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Tania Khalill: nova colunista de CLAUDIA assina a seção Meu Tempo É Agora Meu Tempo É Agora Atriz e psicóloga, @taniakhalill nos convida a sair da mesmice e encontrar a alegria de sermos nossa melhor versão

“Seja uma boa garota…”

O comando “engole o choro e vai” , seja declaradamente dito ou subjetivamente compreendido, não cabe mais

Por Tania Khalill Atualizado em 23 mar 2022, 17h46 - Publicado em 24 mar 2022, 08h32

É só fechar os olhos… (DEPOIS DE LER, POR FAVOR)! Prometo, não é hipnose, é somente um simples convite para voltarmos no tempo aos incontáveis registros diretos ou metafóricos de como nós mulheres deveríamos nos comportar, sentir, pensar e falar com o MUNDO EXTERNO. Para você essas memórias vêm facilmente à mente, à flor da pele, ou não?

Memórias essas que, apesar do século 21, ainda impregnam nossas células, “carimbam” nossos subconscientes e são, provavelmente, tão vivas dentro da gente, que nem precisamos de muito esforço para relembrar.

Seres incríveis, boas garotas, generosas, cuidadoras, educadas; sempre ensinadas (muitas vezes com a melhor das intenções – sem culpar ninguém – o convite aqui é para olhar para trás com o intuito de seguir adiante) a como nos comportar, a COMO AGIR DIANTE DOS OUTROS, focando quase sempre no mundo do lado de FORA de nós.

Ironia ou não, ainda mantemos e repetimos esses aprendizados e, por vezes, ensinamos nossas filhas e filhos a como SEREM no Mundo perante os “outros”, mas não como ESTAREM CONSIGO MESMOS. Aceitar nossos mundos internos não é privilégio tampouco dos homens. Simplesmente não fomos ensinadas(os) a como nos comportar com nós mesmas, com nossos conflitos, dores, loucuras, raivas; e assim crescemos colocando profissões, consumos, tik toks e medicamentos nos lugares desses abismos originados da desconexão intrínseca.

Se você pudesse hoje voltar no tempo, como poderia você adulta ensinar a você criança a olhar para suas emoções com verdade e gentileza? O que diria para você mesma diante de uma situação tensa, de um chute do coleguinha, de um grito da professora, de uma dor de amor, de uma sensação de não pertencimento? 

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O comando muitas vezes ouvido, “engole o choro e vai” , seja ele declaradamente dito ou subjetivamente compreendido, não cabe mais, pois só abafa nossa escuta sincera dos nossos sentimentos e verdades. Como não negar os impulsos e as emoções caladas por tanto tempo?

Os espiritualistas, neurocientistas e estudiosos da mente humana já explicitam aos quatro cantos a necessidade de abandonar a dualidade interna e externa para nos curar.  BOM X MAU, vítima e algoz, certo e errado: só prestam desserviço individual e coletivamente.

Existe uma extensão tão mais interessante entre essa polaridade chata, que divide a gente ao meio, nos fragiliza como se fôssemos obrigados a pender para um lados, favorecendo o desconhecimento das nossas potências e do que de fato acontece porta para dentro no nosso mundo real e inteeeenso.

Respondendo à minha própria pergunta acima – nessa volta ao tempo – diria para eu menina  (e disse esses dias para minha filha) deixar de lado a busca pela perfeição para, antes de tudo, acolher seus próprios desejos, permitindo a raiva, abrindo espaço para não ter que agradar a ninguém, sendo simplesmente a garota que se é. 

Ou diria simplesmente…“Eu te liberto de ser uma boa garota”! Um “ufa” me surge, só de imaginar essa frase ressonando dentro de mim…

Aqui, estendo a você essa sensação…

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