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Paolla Oliveira: “Recebi muitos não na vida. Eles me fizeram ter mais força”

A história da menina tímida que enfrentou a família para realizar o sonho de ser atriz e, com boa dose de determinação, virou protagonista de novelas e minisséries, como a atual 'Felizes para Sempre'.

Por Denise Dahdah (colaboradora) - Atualizado em 28 out 2016, 10h50 - Publicado em 29 jan 2015, 08h14

Na pele da acompanhante de luxo Danny Bond, a atual protagonista da minissérie ‘Felizes para sempre’, da TV Globo, a paulistana registrada Caroline Paola Oliveira da Silva, acredita que seu sucesso se deve a uma combinação de fatores. Entram na equação a determinação, uma característica forte do seu signo, Áries, e algumas mandinguinhas para fazer as energias fluírem e os caminhos se abrirem – a última foi duplicar o “L” em seu nome artístico. Nascida em um bairro periférico da Zona Leste de São Paulo, ela diz que enfrentou resistências até realizar o sonho de ser atriz. A começar pela timidez, atribuída à educação rígida que recebeu, passando pela reprovação da família quando fez sua escolha profissional. Paolla também encarou várias negativas em testes de comerciais e novelas. Nunca desanimou, até conquistar, em 2005, o primeiro papel na TV Globo, em Belíssima. “Meu lema de vida é não ‘baixastralizar’”, diz a atriz. “Se as coisas estão dando errado e você se fecha, elas só pioram.” Ao que parece, a filosofia de Paolla tem dado resultado: sua atuação na estreia da nova trama foi bem-vista pela crítica e elogiada pelo público.

Confira abaixo a entrevista exclusiva que Paolla concedeu à CLAUDIA em junho de 2013, quando foi estrela da capa.

Por que decidiu colocar um “L” a mais em seu nome?

Adoro números, astros e sempre prestei atenção na energia que meu nome emana. No começo da carreira, tentei usar Caroline Oliveira, mas sentia que não rolava. As coisas começaram a fluir quando passei a me apresentar como Paola Oliveira. Há pouco mais de um ano, fui a um numerólogo, que sugeriu mudar um pouco minha assinatura para que as energias corressem ainda melhor. Deu várias sugestões, e colocar um “L” a mais em Paola me pareceu a mais sutil. Para quem acredita nessas coisas, meia palavra já basta. Decidi, então, mudar meu nome de trabalho, mas não alterei documentos nem nada. E minha vida melhorou mesmo depois disso.

Como definiria sua fé? Você segue alguma religião?

Fui criada em uma família católica pouco praticante, mas hoje não tenho religião. Não preciso das doutrinas e rituais dessas instituições. Como boa brasileira, tenho fé e misturo as crenças. Rezo a ave-maria quando fico com medo de avião, acendo velas para meu anjo da guarda, adoro um incenso e faço mapa-astral. Sou agarrada em uma promessa, costumo fazer. Fiquei um ano sem comer chocolate, que adoro. Também acredito em energia. Acho que o jeito como você acorda e chega ao trabalho vai influenciar tudo ali. Meu lema de vida é não “baixastralizar”, como diz Camila Pitanga. Se as coisas estão dando errado e você se fecha, elas só pioram.

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Você e o ator Joaquim Lopes estão juntos há cerca de cinco anos. De vez em quando, você se refere a ele como namorado e, em outras ocasiões, como marido. Afinal, qual é o status do relacionamento?

Nós nos consideramos casados, sim, moramos juntos há quase cinco anos. Acontece que eu realmente nunca tive o sonho de casar com festa, embora ache esse ritual lindo e, inclusive, tenha sido madrinha em vários. Ter uma família, uma relação segura e sólida é, para mim, o verdadeiro casamento.

Você sonha com a maternidade? Tem vontade de ter filhos?

Quero muito ser mãe e estou à vontade com essa questão. O público acha que não quero filhos, mas os mais próximos sabem que sou supermaternal. O que não aguento é a cobrança. Quem disse que só porque passei dos 30 anos preciso engravidar? Eu me sinto um pouco à margem dos padrões estabelecidos. É um sentimento constante na minha vida. Quando fazia faculdade de fisioterapia (antes de dar certo nas artes dramáticas, ela se formou fisioterapeuta), me sentia deslocada porque queria ser atriz. Hoje, tenho a mesma sensação com essa história da maternidade. Não gosto de seguir caminhos estabelecidos.

Esse sentimento de inadequação vem da infância?

Fui uma criança retraída. Meu pai era policial militar e sempre foi muito rígido com os filhos. Sou a única menina da família (ela cresceu com dois irmãos mais novos) e ele não era mais condescendente comigo por isso. A gente tinha que ir bem na escola; não bastava tirar 9, ele só aceitava 10. Por causa dessa rigidez, não sabia o que podia ou não fazer. Educação severa é assim, e me tornei uma menina tímida. Tinha medo de público. Quando precisava apresentar um trabalho na frente da classe, suava de nervoso.

Existem situações em que você ainda se sente uma menina insegura?

Sim. Nos momentos em que tenho de ser Paolla em público. Quando não estou interpretando nenhum personagem, me sinto a menina da escola novamente, completamente exposta.

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Sua realidade de vida antes da fama é bem diferente da situação que você vive hoje. Como isso está refletido na sua visão de mundo?

Quando digo que sou de São Paulo, as pessoas logo acham que nasci na parte glamourosa da cidade, onde as coisas acontecem e dão sempre certo. Não foi bem assim. Sou lá do fundo. Meu pai e minha mãe saíram de cidades pequenas do interior para ganhar a vida na metrópole. Tinham dois, às vezes até três empregos para conseguir sustentar a família. Passamos por muitas dificuldades. Na faculdade de fisioterapia, fui trabalhar em um hospital na periferia, em Guaianases, onde vi um assassinato. Estava almoçando em uma feira e um cara atirou nas costas do outro, na minha frente. Uma coisa horrorosa. Vi a vida de verdade. Por isso, procuro sempre manter os pés no chão.

Sua escolha profissional gerou embates em casa?

Muitos. Meu pais não aceitavam o fato de que eu queria ser atriz. Perguntavam até quando eu ia brincar daquilo. Mas eu argumentava e dizia, por A mais B, porque ia seguir aquele caminho. Não ganhava em todas as vezes, mas sempre fui determinada e segui em frente. Recebi muitos nãos na vida. As negativas começaram dentro de casa, mas ouvi tantas outras nos testes para a publicidade. Na Globo, foram apenas dois nãos até conseguir um papel em Belíssima (Giovana, em 2005). Os nãos me fizeram ter mais força para seguir em frente.

Em que momento da sua vida a determinação se confunde com teimosia?

O tempo inteiro! Mas já fui pior. Hoje, quando insisto muito em alguma coisa, me pergunto se estou sendo determinada ou teimosa. E escuto mais as pessoas, aceito críticas. Não que seja fácil, mas isso é amadurecer.

Quais são os seus sonhos?

Conquistei coisas materiais, tive realizações profissionais e pessoais, mas não tenho planos a longo prazo. Se a vida continuar como está, vou ficar muito feliz. Se conseguir manter meu casamento e um bom nível de trabalho, está ótimo. Acho que manter é muito mais difícil do que conquistar. Meu sonho é manter o equilíbrio na vida, do peso estável à harmonia na relação amorosa.

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E o que faz para cuidar da beleza?

Não como tudo o que tenho vontade e bebo muita água. Sempre que posso, faço musculação e algum exercício aeróbico, capoeira, dança, futebol, corrida, o que for. Vivo experimentando cremes para a pele, uso protetor solar e tiro a maquiagem antes de dormir. Faço drenagem linfática e adoro máquinas de queimar gordurinhas. Mas o importante nesses cuidados é a constância. Meu maior ritual de beleza, apesar da preguiça, é ser constante.

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