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Louca, eu? Lush, ONG Artemis e famosas se unem contra violência doméstica

Marca se une à ONG Artemis para conscientizar sobre a violência doméstica e lançar campanha #tambéméviolência

Por Marina Pedroso Atualizado em 21 jan 2020, 04h22 - Publicado em 30 set 2016, 12h27

Você sabia que 3 em cada 5 mulheres no país sofreram, sofrem ou vão sofrer agressão em um relacionamento afetivo?Considerando este leque imenso, a Artemis, ONG que presta assistência às vítimas, ganhou um importante aliado na luta. Com o apoio da Lush, marca de cosméticos conhecida pelo seu ativismo global, nesta terça-feira (27) foi lançada a campanha #tambéméviolência, que contou com iniciativas organizadas em São Paulo para a divulgação.

Carolina Del Bue
Carolina Del Bue

Durante a tarde, ocorreu o Ato contra a violência doméstica na Praça da Sé, Centro, que reivindicou, em frente ao Tribunal de Justiça e por meio de uma denúncia pública protocolada, o cumprimento da lei de proteção à mulher contra qualquer tipo de agressão – já que tribunais e delegacias não têm reconhecido a legitimidade de depoimentos contra violências psicológica, patrimonial e moral, apesar de serem caracterizadas como violência doméstica pela Lei Maria da Penha.

Carolina Del Bue
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À noite, na loja Lush dos Jardins, foi promovida uma mesa de discussões aberta ao público e com a participação de Alice Bianchini, Doutora em Direito Penal e Integrante do Conselho Especial da Mulher Advogada, Sílvia Chakian, Promotora de Justiça e Raquel Marques, fundadora e presidente da ONG Artemis, além de feministas e ativistas voluntárias.

A atuação da parceria não termina por aí: até o dia 10 de outubro, todo o lucro arrecadado com a venda do sabonete Karma, best-seller de Lush no Brasil e que pode ser encontrado nas lojas físicas e no e-commerce, será revertido para a campanha. Outra forma de apoiar é tirar uma foto com as palavras que mais representam a sua causa e postar com a hashtag #tambéméviolência, como fizeram as voluntárias do shooting oficial abaixo, que incluem Maria Casadevall e Marina Person. “Nosso objetivo é dar voz às mulheres que sabem que são vítimas, mas alcançar também muitas outras que não tem sequer consciência de que sofrem uma violência”, diz Casadevall.

Precisamos falar sobre violência doméstica

Em Junho, centenas de mulheres foram às ruas para protestar contra o machismo de cada dia, mas principalmente em solidariedade à adolescente vítima de um estupro feito por 33 homens no Rio de Janeiro. Semana passada, a internet entrou em polvorosa quando foi divulgada pesquisa da Datafolha que indicava que 1 em cada 3 brasileiros acredita que, em casos de estupro, a culpa é da mulher. Os números pioram: para 30% dos homens que participaram, mulheres que se vestem de forma provocativa não podem reclamar caso sofram abuso.

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O estupro, no entanto, é apenas um dos milhares de problemas enfrentados por nós nos dias de hoje. De acordo com um ranking da ONU Mulheres, o Brasil ocupa a 5ª posição de 84 quando se trata de feminicídio, sendo que a maioria das mortes são causadas pelas mãos do parceiro. É importante entender, no entanto, que há um algoz precedente ao feminicídio que precisa ser enfrentado: “O assassinato da mulher não acontece abruptamente. É o fim de uma sequência de violências que podem começar pequenas, mas crescem gradualmente”, explica Silvia. “E não existe nada que proteja a gente da agressão. Não depende da cor da pele ou classe social”, complementa Raquel.

A gravidade da situação fica ainda mais exposta quando se descobre que muitas mulheres morrem caladas. Segundo análise feita pelo núcleo de gênero do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a brasileira leva, em média, 10 anos para fazer a primeira denúncia de um ciclo de violência. “Alguns fatores influenciam nesse silêncio: temos pouquíssimas delegacias especializadas e nenhuma casa-abrigo. Sem falar na sociedade que cobra provas de um crime que nem sempre tem forma física e ocorre dentro de quatro paredes. Quando essa mulher vai fazer a primeira denúncia, ninguém acredita – e então ela não volta mais”, relata Silvia. “Se a sociedade fosse mais tolerante, esse tempo de denúncia poderia ser menor. “São frases como ‘mulher que apanha e continua no relacionamento é porque gosta de apanhar’, ‘roupa suja se lava dentro de casa’ e ‘briga entre marido e mulher não se mete a colher’ que reforçam o descrédito da vítima”, completa Alice.

Maria da Penha

A Lei Maria da Penha, implementada em nossa Constituição apenas em 2012, defende que qualquer um destes tipos de violência é, sim, um crime legal que prevê punição. “Foi um avanço, mas ainda há um enorme abismo entre o que a lei oferece e o que é aplicado. Ainda mais quando o machismo existe dentro do próprio sistema e é perpetuado pelos próprios agentes que deveriam ajudar as mulheres”, diz Silvia. Outra dificuldade identificada pelas promotoras da mesa é o fato de a população já ter ouvido falar na Lei Maria da Penha, mas não conhecer os tipos de violência aos quais ela deve ser aplicada. “A violência doméstica não é só a física que deixa mancha roxa”, lança Raquel.

De fato, a agressão ramifica-se em diversos tipos: a psicológica, que causa danos à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento e envolve insultos, chantagem, humilhação, manipulação afetiva, privação de liberdade, dentre outros;patrimonial, econômica ou financeira, em que o agressor incide diretamente nos bens da vítima, como instrumentos de trabalho, documentos e objetos; moral, quando envolve calúnia, difamação ou injúria (xingar, acusar de traição e ofensas à dignidade da mulher); física, quando o agressor usa de sua força para causar lesão à vítima, e sexual, que obriga a mulher por força, coerção ou intimidação a ter relações sexuais contra sua vontade.

A campanha #tambéméviolência busca desmistificar justamente isso, assim como a ONG Artemis busca dar assistência emocional e jurídica a todas que baterem à sua porta. Fica aqui o convite para apoiar a causa que, no fundo, deveria ser de todos nós.

 

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