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Crivella exige que HQ com dois homens se beijando seja retirado da Bienal

O prefeito afirmou que esse tipo de conteúdo deve ser embalado em plástico preto e ter sinalização de impróprio para menores na hora de ser vendido.

Por Alice Arnoldi - Atualizado em 15 jan 2020, 10h25 - Publicado em 6 set 2019, 10h01

Desde o dia 30 de agosto até 8 de setembro está acontecendo a Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Entre as diversas atrações de divulgação das novidades do mundo literário, uma situação complicada aconteceu. Na última quinta-feira (5), o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, pediu para que os exemplares de uma HQ em que dois homens aparecem se beijando fossem recolhidos do evento para que crianças não tenham contato com esse tipo de conteúdo.

A história em quadrinhos se chama “Vingadores: a Cruzada das Crianças” e é uma produção da Marvel. A trama tem como protagonista um casal gay. Wiccano Hulkling, que aparecem trocando carinhos em algumas cenas, como acontece em qualquer relacionamento. No entanto, Crivella critica um momento em que os dois estão conversando dentro do quarto e afirma que esse tipo de conteúdo precisa ser sinalizado ao ser divulgado para menores de idade.

“A prefeitura do Rio de Janeiro determinou que os organizadores da Bienal, lá no Riocentro, recolhessem esse livro que você está vendo aí – que já foi denunciado inclusive na internet. Que traz conteúdo sexual para menores. Livros assim precisam estar embalados em plástico preto, lacrado e do lado de fora avisando o conteúdo. Portanto, a prefeitura do Rio de Janeiro está protegendo os menores da nossa cidade”, afirmou o prefeito no vídeo.

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Ainda no mesmo dia, o vereador do Rio de Janeiro Alexandre Isquierdo também publicou um vídeo no Twitter, em que ataca fortemente a obra literária.

“O autor, que é assumidamente gay, coloca dois super-heróis se beijando e tendo relação homossexual. Não dá para admitir covardia contra as nossas crianças. Propagação, divulgação homossexual para as crianças e os pais estão comprando achando que é um livro infantil. Vai aqui minha fala de repúdio. É o que eu digo: cada um faz o que bem quiser da sua vida. Se o homem quer deitar com outro homem, problema é dele. Se uma mulher quer ter relacionamento sexual com outra mulher, problema dela. Agora, descer goela abaixo para as nossas crianças, isso é uma patifaria. Isso é coisa de bandido, de covarde”.

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Ao ser procurada pela imprensa, a Bienal do Livro afirmou o seu posicionamento a favor da pluralidade e deixou claro que, qualquer cliente que comprar um livro e não gostar do conteúdo, pode devolvê-lo. Inclusive, eles afirmaram que nenhum exemplar será recolhido e a venda da obra continuará acontecendo normalmente no evento, segundo o UOL.

Nota oficial:

“A Bienal Internacional do Livro Rio, consagrada como o maior evento literário do país, dá voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados. Inclusive, no próximo fim de semana, a Bienal do Livro terá três painéis para debater a literatura Trans e LGBTQA+. A direção do festival entende que, caso um visitante adquira uma obra que não o agrade, ele tem todo o direito de solicitar a troca do produto, como prevê o Código de Defesa do Consumidor”. 

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