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Filhos que brigam muito: o que fazer para recuperar a paz (e o amor) em casa

Psicanalista explica os caminhos para pais que não sabem administrar as brigas constantes entre filhos

Por Ana Luiza Bezerra 31 out 2025, 17h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h53
Imagem de duas crianças aparentemente discutindo, representando irmãos que brigam
Pais questionam como lidar com filhos brigando constantemente (pvproductions/Freepik)
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Que crianças brigam, todo mundo sabe, mas o que fazer quando essas disputas se tornam mais intensas? Essa é uma dúvida que aflige muitos pais, inclusive alguns famosos.

Em seu canal no YouTube, a atriz Thaila Ayala revelou que os filhos Francisco (3) e Tereza (2) têm uma relação bastante conturbada. “Outro dia, quando fui buscá-los na escola, ele disse que a Tetê era irmã de outro menino, só pra não admitir que ela é irmã dele”, contou.

Situação parecida vive Kim Kardashian, que já relatou publicamente as dificuldades entre os dois filhos mais velhos, North (12) e Saint (10). “Ela não gosta do irmão, é tão difícil para mim. Eu pensava: ‘Tudo bem, é ciúmes, vai passar’. Mas a fase não está passando”, disse em entrevista.

E a pergunta que fica é: o que fazer quando os filhos simplesmente não se gostam?

Rivalidade faz parte do desenvolvimento, mas tem limite

A psicanalista Elainne Ourives explica que a rivalidade entre irmãos é natural e até esperada no processo de amadurecimento emocional. “Do ponto de vista psicanalítico, a rivalidade faz parte da construção da identidade e do ego. O irmão representa o ‘outro’, que disputa por atenção, recursos e pertencimento”, explica.

No entanto, a especialista alerta: o que é normal não deve se tornar permanente. Conflitos constantes e agressividade frequente podem indicar que algo precisa ser ajustado na dinâmica familiar.

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Imagem de duas crianças aparentemente discutindo, representando irmãos que brigam
A fase é natural, mas ainda assim deve ser avaliada com atenção (Reprodução/Freepik)

Como reduzir as brigas e quando intervir

“A harmonia entre irmãos não pode ser imposta, mas pode ser construída com amor, paciência e exemplo”, afirma Elainne.

Segundo ela, os pais têm papel fundamental nesse processo. Quando demonstram empatia, resolvem conflitos com diálogo e lidam com diferenças de forma respeitosa, dão aos filhos um modelo saudável de convivência. “As crianças aprendem mais observando do que ouvindo discursos”, complementa.

A especialista explica que a intervenção direta dos responsáveis só deve ocorrer quando as brigas ultrapassam os limites do respeito ou colocam em risco a integridade física e emocional das crianças.

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Por outro lado, interferir o tempo todo também pode atrapalhar: “Quando os pais mediam todas as discussões, tiram dos filhos a oportunidade de desenvolver autonomia emocional, capacidade de negociação e autorregulação”, pontua a psicanalista.

Lidando com a culpa e buscando equilíbrio

É comum que os pais se sintam culpados por não conseguirem promover harmonia entre os filhos. Elainne reforça que a culpa deve dar lugar à responsabilidade consciente: “Assumir o compromisso de evoluir emocionalmente, sim. Mas se culpar paralisa. O foco deve ser em aprender e se aperfeiçoar, não em buscar perfeição.”

Quando o clima de rivalidade persiste ou começa a afetar o comportamento das crianças, a ajuda profissional pode ser essencial.

“Conflitos não resolvidos se tornam traumas que irão se manifestar na vida adulta em forma de insegurança, sabotagem, dificuldades nos relacionamentos e até doenças psicossomáticas”, alerta a especialista.

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Ela conclui com um conselho que vale tanto para os pais quanto para os filhos: “Se você sente que tentou de tudo e não está funcionando, talvez precise apenas de alguém que te ajude a acessar a parte que ainda não vê.”

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