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O ataque sofrido por Solange Knowles mostra como a internet é um dos piores lugares para minorias

Após ter uma fruta tacada nas costas por dançar em um show, a cantora, ao compartilhar a experiência, foi vítima de comentários racistas no Twitter.

Por Lucas Castilho Atualizado em 21 jan 2020, 05h12 - Publicado em 11 set 2016, 15h07

Sim, o ano é 2016, mas as pessoas simplesmente ainda não conseguem se colocar no lugar do próximo. Dias depois da pequena Blue Ivy, filha de Beyoncé, receber maldosos e absurdos comentários, foi a vez de, infelizmente, Solange Knowles ser vítima de racismo.

No sábado, a cantora usou o Twitter para compartilhar a experiência horrível que teve durante um show da banda alemã Kraftwerk, em Nova Orleans.

Enquanto curtia o concerto, ao lado do marido Alan Ferguson, do filho Jules, de 11 anos, e de um amigo, ela foi atacada por quatro mulheres brancas, após se recusar a sentar.

Ela explica:

https://twitter.com/solangeknowles/status/774431083454668800

“Deixa eu contar para vocês por que mulheres/ garotas negras são tão ‘bravas'”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774431347129589760

“Fui com meu filho, um amigo dele e meu marido assistir ao show do Kraftwerk, em Nova Orleans. Eu estava muito animada para dançar e curtir uma banda que eu amo”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774432052087316480

“Nós éramos quatro dos mais ou menos 20 negros presentes no show para 1500 pessoas”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774432446662213632

“Nós andamos e uma das minhas músicas favoritas, Machine, começou a tocar. Eu estava muito animada em contar para o meu filho como o hip hop se inspirou em Kraftwerk. Nós estávamos dançando”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774432708130930688

“Quatro mulheres brancas mais velhas gritaram para eu sentar. Eu disse para elas que estava dançando em um show. Elas gritaram ‘você precisa sentar agora'”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774432931662143488

“Nós estamos em um show de música ELETRÔNICA e vocês mandam… em vez de pedir… para eu sentar. Na frente do meu filho”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774433207848697857

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“E, bem, elas tacaram algo nas minhas costas” [depois ela tuítou que era uma lima]

https://twitter.com/solangeknowles/status/774433289201446912

“A antiga Solange…” [em referência ao infame incidente da briga com Jay Z]

https://twitter.com/solangeknowles/status/774433573558444032

“Mas neste momento, eu só vou compartilhar minha experiência… Porque, talvez, alguém entenda a razão de muitos de nós não nos sentirmos seguros…”

https://twitter.com/solangeknowles/status/774433738109362178

“… em espaços dominados por pessoas brancas… Nós não criamos o drama…Pense nisso”

E, como se não bastasse a experiência ruim, claro, no Twitter, algumas pessoas mostraram o pior lado delas: o do racismo. Solange queria apenas que as pessoas refletissem como é se uma mulher negra no meio de um monte de gente branca, mas, em vez disso, começou a sofrer ataques – talvez tão horríveis quanto ter uma fruta tacada nas costas.

De acordo com um usuário, tudo aconteceu porque “Sua cultura é rude, ignorante, barulhenta e sem classe”. Outro foi além: “O que é ‘espaço braco’? Outra forma para justificar sua intolerância, nova segregação? Continue vendendo esse produto quebrado”. E como tudo sempre pode ser mais feio:

“As únicas duas coisas que você pode esperar de uma mulher negra é drama e violência”.

A resposta de Solange veio na forma deste texto, no qual ela conta como é para uma negra ter crescido em lugares brancos, e de um bonito e poderoso post no Instagram com a imagem da cantora e ativista Nina Simone.

https://www.instagram.com/p/BKKa7leAikZ/

“O mundo ama pessoas negras que fazem arte sobre serem negras. Mas odeia pessoas negras que falam sobre ser negro. Música negra, filmes e séries desse tipo estão em alta. É rentável ser negro e contar histórias sobre negros para o entretenimento, mas não é lucrativo contar sua experiência como negra. Eles querem que a gente ‘deixe o trabalho falar por si’, mas o trabalho não fala por si. Ou deixar o mérito falar por si. Nós vamos continuar exaltando você, Nina. Para todo o sempre”.

A experiência de Solange mostra o quanto as pessoas ainda são incapazes de se colocar no lugar do outro. De fazer uma simples pergunta: “E se fosse eu?”.

E os ataques racistas no Twitter só servem para mostrar MAIS UMA VEZ como ela está certa em não se sentir segura em “espaços brancos” – foram anos de opressão. E, pelo visto, a internet é um dos piores lugares do mundo para as minorias.

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