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A força feminina na Amazônia

Elas trabalham na mata tanto quanto os homens e lutam para ter voz na região

Por Bruna Bittencourt Atualizado em 22 out 2016, 19h25 - Publicado em 22 set 2015, 09h05

A luta pela igualdade de gêneros e em defesa dos direitos da mulher certamente não se restringe apenas aos grandes centros urbanos, como tanto se ouve falar. Na região do Médio Juruá, bem no meio da Amazônia, a força feminina é tamanha que impressiona. São elas que cuidam da casa e das crianças, lavam a roupa no rio e se embrenham na mata (tanto quanto os homens) para extrair da floresta o que ela fornece de melhor: frutos e sementes, que rendem não só comida, mas também dinheiro – além disso, servem de matéria prima para cosméticos de grandes empresas, como a Natura. “Às vezes, a mulher trabalha na mata igual ao homem, mas, na hora de tomar as decisões da comunidade, tem menos voz”, desabafa Francisca de Aquino do Carmo, 33 anos. Ela é uma das integrantes da Associação das Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá, grupo feminino que surgiu há pouco mais de 10 anos para trocar informações e fortalecer o papel da mulher na região.

Segundo ela, participam da associação hoje cerca de 100 mulheres – o número não é fixo e costuma variar de reunião em reunião. “Nos encontramos para ensinar umas às outras sobre economia doméstica, os direitos da mulher, como a lei Maria da Penha, e inclusive para fazer cursos, como o de sabonete artesanal, realizado há pouco tempo”, diz. Foi numa dessas reuniões, inclusive, que elas começaram a exigir a presença de pelo menos uma mulher nas reuniões dos líderes da comunidade – em sua grande maioria, homens.  E deu certo. “Eles passaram a dar mais valor para o que a gente pensa.”

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Léa e Dona Terezinha moram na comunidade de Providência, que abriga cerca de sete famílias, também na região do Médio Juruá. Todos os dias, elas fazem a coleta de frutos e sementes da mata, como ucuuba, andiroba, açaí e murumuru. Na foto, Léa segura uma cumbuca com os frutos de murumuru, que tem safra entre janeiro e junho. “Só pegamos os que caem na terra”, fala. Ela explica que, depois de coletados, retiram-se a polpa e eles são levados para secagem, em uma local parecido com uma estufa (processo que demora de dois a três dias). “Quando secos, a casca endurece e a gente quebra, extraindo a semente de dentro”. É dessa semente que vem o óleo de murumuru – endurecido, ele vira uma manteiga, de consistência mais espessa, com grande poder de reconstrução da fibra capilar.

 

 

 

 

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