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TV e Afins

Fábio Garcia escreve sobre televisão desde 2012, mas consome a telinha desde que se entende por gente. Ama programas ruins que dão a volta e ficam muito bons
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Bagunçado, ‘Se Joga’ uniu todo o público em um único constrangimento

Complicado de acompanhar, o novo vespertino da Globo tem muita coisa que precisa ser melhor trabalhada.

Por Fábio Garcia
Atualizado em 17 jan 2020, 09h53 - Publicado em 30 set 2019, 16h03

Poucas experiências na TV aberta pareceriam tão fadadas ao fracasso quanto o ‘Se Joga‘, e olha que já vimos a estreia até do ‘Tomara que Caia‘! Criado numa tentativa da Globo em combater os programas vespertinos de fofoca do SBT e da Record, juntando num único palco Fernanda Gentil, Fabiana Karla e Érico Brás, o ‘Se Joga’ é um apanhado de tudo o que os outros canais fazem quase no improviso, só que totalmente sem alma.

As sucessivas surras que o ‘A Hora da Venenosa‘ fizeram com que a Globo tomasse atitudes drásticas, indo desde cancelar o ‘Video Show‘ até eleger as reprises de ‘A Grande Família‘ para ver se estancava a fuga do público para a fofoqueira da Record. Embora Lineu e dona Nenê conseguissem bons números de audiência, pegava muito mal a Globo não ter um programa inédito para buscar a liderança. Ela viu Fernanda Gentil ali na geladeira, dando sopa e lhe entregou um programa novo com duas pessoas com as quais a apresentadora não tinha proximidade, os humoristas Érico Brás e Fabiana Karla.

Estreia do Se Joga

(Globo/Reprodução)

Quem acompanhou a estreia sofreu um pouco para entender o que estava acontecendo. Os três apresentadores, sem qualquer intimidade, se atropelavam na fala e competiam a atenção do público no grito. As tentativas de piadas ou sofriam com falta de timing ou então eram totalmente ensaiadas, constrangendo o público de casa e na plateia ao vivo. E para dar uma aparência ainda mais forçada, alguém da Globo achou que seria legal colocar efeitos sonoros parecidos com os que vemos no ‘Programa do Ratinho‘ ou na ‘Hora do Faro‘. Faltou só ouvir o famoso “dança, gatinho”.

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O ‘Se Joga’ nasceu como uma mistura de tudo das outras emissoras. Tem quadro de conferir celular dos famosos igualzinho o ‘Programa Eliana‘, tem uma espécie de “pra quem você tira o chapéu” do Raul Gil, tem competição de equipes que mais parecem ter saído do ‘Programa Silvio Santos‘ e notícias curiosas que poderiam estar na pauta do ‘Hoje em Dia‘. O problema é que essas atrações não só “não ornam”, como elas parecem não funcionar em uma emissora “chapa branca” como a Globo.

Quando Paolla Oliveira, convidada da estreia, precisou dar likes em pessoas conhecidas, o ‘Se Joga’ só mostrou seus queridos amigos e companheiros de cena. Na hora de repercutir notícias dos famosos, havia somente espaço para “fofocas do bem”. É casal feliz de um lado, é artista de sucesso brindando a boa fase e por aí vai. Fica a dúvida se a Globo teria coragem de cobrir separações de seus contratados, ou apostar em conflitos de desafetos como a concorrência já faz muito bem.

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Claro, nem tudo foi digno de vergonha alheia. Paulo Vieira, o humorista convidado das segundas-feiras, divertiu com seu quadro importado direto do extinto ‘Programa do Porchat’ da Record. Algumas ideias do ‘Se Joga’ parecem interessantes e o precisam ser melhor trabalhadas, e os apresentadores precisam se acalmar um pouco para o público entender o que está acontecendo.

É um programa que passará por transformações “pra ontem”, e daqui algumas semanas talvez a gente compreenda melhor o que é o ‘Se Joga’. Até porque, se continuar como essa estreia, é capaz de todo o público da Globo morrer de constrangimento.

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