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Porta dos Fundos faz vídeo machista sobre vereadora curitibana

Esquete que insinuava que a candidata teria tido relações sexuais com líderes do partido foi deletada após receber críticas nas redes sociais

Por Da Redação Atualizado em 24 nov 2020, 11h19 - Publicado em 23 nov 2020, 20h59

Conhecidos pelas críticas sociais bem humoradas e alfinetadas que não poupam ninguém, o Porta dos Fundos tem arrancado mais reprovações que risadas com seu último vídeo.

Postada neste domingo (22), a esquete protagonizada pelo ator Joel Vieira traz o que, supostamente, era para ser uma sátira ao conservadorismo de fachada da ala direita da política brasileira.

Porém, os quase três minutos de duração do vídeo logo se transformam em uma enxurrada de machismo, com insinuações de que, para se eleger, a vereadora fictícia teria tido relações sexuais com líderes e figurões do partido.

E não demorou para que o vídeo fosse associado a Indiara Barbosa, vereadora eleita em Curitiba este ano. Na esquete, a personagem fictícia Yollanda conseguiu ser “a vereadora mais votada de Curitiba” e é filiada ao Partido Novo – duas características de Indiara na vida real.

A própria Indiara se manifestou sobre o vídeo, lamentando o fato de que o Porta dos Fundos fez uma associação entre sucesso feminino e favores sexuais. “Temos muito trabalho para mudar essa cultura retrógrada”, escreveu a vereadora.

Deixando de lado possíveis diferenças partidárias e ideológicas, mulheres se manifestaram no Twitter, repudiando a esquete. “Não sou alinhada com o Novo e não votei na Indiara, mas merecemos respeito independentemente dos posicionamentos políticos. Melhorem muito”, comentou uma usuária da rede.

Figuras como a deputada federal Tabata Amaral (PDT), a antropóloga Débora Diniz e o movimento Sleeping Giants, que trabalha contra o financiamento do discurso de ódio e fake news, também fizeram coro às críticas.

Ao nomear ‘vereadora mais votada de Curitiba’, o vídeo do Porta dos Fundos desliza do humor para a paródia misógina sobre uma mulher. Não é preciso aliança política ao partido da vereadora para estranhar a vulgaridade do vídeo”, disse Débora.

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Dada a repercussão, o Porta respondeu o tweet de Indiara, a parabenizando pela vitória e alegando que a personagem Yollanda existe há 9 anos e é uma “criação de ficção e humor” que “explora sua sexualidade livremente”. Posteriormente, a produtora declarou reconhecer que o vídeo não condiz com seus valores e o retirou do ar.

O que falta para termos mais mulheres eleitas na política

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