5 emoções que todos nós já sentimos um dia mas não sabíamos nomear

Os sentimentos não são tão simples como no longa "Divertida Mente", entenda o porquê:

Se você teve a oportunidade de assistir ao delicado Divertida Mente, provavelmente, deva pensar que entende muito melhor o que sente pela personificação das emoções nos personagens do longa, mas as coisas não funcionam exatamente assim. 

Um livro lançado recentemente chamado The Book of Human Emotions (O Livro das Emoções Humanas), de autoria de Tiffany Watt Smith, reuniu o nome e a definição de 154 sensações que todos nós já sentimos algum dia mas não sabíamos ao certo o que era, como “Ilinx” e “Awumbuk”, por exemplo. 

E não é balela ou brincadeira, Tiffany tem muita propriedade para falar sobre o assunto: ela é pesquisadora do Centre for the History of the Emotions na Universidade Queen Mary de Londres, e começou a se debruçar sobre este assunto para conseguir compreender melhor como o nosso lado emotivo funciona.

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 “Esta é a ideia que temos de evolução emocional”, explicou a autora à CNN: “Com tamanho avanço científico nos estudos de imagem cerebral, passamos a tratar dos sentimentos de uma maneira mais física – hoje somos capazes de apontar com exatidão em quais lugares do nosso cérebro eles se desenvolvem e o porquê.”

Precisamente há 3 anos, já havia sido publicado um estudo no qual psicólogos investigavam correlatos neurais, isto é, emoções desencadeadas por nove sentimentos muito fortes e já velhos conhecidos de todos nós como raiva, nojo, inveja, medo, alegria, luxúria, orgulho, tristeza e vergonha.

Na obra de Smith, foram escolhidas palavras de vários lugares do mundo para que a definição de cada sentimento se aproximasse o máximo possível das nomenclaturas. O objetivo principal do livro é aumentar o auto-conhecimento, visto que dar nomes é conhecer, e não é uma tarefa nada fácil batizar o que também faz parte de nós: “É uma ideia antiga de que se você sabe do que se trata, isto o fará menos mal e não tomará conta de você, caso seja algo negativo. Conhecer melhor o que sentimos nos dará armas para administrar melhor as nossas próprias emoções”, completou a autora. 

Confira 5 emoções que você certamente já sentiu mas desconhecia o que era:

1. L’appel du Vide: A expressão de origem francesa traduzida em português remete a algo como “O Chamado do Vazio”, e significa uma súbita vontade que já passou pela cabeça de todas nós, mesmo que em um milésimo de segundo, de por um fim na própria vida – geralmente isso acontece quando estamos apreciando uma linda vista em uma montanha muito alta ou esperando atrás da linha amarela o trem do metrô. É uma ideia muito fugaz, mas que sempre passa pela nossa cabeça em um intervalo de tempo tão pequeno, suficiente para mudarmos de ideia (ainda bem). 

2. Ilinx: Quem nunca em um dia de muito estresse (ou até mesmo num dia normal) não teve vontade de chutar uma lixeira? A expressão também de origem francesa faz menção à nossa vontade inexplicável de destruir ou depredar alguma coisa pelo simples prazer de vê-la destruída. Ou vai me dizer que nunca passou alguns segundos fitando uma lata de lixo e mentalizando naquele objeto todos os seus problemas sendo destruídos? 

3. Pronoia: Este termo deve soar familiar para a maioria das pessoas pois se trata do oposto do que conhecemos por paranóia. A palavra foi cunhada pelo sociólogo Fred Goldner e a definição vai desmanchar o coração de muita gente: significa que independentemente do que aconteça, todos estarão prontos para te ajudar. 

4. Awumbuk: Finalmente um sentimento que compreende a tristeza de ficar sozinho em casa! Este sentimento de desamparo e tristeza que nos toma quando pessoas muito queridas ou agregados vão embora após permanecerem por um tempo significativo na sua casa é super normal para os habitantes de Papua Nova Guiné. Poderia ser traduzido fielmente como a volta melancólica à sua rotina cansativa e solitária. Triste, né?

5. Torschlusspanik: Aos que deixam tudo para depois, nós entendemos como você se sente, e pelo visto, desde a Idade Média, os camponeses também já sabiam. Este “palavrão” alemão significa “pânico de última hora”, e nada mais é que aquela sensação desesperadora de ter que correr para cumprir algum prazo. A expressão que soa como um alerta para que os preguiçosos de plantão se apressem já é velha conhecida desde os tempos medievais, na época em que os camponeses ouviam esta palavra, tinham que correr muito para conseguir chegar à tempo em seus feudos – antes que os portões se fechassem.