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Myra Ruiz: conheça a estrela que protagoniza o musical “Evita Open Air”

Myra Ruiz, que protagoniza o musical “Evita Open Air”, descobriu a sua paixão pelos palcos ainda na infância, durante uma peça em sua escola de balé

Por Kalel Adolfo Atualizado em 18 jul 2022, 09h14 - Publicado em 18 jul 2022, 08h49

Após interpretar papéis marcantes em peças como Wicked, Mamma Mia! e Rent, Myra Ruiz retorna com um dos trabalhos mais desafiadores de sua carreira: Evita Open Air. O musical — que está em cartaz no Parque Villa-Lobos (SP) — traz a estrela dando vida à Evita Perón, figura emblemática e polêmica da política argentina. Ao ar livre — e diante de um público de 1.545 pessoas — a atriz canta, dança, atua e realiza acrobacias complexas por quase duas horas.

Este não é um trabalho para qualquer um, mas a devoção de Ruiz pela arte garante que sua performance seja impecável em todas as noites: “Tem cenas que eu preciso dar mega agudos, botar as pernas na cabeça, correr de um lado para o outro. Já em outras sequências, tenho que me colocar num estado emocional denso. Quando tudo isso se conecta, meu esforço como artista é redobrado. Mas nós pedimos por isso na vida, então só nos resta aguentar”, brinca a intérprete em entrevista exclusiva à CLAUDIA.

E falando em emanar desejos ao universo, a jornada de Myra no teatro é daquelas que aparentam ter sido escritas nas estrelas. “O teatro foi me puxando sem eu saber. Comecei dançando e, certo dia, decidiram montar um musical da Mary Poppins na minha escola de balé. Eu sempre brinco que encontrei Jesus quando descobri os musicais, pois me apaixonei instantaneamente por este mundo”, relembra.

Motivada por sua recente paixão artística, a jovem atriz conquistou a oportunidade de fazer um intercâmbio em Nova York. Sua escola de atuação — a Professional Performing Arts School — ficava na esquina da Times Square. Por isso, Ruiz vivenciou uma imersão intensa no mundo da Broadway que apenas reforçou o seu afeto pelos palcos. “Sou devota ao teatro. É difícil trabalhar com isso sem ser assim. Não é uma profissão que você consegue exercer sem ser praticamente obcecado por aquilo. E eu desenvolvi essa relação na Times Square”, revela.

Assim que retornou ao Brasil, a estrela entrou para o elenco de Mamma Mia!, seu primeiro musical profissional. Na época — 2010 — Myra tinha apenas 16 anos. Motivada pela experiência — que ela define como a mais especial de sua carreira — a jovem retornou à Nova York para se formar oficialmente como atriz.

Eu tenho um sentimento de pertencimento quando estou em cima do palco. E claro, no início, essa sensação vinha com um pouco de pânico, pois eu estava numa idade prematura. Era um pouco desesperador. Mas depois de muita terapia, eu finalmente consigo ser mais leve em ‘Evita’. Aqui, consigo aproveitar plenamente este momento importante da minha carreira sem me autocriticar em excesso. Sou capaz de curtir a experiência sem surtar”, compartilha.

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Preparo para Evita Open Air

Para se conectar com uma personagem tão lendária, Myra precisou “esquecer” todas as interpretações cinematográficas e teatrais de Evita e se conectar apenas com o roteiro de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber. “Eu tento humanizar a Eva, pois entendo o que é ser uma mulher num ‘mundo de homens’. Apesar de seus defeitos e questões, tentei humanizá-la: não quis criar uma vilã e muito menos uma santa. Tentei ter os dois lados, que é como todos nós somos. Minha vontade não é copiar a Péron, e sim dar voz ao que ela representa”, declara.

Toda essa sintonia com o papel fez Myra absorver aprendizados valiosos para sua vida: “Isso é algo que sempre acontece com meus personagens: o que eles representam é intensificado em mim. A Evita sofreu muita injustiça, misoginia e machismo. E isso acabou reforçando as minhas percepções acerca do feminismo. Agora, tenho uma necessidade maior de lutar e resistir contra as questões do patriarcado.”

As influências de Myra

Ao ser questionada sobre suas maiores influências, o primeiro nome que vem à mente de Myra é Patti LuPone, que viveu Evita na Broadway pela primeira vez nos anos setenta. “Sempre gostei de sua devoção pela carreira. Stella Maria Rodrigues — com quem já tive o prazer de trabalhar — também é uma atriz que admiro demais. E não posso deixar de falar de Diego Montez, meu melhor amigo. A gente sempre inspira um ao outro em momentos difíceis”, afirma.

“Minha mãe também me motiva demais. Ela tem uma plataforma nas redes sociais chamada ‘Ageless’ em que ela fala com mulheres sobre o etarismo. Isso mudou a minha perspectiva sobre o que é envelhecer. Quando eu estiver com 50 anos, minha vida terá apenas começado. E isso me faz voltar à Evita, que foi atacada na mídia simplesmente por estar mudando as regras. Independente dela estar certa ou não [não é meu papel como atriz julgar isso], é inegável que Perón representa a potência feminina e o quanto podemos ressignificar o que nos é ensinado. Precisamos celebrar essas mulheres”, pontua.

Por fim, Myra Ruiz reflete sobre o legado que deseja deixar para as futuras gerações: “Quero que saibam que fui devota à arte. Não é sobre ser uma estrela: é sobre amar o que faço. Espero ter tocado o coração de muitos através de meus projetos. Não é sobre dançar e cantar bonito. É sobre tocar o íntimo das pessoas.”

 

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