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4 vozes femininas e poderosas da música brasileira que merecem atenção

Elas cantam sobre machismo, empoderamento feminino e, com diferentes estilos, esbanjam talento

Por Colaborou: Gabriela Maraccini - Atualizado em 15 mar 2020, 15h04 - Publicado em 15 mar 2020, 14h59

Um bom amante da música brasileira deve sempre ficar de olho nas novidades que surgem nesse meio. Principalmente aquelas vozes que trazem em suas composições temas sociais e políticos e que merecem o devido reconhecimento.

Nessa lista você encontra artistas que já estão trabalhando na carreira artística há alguns anos, mas ainda não chegaram ao mainstream, apesar de terem alguns milhares de ouvintes mensais nas plataformas musicais. Conheça, a seguir, o trabalho de quatro cantoras brasileiras que mostram o poder da voz feminina.

Bia Doxum

A luta feminista, racial e juvenil são temas constantes das músicas de Bia Doxum, cantora, compositora e ativista cultural da zona leste de São Paulo. Mesclando  rap e R&B, a jovem de 22 anos já se destaca no hip hop nacional.

Lançou seu primeiro álbum aos 15 anos, em 2013, intitulado Boletim de Omissão, mas a pouca idade é rapidamente esquecida quando a voz forte e os versos que denunciam questões sociais e raciais entram em cena.

A evolução de Bia foi percebida com o lançamento de outros singles e álbuns ao longo dos anos. Em 2015, a jovem lançou seu segundo álbum o Máquina Que Gira, uma densa obra que apresenta reflexões sobre o cotidiano e sentimentos de quem vive nas periferias.

Em 2019, a cantora lançou ÀTÚNWA, seu mais recente álbum. “Àtúnwa”, na cultura Yorubá, significa “aquele ou aquela que volta novamente”. Além do significado em si, o nome pode fazer referência à volta de Bia após 4 anos sem lançar um CD novo, ultrapassando toda e qualquer barreira que impeça a produção independente.

Ouça, a seguir, a música homônima, a primeira das 13 faixas da obra:

GEO

O feminismo, a luta contra a misoginia e machismo voltam a ser tema de músicas, mas dessa vez em um pop e hip hop melancólico, no maior estilo Lana Del Rey. Geo começou sua carreira fazendo covers de artistas internacionais, como Melanie Martinez, Britney Spears, Tove Lo e até mesmo a própria Lana.

A jovem lançou sua primeira música original em 2017, Tipo Errado de Amor, que apresentaria o seu estilo romântico melancólico. Desde então, as letras de suas músicas são caracterizadas pelo enredo sobre relacionamentos que não deram certo e conflitos amorosos.

No mesmo ano, GEO lançou o primeiro EP, Salva-Vidas, com cinco faixas, incluindo Mandíbula, sua segunda música autoral, que fala sobre idas e vindas de um relacionamento amoroso.

Dois anos depois, foi a vez da cantora lançar seu segundo EP, GEO_01. Com nove faixas, o disco traz uma pegada sci-fi futurista, com batidas eletrônicas, mas também influências do R&B e do jazz. Nas composições, a cantora fala sobre os relacionamentos humanos na era digital.

GEO é uma aposta certeira para quem já ama o pop e o indie internacional, mas quer dar uma chance para os artistas brasileiros. Assista abaixo o vídeo clipe de Condensar, uma das faixas do GEO_01, em parceria com 1LUM3.

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Luedji Luna

Mais uma mulher de força integra a lista de cantoras para ficar de olho. Nascida no Cabula e criada em Brotas, em Salvador, Luedji Luna, de 32 anos, começou a compor aos 17 anos. Suas músicas retratam, assim como as de Bia Doxum, o preconceito racial, feminismo e empoderamento da mulher negra.

Seu estilo musical mescla ritmos afro-brasileiros, R&B, jazz, blues e uma pitada de MPB, lembrando muito o estilo de Elza Soares. O álbum Um Corpo no Mundo, lançado em 2017, é a prova de que a mistura de sonoridades, combinada com sua voz potente, é um grande acerto. As faixas presentes na obra trazem como tema a imigração e a identidade afrobrasileira.

Dois anos depois, foi a vez de Luedji brilhar com o EP Mundo, uma releitura de seu primeiro álbum em parceria com DJ Nyack. O álbum mostra a vontade de levar seu trabalho para outros países – ela chegou a realizar, inclusive, uma turnê internacional que passou pela Europa, Estados Unidos e Quênia.

Seu lançamento mais recente é a música Proveito, em parceria com Zudizilla, que é namorado de Luedji. Assista ao videoclipe abaixo:

Tais Alvarenga

Com uma pegada que mescla indie, jazz, MPB e um ritmo que lembra muito as canções de Amy Winehouse, Tais Alvarenga é mais um nome que merece atenção. Coração Só, álbum lançado em 2018 com 10 faixas autorais, mostra bem o estilo da artista.

Tocando piano desde os 8 anos de idade, época em que já se apresentava na igreja, ela usa e abusa do instrumento em suas composições. Formada em voz e trilha sonora musical para filmes na Berklee College of Music, nos Estados Unidos, Taís chegou a participar de festivais de música pelo país norte-americano e foi vencedora do USA Song Writing Competiton na categoria World Music, com a canção Deixa.

Além de cantora, Tais também é atriz, tendo atuado em três musicais com Oswaldo Montenegro. Teve aulas e palestras com artistas como Juan Luiz Guerra, Bobby Mc Ferrin, Cezar Camargo Mariano, Rosa Passos, John Mayer, entre outros.

Seu álbum contou com produção de Carlos Trilha, que já trabalhou com nomes como Renato Russo e Lobão. Recentemente, Tais publicou uma foto em seu Instagram em que revela que está trabalhando em um novo CD e que pretende lançar música nova ainda neste mês ou em abril.

Veja abaixo o videoclipe de Coração Só:

 

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