 28 out 2016, 02h37 - Publicado em 26 abr 2016, 18h41

“Seu trabalho tá ruim, você podia pelo menos ter vindo com uma saia curta.” Era uma das frases impressas em papel colorido, expostas nas duas portas de entrada, saguão, sala dos professores e pelas escadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na manhã desta terça-feira (26), na capital paulista.

Reprodução/Facebook
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A intervenção foi de autoria do Coletivo Feminista Zaha, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da universidade e pasme: todas as declarações machistas foram feitas por membros do corpo docente do curso em sala de aula, compiladas pelas estudantes e confirmadas por pelo menos duas testemunhas. A identidade das vítimas foi mantida em sigilo. Na postagem feita na página do Facebook, um desabafo: “Deixamos que as paredes do prédio falassem por nós o que silenciamos por tanto tempo”. 

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Para Fernanda Corsini, estudante de arquitetura na instituição e uma das fundadoras do coletivo, a campanha busca fomentar atitudes parecidas por parte das alunas de outras áreas: “Quando a gente mostra que não vamos deixar passar em branco, outras meninas que não se sentiam à vontade para expor algo, passam a repensar o quão necessária é a denúncia, o que passa a ser uma forma de empoderamento.” 

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Fernanda e sua colega de curso Lela Brandão viram a necessidade da criação de um espaço destinado às discussões sobre o universo feminino, depois do episódio relacionado ao professor Paulo Giaquinto, responsável por lecionar a disciplina de urbanismo, ocorrido em março de 2015. Durante uma de suas aulas, o arquiteto comentou, em tom de deboche, sobre o caso do médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por ter abusado sexualmente e atentado contra o pudor de 56 pacientes, no ano de 2010. Uma queixa foi encaminhada à ouvidoria da instituição, subscrita por 39 estudantes. O docente apenas foi advertido e formalizou um pedido de desculpas. 

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Num curso predominantemente ministrado por homens e com maioria feminina de matrículas, o diretor Valter Caldana deixou claro aos alunos sobre a necessidade de debates mais frequentes sobre gênero no meio acadêmico. Fernanda e Lela serão as representantes da organização nas palestras temáticas. A assessoria da universidade declarou que: “No seio desta questão, a escola informa que está organizando um seminário Gênero e Preconceito, que será realizado ainda no mês de maio. O  Mackenzie orgulha-se por formar cidadãos críticos e atuantes, que discutem os problemas do dia a dia da sociedade.”

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Fernanda deixou claro o foco da ação interna #EsseÉoMeuProfessor, que já contabiliza mil e trezentas curtidas, e mais de 350 compartilhamentos nas redes: “Queremos conquistar o nosso espaço no mundo acadêmico e profissional, porque ainda não temos, já que os nossos próprios professores duvidam da nossa capacidade pelo simples fato de sermos mulheres.” 

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