“A olimpíada parecia uma festa de Réveillon, só que com três semanas de duração”

Nossa colunista Mônica Martelli conta como foi vivenciar as olimpíadas no Rio de Janeiro.

Quando alguém dá uma festa na sua casa, você se sente na obrigação de participar – e de tentar se divertir um pouquinho, mesmo que não seja lá sua vontade no começo. Eu moro no Rio de Janeiro e, com a Olimpíada, a sensação era mais ou menos essa durante todo o mês passado. Além dos jogos, rolaram festas e eventos culturais dos países participantes… Foi um verdadeiro desespero para me manter por dentro de tudo. Com um agravante: quando se está solteira, você acha que o homem da sua vida pode estar de bobeira no meio dessa bagunça. Então, não pode hesitar. 

Por isso que, apesar da agenda de trabalho lotada, me senti pressionada a fazer parte do movimento olímpico. Com amigos, consegui comprar ingressos para a final da ginástica artística, que adoro assistir na TV. A ida para o Parque Olímpico foi maravilhosa. O metrô funcionava perfeitamente bem, assim como o ônibus que nos levou até a arena. Na hora, pensei: “Que bom estar vivendo isso na minha cidade”. Mas, assim que começou a apresentação das meninas, bateu um desespero. Enquanto uma está no solo, outra está na barra, outra na trave e outra no salto, tudo ao mesmo tempo! Você não sabe nem para onde olhar – fora que não tem o replay em câmera lenta que vemos pela televisão, o que é essencial. Concluí logo que ginástica artística é o tipo de esporte que precisa ser visto do sofá de casa. 

Essa experiência não venceria meu espírito olímpico. Saí de lá com meus amigos e fomos direto para a competição da natação. No entanto, a sensação se repetiu: depois do sinal de largada, os atletas se jogam na água e, se você pisca, acabou. Nunca tinha me dado conta de que o resultado de uma prova de 50 metros livres é alcançado em apenas 21 segundos. Novamente, a tecnologia fez falta: “Cadê aquela câmera dentro da água que mostra o melhor dos atletas se movimentando, girando?” Devo ter piscado mesmo, porque não vi nadinha. O que demorou (e isso eu consegui pegar) foi a entrega das medalhas – leva mais tempo do que todas as disputas juntas. Entendi, então, que natação é outro negócio muito melhor de assistir em casa. 

Um jogo! Isso não tinha como ser ruim. E lá foi minha comitiva para o vôlei de praia. Quando chegamos, todo mundo cantava e gritava aos berros. Achei que estava entrando no inferno – definitivamente, não tinha mais idade para aquilo. Poucos minutos depois, porém, havia mudado de ideia e torcia a plenos pulmões. No calor da emoção, seguimos para a Praça Mauá para assistir ao show incrível de Johnny Hooker e Elza Soares. Foi uma noite de alegria. O amor da minha vida, no entanto, não estava por lá dançando, esperando por mim. 

Ainda assim, a sensação era de que a cidade estava vivendo uma festa de Réveillon carioca com três semanas de duração. Foi tão divertido que surgiu uma questão: como se acostumar agora com o Rio pós-Olimpíada? Parece uma longa Quarta-Feira de Cinzas. 

Mas se restou alguma herança dessa folia doméstica foi meu interesse por vários esportes. Até me matriculei num curso de vôlei de praia. Altura para jogar eu tenho, e acredito firmemente que nunca é tarde demais para tentar algo novo. A verdade é que, quando a festa na casa da gente é boa, ficamos verdadeiramente felizes. Ainda bem que agora estamos na Paraolimpíada!