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Mangueira é a grande vencedora do Carnaval 2019 do RJ

A Estação Primeira de Mangueira levou a melhor e conquistou seu 20º título de campeã do Carnaval 2019.

Por Fernando Gomes
Atualizado em 15 jan 2020, 22h56 - Publicado em 6 mar 2019, 18h59

Ontem, a Mancha Verde foi declarada como vencedora do desfiles das escolas de samba do grupo especial do Carnaval de São Paulo. Hoje foi a vez de coroar a campeã do Rio de Janeiro.

A Estação Primeira de Mangueira conseguiu levar seu 20º título no desfile desse ano. A escola é a segunda maior vencedora de títulos, ficando atrás apenas da Portela, que tem 22.

Desfilando na madrugada da última segunda (4), a Verde e Rosa trouxe o enredo “História pra ninar gente grande” para a pista da Marquês de São Vicente, onde explorou as “páginas ausentes” da história do Brasil e discutiu as narrativas oficias que foram passadas de geração a geração ao longo dos anos para os brasileiros.

Foi dado bastante destaque aos heróis da resistência negra e índios, contrapondo os personagens tradicionais dos livros escolares. Bandeiras com o rosto de Marielle Franco, vereadora do PSOL morta a tiros em março do ano passado, circulavam entre os 3500 integrantes da escola.

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Ela é Esperança Garcia, escrava alfabetizada! Aprendeu com os padres jesuítas. Naquela época era proibido ensinar o negro a ler e a escrever! Esperança na sua coragem denunciou por escrito os maus tratos que sofria e fez chegar sua carta ao governador da província! A escrava era valente e ainda escrevia… o que era inaceitável no século XVIII. Ela, na sua bravura, denunciou e assinou! Carreguei nas mãos esta carta! A Primeira petição reconhecida escrita por uma mulher negra na história! E nos pulsos correntes que desatavam! Vcs entendem que o poder individual de cada uma de vcs, mulheres, moram aí dentro do particular de vcs? Entendem que a gente só precisa é ter coragem pra calar a boca do machismo? E o racismo??? Esse é o “monstro” que morre de fome sempre que um negro aprende a ler, escrever, se formar, ser ele mesmo e viver! OBRIGADA, MANGUEIRA! 💚💗

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Evelyn Bastos foi a rainha de bateria da Mangueira e representou na passarela a força de Esperança Garcia, negra escravizada, considerada a primeira mulher advogada do Piauí.

Alguns momentos do desfile ganharam repercussão. Um dos carros foi empurrado apenas por mulheres da escola. A arquiteta Mônica Benício, viúva de Marielle, estava presente no última ala da escola. Uma releitura do Monumento às Bandeiras, obra manchada de sangue representando a grande violência dos bandeirantes na época da exploração do País, e a ala dos passistas e a bateria representando a fuga e as rebeliões dos escravos também foram grandes destaques.

Quem também ficou entre as grandes vencedoras deste ano foi a Unidos do Viradouro, em segundo lugar. O terceiro e quarto foram formados, respectivamente, pela Unidos de Vila Isabel e Portela. Imperatriz Leopoldinense e Império Serrano são as duas escolas rebaixadas para o Grupo de Acesso.

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