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Fuja para as montanhas: a beleza da Serra da Mantiqueira

Com opções que priorizam a boa gastronomia e o bem-estar, a Serra da Mantiqueira é a região ideal para quem busca a calmaria de um cenário bucólico

Por Marina Marques Atualizado em 10 jun 2022, 12h15 - Publicado em 10 jun 2022, 09h14

Formada por montanhas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a Serra da Mantiqueira oferece atrações plurais. Seus mais de 500 quilômetros de extensão garantem uma viagem recheada de boa gastronomia e relaxamento cercado por araucárias e clima ameno. A seguir, você confere um roteiro com atividades para se reconectar com o essencial e satisfazer os ​​cinco sentidos.

Spa lá no alto

É numa imponente construção em meio ao Triângulo das Serras, região que abrange Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão, que encontra-se o Six Senses Botanique (@sixsensesbotanique), hotel que propõe vivências não só de relaxamento físico, mas de reconexão. Além de passeio a cavalo ou bike e observação de pássaros, o hotel foi pensado para promover experiências de bem-estar completo em seu interior. A piscina é isotônica, o que significa que leva as mesmas quantidades de sal e outros elementos químicos encontrados no corpo humano, criando sensação de equilíbrio.

Spa do hotel Six Senses Botanique, na Serra da Mantiqueira
Spa do hotel Six Senses Botanique, na Serra da Mantiqueira | Foto: Six Senses Botanique,/Divulgação

Os tratamentos variam ao longo do ano, incluindo uma série de terapias inspiradas em rituais ancestrais, elementos xamânicos, energéticos e no sagrado feminino. Um dos grandes atrativos é o Alchemy Bar, laboratório de experiências sensoriais feitas a partir do que é oferecido pela natureza. Por lá, os hóspedes aprendem a fazer seu próprio esfoliante corporal, incenso, vela e hidratantes apenas com produtos orgânicos.

O restaurante Mina, do hotel Six Senses Botanique
O restaurante Mina, do hotel Six Senses Botanique | Foto: Six Senses Botanique/Divulgação

A gastronomia, por sua vez, é comandada pelo chef Gabriel Broide, que traz ao restaurante Mina um cardápio com ingredientes cultivados nos jardins da propriedade, com foco em pratos brasileiros contemporâneos. As refeições são servidas no salão com vista de 180 graus para as montanhas, incluindo um espaço aberto com lareira.

O complexo ocupa uma área de 2,5 milhões de metros quadrados e é o único empreendimento de luxo da rede nas Américas. A expectativa é que ele dobre de tamanho em breve, já que recebeu um investimento de 80 milhões de reais. Após as reformas, a meta dos investidores é que o Six Senses Botanique conquiste o posto de hotel mais luxuoso do país.

Uma das acomodações do hotel Six Senses Botanique
Uma das acomodações do hotel Six Senses Botanique | Foto: Six Senses Botanique/Divulgação

A dona dos sabores

A chamada “Gastronomia da Montanha”, que mescla as tradições paulista, carioca e mineira, é tema de pesquisa há anos da chef Anouk Migotto. No livro Donna Mantiqueira (Editora Boccato), ela reúne 40 receitas e aborda as características da região acerca da sustentabilidade, sacralidade das colheitas, ciclos, agricultura e reconhecimento dos produtores locais.

“A Mantiqueira está na minha veia, é onde tive minhas filhas e ganho meu sustento. O livro representa minha vida e tudo o que aprendi com meus pais sobre a valorização do entorno”, diz a chef. Suas receitas dão protagonismo aos ingredientes, caso de preparos como a caipirinha de ameixa amarela, a alcachofra ao vinagrete e a truta com pinhão da Mantiqueira (abaixo). Esses e outros pratos podem ser provados diretamente de suas panelas no Donna Pinha (@donna_pinha), restaurante em Santo Antônio do Pinhal (SP). Logo na entrada, o espaço traz um minimercado com geleias, café, arroz preto e cachaça artesanal.

Mantiqueira
A truta com pinhão da Mantiqueira é uma das receitas do livro da chef Anouk Divulgação/CLAUDIA

Outro empreendimento de Anouk é a Casa da Chef, que recebe hóspedes em Campos do Jordão com direito a café da manhã preparado por ela. A suíte de decoração acolhedora dá acesso compartilhado à sala de jantar e à hidromassagem no jardim. A hospedagem é encontrada pelas redes sociais, no perfil @casadachefcamposdojordao, e pelo Airbnb. Também dentro da plataforma, a chef disponibiliza a contratação de experiências gastronômicas durante a estadia. Ou seja, uma verdadeira imersão no espaço e nos sabores da Mantiqueira.

Do campo à mesa

Localizado na pousada Figueira da Serra, numa rua tranquila e afastada do centro de Campos do Jordão, o Puriman (@purimanrestaurante) é o destino para provar os sabores originais da Mantiqueira. O menu do chef João Izar vai na contramão do que é proposto na culinária turística da cidade, priorizando sabores locais e incentivando pequenos produtores.

Restaurante Puriman, Campos do Jordão
Salada da horta com granita de beterraba e bagna cauda | Foto: Puriman/Divulgação

O nome da casa é uma homenagem aos Puri, grupo indígena originário dos três estados que formam a região. O espaço propõe um menu degustação sazonal, a exemplo do mignon de cordeiro, servido com pó de suillus, cogumelo facilmente encontrado na área que brota espontaneamente. Em outros pratos, Izar dá sabor com um curry da Mantiqueira, criado com lírio-do-brejo no lugar do gengibre e erva lúcia-lima (o sabor é semelhante ao do capim-santo).

Sobremesa com milho, mel e leite, do menu do Puriman
Sobremesa com milho, mel e leite, do menu do Puriman | Foto: Puriman/Divulgação
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No inverno, o cardápio inclui o pinhão caldoso, aproveitando a safra da semente da araucária entre abril e agosto. O mel utilizado nas sobremesas vem da Mbee (@mbeemel), fazenda em Atibaia (SP). Por lá, ele é definido pelo terroir, e não pela monoflorada. Márcia e Eugênio Basile, fundadores da marca, acreditam na beleza da biodiversidade e fazem o plantio a partir de uma ampla quantidade de flores – o portfólio chega a 14 tipos diferentes feitos por abelhas sem ferrão. Aqui, o terroir da Serra da Mantiqueira é caracterizado pela presença de assa-peixe, eucalipto e flores nativas.

Caminho das videiras

Com um projeto arquitetônico que se mescla ao cenário bucólico do Vale do Baú, em São Bento do Sapucaí (SP), a ​​vinícola Villa Santa Maria (@vinicolavillasantamaria) garante a oportunidade de conhecer mais a fundo a técnica da produção de vinhos e espumantes e, ao mesmo tempo, usufruir de um percurso marcado pela calmaria. Instalada próxima à Pedra do Baú, conjunto de rochas que atrai turistas aventureiros, a propriedade foi construída no início dos anos 2000, numa época em que ​​ninguém ainda havia tentado cultivar uvas do tipo vitis viníferas no município. O terroir da região resultou numa produção de sucesso.

A vinícola Villa Santa Maria fica em São Bento do Sapucaí (SP)
A vinícola Villa Santa Maria fica em São Bento do Sapucaí (SP) | Foto: Villa Santa Maria/Divulgação

Hoje, o portfólio conta com rótulos feitos a partir de Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Sauvignon Blanc, Merlot, Syrah e Viognier. O passeio é guiado ao longo do cinturão de montanhas da Mantiqueira, passando pelos 60 mil pés e indo em direção à cave, onde os vinhos descansam em barris de carvalho. O complexo ainda oferece degustação dos rótulos da linha Brandina e é possível optar por saboreá-los com os preparos do restaurante do espaço. Além dos tintos e brancos, a vinícola produz hidromel, aceto balsâmico, mel e suco de uva integral – todos à venda online e na loja física.

Complexo da vinícola Villa Santa Maria
Complexo da vinícola Villa Santa Maria | Foto: Villa Santa Maria/Divulgação

Extração em alta

A qualidade do azeite brasileiro é cada vez mais alta e a safra de 2022 promete fazer os olhos dos produtores brilharem: a previsão é que todos os recordes de produção sejam batidos. A Serra da Mantiqueira tem uma fatia dos méritos pelos números otimistas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura, ​​cerca de 1,5 milhão de oliveiras estão distribuídas pela região, que foi pioneira no cultivo no país (a primeira colheita foi em 2009). Aproximadamente 60% dos olivais estão em solo mineiro, enquanto os outros 40% se distribuem entre São Paulo e Rio. Lá é possível não só adquirir notáveis rótulos, como também explorar mais cada etapa de extração do apaixonante óleo.

O Sabiá, de Santo Antônio do Pinhal (SP), foi recentemente eleito como um dos melhores azeites do mundo pelo concurso espanhol ​​Evooleum – o único fora da Europa a ficar entre os dez primeiros. A Fazenda do Campo Alto, produtora da marca, oferece visita à plantação e degustação.

Produção do azeite Sabiá
Produção do azeite Sabiá | Foto: Beatriz Pereira/Divulgação

Já em São Bento do Sapucaí, é possível ver de perto o trabalho da OLIQ, detentora das fazendas Santo Antônio e São José do Coimbra. Além do passeio pelo pomar, os visitantes podem conhecer o restaurante do espaço (na foto acima), que traz pratos harmonizados e sorvete artesanal feito com azeite. No lagar, espaço em que o produto é confeccionado, encontra-se um armazém da marca, onde são vendidos, entre outras coisas, cosméticos feitos a partir do azeite e doces de frutas da Mantiqueira.

O lagar, onde se produz o azeite, da OLIQ
O lagar, onde se produz o azeite, da OLIQ | Foto: OLIQ/Divulgação
fazenda restaurante OLIQ azeites
O complexo da OLIQ conta com um restaurante com menu harmonizado com azeites | Foto: OLIQ/Divulgação

Vitrine: uma seleção de sabores da Serra da Mantiqueira

vitrine de produtos da Serra da Mantiqueira

1) Mel de terroir in natura, R$ 41,75, da Mbee
2) Wheat Beer, de com perfis frutados e cítricos, da GÅRD Cervejaria
3) Café Mago, vencedor do prêmio de melhor café no Cup of Excellence, da ZalaZ (vendido somente presencialmente na fazenda)
4) Mel de Jataí, R$ 69, da Mbee
5) Azeite de oliva extravirgem Arbequina, R$ 63, da OLIQ
6) Brandina Sauvignon Blanc 2021, da vinícola Villa Santa Maria
7) Azeite de oliva extravirgem Koroneiki, R$ 84, da Sabiá

 

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