“Um elenco feminino não deve ser revolucionário, deve ser frequente”, diz Melissa McCarthy

Melissa McCarthy é a estrela da refilmagem de Caça-Fantasmas, que desta vez tem protagonistas femininas

Até bem pouco tempo atrás, os filmes de comédia de Hollywood eram dominados por intérpretes do sexo masculino, como Eddie Murphy, Jim Carrey e Adam Sandler. Hoje, nenhum deles bate Melissa McCarthy em popularidade e rentabilidade. Desde Missão: Madrinha de Casamento, em 2011, quase todos os longas estrelados pela americana superaram 100 milhões de dólares na bilheteria (cerca de 340 milhões de reais). “Melissa representa todos nós, daí seu sucesso”, disse o diretor Paul Feig em entrevista exclusiva. Foi ele quem lançou a atriz em 2011 e a convidou para Caça-Fantasmas, que estreia no dia 14 deste mês. A adaptação do clássico de 1984 com Bill Murray tem gerado polêmica após ataques machistas à página do Facebook do filme e ao trailer postado no YouTube. Mas, aos 45 anos, a americana está acostumada a romper os padrões e aguentar o tranco das críticas. 

Tornou-se famosa tardiamente, abriu espaço para as mulheres engraçadas que hoje estão no cinema e na televisão e, além disso tudo, provou que não é preciso se encaixar nos quase impossíveis padrões corporais impostos por essa indústria para ser bem-sucedida. Casada com o ator e diretor Ben Falcone, mãe de Vivian, 9 anos, e Georgette, 6, Melissa acaba de lançar uma linha de roupas para mulheres de todos os tamanhos – no dia da conversa com CLAUDIA, usava as peças estampadas e coloridas da grife. Simpática e falante, a atriz só pede uma coisa: “Por favor, parem de falar em comédia feminina; ninguém nunca disse que ia assistir a uma comédia masculina”.

Como se posiciona em relação à polêmica gerada pela nova versão de Caça-Fantasmas?

É maluco. Nós, mulheres, somos metade da população. Não existe ninguém no mundo que não conheça uma mulher inteligente e engraçada. Precisamos parar de tratar um elenco feminino como se fosse algo revolucionário. O bizarro é não ser frequente.

Sua personagem é muito segura de si mesma. Identifica-se com ela?

Eu me esforço, mas não consigo 100% do tempo. O que desejo para mim e para minhas filhas é que não nos deixemos levar por qualquer pressão.

Como foi o processo para se sentir confortável em seu corpo mesmo sob a pressão da indústria?

A maturidade ajuda. Quando tinha 20 anos, ficava desesperada com meu cabelo, por exemplo, mas chega um momento em que você define muito bem suas prioridades. Tenho filhas, marido, cachorro, pais, sogros, irmã… A aparência está muito lá embaixo na lista de coisas com que preciso me preocupar. Que bom que evoluímos até nas inseguranças e problemas.