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Hebe Camargo solta o verbo

Ela não esconde nada: fala sobre dinheiro, Silvio Santos, prazeres pessoais, velhice... Confira!

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 09h24 - Publicado em 9 fev 2009, 21h00

“Não é uma coisa alegre fazer 80. Fico pensando que resta pouco tempo…”, revela Hebe Camargo
Foto: Julian Marques

Sob os gritos de “Hebe é a rainha”, a loira desce do carro e tira os óculos cravejados de brilhantes. Ela chora lágrimas sinceras. Dá para perceber… Mas Hebe também se posiciona perto dos fotógrafos, que tiram inúmeras fotos de sua emoção. Não se trata de oportunismo, e sim de quem sabe lidar com os flashes e os fãs. “Quero selinho!”, grita um rapaz na multidão uniformizada com camisetas da loira, a qual a espera do lado de fora dos estúdios do SBT. Desejo concedido! A soberana se aproxima e dá uma bitoca no sujeito. 

Ovacionada, ela entra para fazer o primeiro Hebe do ano. “A manifestação do público foi inesquecível. Fiquei 40 minutos em choque no camarim”, diz ela, que não gravava desde dezembro, quando seu programa foi suspenso. Ninguém sabia quanto tempo demoraria suas “férias” forçadas, já que Silvio não a chamava para renovar o contrato. “Eu tinha bons convites de outras emissoras, mas queria continuar aqui. O SBT é a minha cara, né?”, avisa ela, que comemora 80 anos no dia 8 de março, 23 deles como a estrela maior da emissora paulistana. No fim, deu (quase) tudo certo: o patrão renovou, porém, o salário foi reduzido e a atração continou às 20 h, horário que Hebe detesta. 

Em cada detalhe, cada palavra, a apresentadora faz jus à sua posição de ícone da TV. Ou como diriam: ela não dá ponto sem nó. Sabe o que diz e conduz seu programa com a desenvoltura que só 60 anos de carreira permitem. A seguir, a loira mais alegre do Brasil fala sobre Silvio Santos, dinheiro, pequenos prazeres da vida e, sim, de sua idade. “Não é uma coisa alegre fazer 80. Fico pensando que resta pouco tempo…”, revela ela, rindo, como quem sabe, que, no fundo, ainda tem muitos anos pela frente. 

Os prazeres

“Adoro luz! Fico na janela mandando beijo para o sol, falo com as flores e amo os animais. Tenho duas galinhas, uma cacatua, um papagaio e seis cachorros. Agora apareceu um periquitinho… Tenho uma gaiola aberta com comida. Um passarinho conta pro outro e eles vêm todos juntos. São meus meninos de rua.” 

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O dinheiro

“Dinheiro não é e nunca foi o mais importante da vida. Eu só pensava que não era honesto diminuir meu salário depois de tantos anos… Mas aí percebi que isso está acontecendo no mundo todo por causa da crise. E tenho que colaborar. Ganho muito bem, tenho meus merchandisings e percebi que dava para diminuir um pouco do meu salário, sim.” 

O programa

“Como redator, Mário Tadeu (ex-diretor do programa) é imbatível. Mas, como diretor, ele fazia o que ele queria. Não estávamos em sintonia. Então, houve um mal-entendido e ele saiu. Já o Ariel (Jacobowitz, atual diretor) faz tudo o que eu gosto. É que eu sou sincera com meu público. Se trouxer alguém que eu não gosto, não sei fingir!” 

Os 80 anos

“Nunca tive complexo com a idade. Tem gente que passa quatro anos com a mesma idade. Tenho uma amiga cujas filhas já passaram a idade dela (risos)! Outro dia, Fernanda Montenegro me falou: ‘Fazer 80 anos não é o pior, o pior é que a gente começa a pensar que falta pouco tempo’. Foi péssimo (gargalhadas), porque agora fico pensando nisso. Mas tenho uma saúde invejável! Quando eu bater as botas, quero que minha família doe tudo: coração, fígado, rim… peito, se alguém quiser! Porque é tudo de qualidade boa… Peito não digo, mas o resto… (risos)” 

O patrão

“Sempre tive muito acesso ao Silvio. Temos um bom relacionamento e ele me conta coisas de sua vida particular. Só que, desta vez, não me chamava para conversar. Pensei que ele não queria mais. Aí, depois, ele me explicou sobre a crise mundial e entendi o motivo da demora. Esse é o jeitão dele. É uma pessoa que não badala a gente, ele é que quer ser badalado. E eu badalo bem (risos). Dou audiência para o SBT. Assisto ao Roda a Roda e tento adivinhar as palavras… Sou fanática por TV, se fosse álcool, diria que sou alcoólatra (risos).” 

A renovação

“Recebi convites de outras emissoras porque sou amiga de todo mundo. Quando saio de algum lugar, sempre deixo a porta aberta. Trabalhei na Band, na Record, onde devo ter ficado uns 510 anos (risos)! Mas eu queria continuar aqui. Achei que, se saísse, iria abandonar a carreira, porque talvez fosse mesmo a hora de pensar em viver fora da televisão. Porém, agora, não penso mais nisso. Só quero fazer o programa cada vez melhor.”

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