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Entrevista com Solange Couto

Recém-casada com um universitário 30 anos mais jovem, a atriz Solange Couto reestreia na Record e fala sobre os planos de ser mãe

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 04h11 - Publicado em 1 fev 2010, 21h00

“A vida é mais simples do que a gente imagina”
Foto: Juliana Coutinho/Reginaldo Teixeira/Arquivo

Aos 53 anos, Solange Couto quer engravidar do marido, Jamerson Andrade. A atriz se casou em dezembro, após conhecê-lo pelo Orkut e namorar por cinco meses. De um ano pra cá, Solange (que criou sozinha os filhos, Márcio, 35 anos, e Morena, 18) saiu de um casamento frustrante e venceu uma isquemia. Agora, volta às novelas, em Ribeirão do Tempo. Ela fala de amor e sexo na maturidade, e do futuro.

Vivemos numa sociedade que aceita que homens se casem com menininhas, mas vê com maus olhos mulheres mais velhas ao lado de garotões. O que acha disso?
Nosso país é preconceituoso com cor, com tipos físicos… “Ah, olha aquele gordo!”, “Olha, aquele careca!” Todo mundo gosta de tomar conta da vida do outro.

Você se sente vítima de preconceito?
Estou fora do meu peso e ninguém quer saber se tive de tomar cortisona de novo, ou se meu marido gosta de mim assim, de ter uma mulher que enche cama… E colocam num site: “Solange com vários quilos a mais” ou “Solange paga mico com um garoto”. Quem pensa assim é pobre de espírito.

Está tomando cortisona?
Tomei no ano passado, mas leva tempo para sair do corpo.

Você disse que pretende morar com Jamerson em Recife, “para concretizar o sonho dele”. É isso?
Não é só dele: é o meu também. Se você me der um apartamento na avenida Atlântica, em Copacabana (no Rio de Janeiro), ficarei feliz, mas não morarei lá. Não gosto do urbano.

O que o Jamerson faz?
Faltam dois anos para ele se formar na faculdade de Petróleo e Gás, na Universidade Estácio de Sá, aqui no Rio. E em 2 anos e 4 meses vai terminar meu contrato com a Record. As duas datas vão coincidir certinho.

Que vida você planeja ter lá?
Quero ter uma pousada pequena ou uma loja de artesanato. E o Jamerson tem família em Pernambuco. Aí, quando pintar uma oportunidade de trabalhar na TV, venho ao Rio para gravar.

Você conheceu Jamerson pela internet. As mulheres devem recorrer à rede e às agências de casamento em busca de um amor?
Você tanto pode se dar bem quanto quebrar a cara conhecendo a pessoa fisicamente ou por internet, carta, telefone… Você precisa ter coragem de se arriscar, mas precisa estar atenta. Conheci o Jamerson porque ele me pediu que o adicionasse no Orkut. Ele escreveu que queria falar comigo, “que não era assunto de fã, mas de homem e mulher”. Fiquei curiosa.

Sonhava com o príncipe?
Nunca tive essa fantasia. Eu sempre quis um companheiro, um amigo. E com o Jamerson é assim. A gente brinca, ri, se ajuda… Sem obrigatoriedades (só as obrigações morais, claro). Não é porque casei que devo cozinhar, passar, lavar…

Não gosta de lidar com as tarefas domésticas?
Até gosto de cozinhar, mas não me chama pra passar pano. Quando você se casa, não precisa ser a doméstica do cara. De 20 anos pra cá, a mulher passou a ser colaboradora do parceiro. Depois do trabalho, de cuidar da casa, dos filhos, ainda tem que se deitar cheirosa? É muita coisa! O homem precisa ser companheiro. Pode ser anão, careca, barrigudo… Melhor um sapo que te faça feliz do que um príncipe que te dê porrada.

Você acha que a brasileira vem dando um passo adiante ao deixar o companheiro quando ele não a faz feliz ou age com violência?
Se um cara bate numa mulher, ela deve ir pra Justiça. Precisa ter coragem e enfrentar a situação. A mulher avançou muito, ela não quer mais ser infeliz pelo resto da vida. E pensar que nós, mulheres, é que criamos os homens… Nós os ensinamos a ser machistas. É hora de mudar, né?

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Ser amada e desejada por um homem de 23 anos massageia seu ego?
Ele é mais velho do que eu! Não gosta que eu use decote, short curto. São padrões de criação.

O que mais te atrai num marido jovem?
O que me atrai no Jamerson é o homem. Ele me conquistou porque dizia coisas sérias.

Você tem medo da diferença da idade em longo prazo?
Já conversamos sobre isso. Eu disse: “Quando eu estiver com 70 anos, você terá 40. Nessa idade, o homem está no auge da sexualidade, ele corre atrás das mulheres”. Mas aí, com 70, acho que nem vou me preocupar mais com isso.

Mas Jamerson não sonha em ter um filho?
Nós vamos ter um filho!

Adotivo?
Vamos ter um filho pela minha barriga! Com o tempo e a intensidade da nossa relação, amadureci a ideia. Afinal, tenho saúde, está tudo bem comigo, e já vi casos de mulheres com 50, 60 anos, gerando filhos. A gravidez não me assusta.

Do que você tem medo?
De nada. Ainda não fizemos rapel, mas vamos voar de asa-delta. Você só morre na hora em que tem que morrer.

O que uma mulher casada de 50 anos deve fazer para manter uma vida sexual ativa?
Antes, a mulher usava cabelo comprido, salto, brincos, sutiã meia-taça… Agora, quando se casa, ela não passa mais hidratante e dorme de camiseta velha. Não usa mais maquiagem e só anda de sandália rasteira de plástico. Tem coisa mais antitesão que isso? E não vem com desculpa de que não tem dinheiro pra malhar em academia, porque em casa dá pra levantar 1 kg de feijão em cada mão. Mas ela dorme de camiseta – e perde o macho pra outra!

O que você faz para não deixar o sexo cair na rotina?
Coloco um lençol gostoso, passado com um cheirinho… Ah, mas tem uma coisa muito importante antes: o beijo de língua. Sabe casal que, depois de dois anos, abandona o beijo de língua e só dá selinho? É triste… Tem que dar muito beijo de língua! É com ele que tudo começa.

O que diria à mulher que não tem orgasmo?
Ela precisa dar muito beijo na boca e conhecer bem as áreas do corpo dela que dão prazer. Deve usar espartilhos, criar fantasias, levar morangos pra cama, trocar de ambiente… Não dá pra fingir orgasmo ou só satisfazer o parceiro.

Transar com um jovem é sempre ensinar ou você também aprende?
Jovem ou velho, você precisa procurar quem te satisfaça. Quando você ama e não tem preconceitos – “Ah, tô barriguda!”, “Tenho estria!”, “Meu peito tá mole!” – o sexo é natural. Homem que conta as varizes no meio da transa não sente nem dá prazer.

Os problemas recentes de saúde mudaram você?
Eles me levaram a me preocupar menos com o que dizem de mim e ser feliz. Eu me proibia de fazer várias coisas. Ainda me cobro muito, mas estou mais relaxada. No caso do Jamerson, se fosse antes, apesar de ser muito obstinado, ele ia penar pra chegar em mim, não teria sido tão rápido. Mas deixei acontecer. Descobri que a vida é mais simples do que a gente imagina.


 

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