Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Resoluções Ano Novo: Claudia por apenas 5,99
Imagem Blog

Stéphanie Habrich

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Stéphanie Habrich é CEO da editora Magia de Ler, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, o maior jornal para adolescentes e crianças do Brasil e do TINO Econômico, o único periódico sobre economia e finanças voltado ao público jovem, ela aborda na coluna temas conectados ao empreendedorismo, reflexões sobre inteligência emocional, e assuntos que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

Comunicação não-violenta: a importância dela para famílias

Conceito, sintetizado pelo psicólogo Marshall Rosenberg, diz respeito à forma como interagimos com outras pessoas, inclusive nossos filhos

Por S
14 fev 2023, 08h53 •
comunicação não-violenta
Sua comunicação é violenta? (Sai De Silva/Unsplash)
Continua após publicidade
  • “As palavras têm o poder de ferir e de sarar. Quando elas são boas, têm o poder de mudar o mundo.” Este ensinamento de Buda é muito valioso e nos mostra o quanto é importante ter cuidado com “o que” e o “como” falamos.  Muitas vezes, nossos relacionamentos com marido, filhos, pais e colegas de trabalho entram em crise por não sabermos nos comunicar da melhor forma. Esse é um tema que sempre despertou minha curiosidade, especialmente porque sei o quão desafiador é verbalizar o que sentimos de forma clara.

    Basta uma palavra usada de maneira errada para que uma mensagem seja mal compreendida. Meu interesse pelo assunto me levou a conhecer a comunicação não-violenta (CNV). Este conceito, sintetizado pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, diz respeito à forma como interagimos com outras pessoas. Isso vale para como falamos com os filhos quando o quarto está bagunçado, como nos abrimos com o esposo ou esposa sobre a divisão de tarefas dentro de casa ou até como conseguimos ouvir e ajudar uma amiga que está passando por dificuldades.

    A leitura do livro de Rosenberg, Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, fez todo sentido para mim. Ele mostra que a comunicação violenta vai muito além do jeito agressivo, do grito ou do dedo em riste. Ela pode ser sutil e está muito ligada a crenças de certo e errado, a padrões de comunicação onde induzimos – seja em nós mesmo, seja nos outros – culpa, medo e vergonha.

    A CNV ensina que a comunicação começa muito antes de qualquer palavra sair de nossa boca. Ela diz respeito aos julgamentos que fazemos sobre as pessoas e situações do dia a dia. Temos a tendência de ter muitas conversas na nossa cabeça e não raro elas são carregadas de violência. É a mãe que se culpa por não conseguir dar a atenção que gostaria aos filhos, é a profissional que se rotula como pouco eficiente por não bater a meta. E quando vamos nos expressar externamente, essa violência é notada em nossas palavras.

    O exercício da empatia

    A tendência que temos quando vemos o quarto do filho bagunçado é falar “Pelo amor de Deus, arruma esse quarto. Não aguento mais. Já é a milésima vez que eu estou te pedindo isso.” É como se apontássemos para o outro desejando que ele se sinta mal e envergonhado por ter feito algo errado. Segundo Nolah Lima, especialista em comunicação não-violenta e co-fundadora do Instituto CNV Brasil, o que a CNV sugere é que em vez de irmos para a relação numa disputa de certo e errado, tentemos nos conectar de forma empática com a outra pessoa, independentemente de sua idade.

    Seria o caso de a mãe dizer ao filho: “Eu estou muito preocupada e cansada. Eu valorizo muito um espaço organizado e todos contribuírem com a arrumação da casa. Quando, pela terceira vez, eu entro no seu quarto e vejo as roupas espalhadas no chão, fico perdida. Eu quero conversar com você. Quero entender por que que você não está conseguindo arrumar. O que está acontecendo? Vamos conversar?”

    A diferença entre os dois diálogos é que, no segundo, as palavras da mãe não fazem o filho sentir vergonha ou culpa. Ela está trazendo sua vulnerabilidade para a conversa, tentando se conectar para entender a perspectiva dele também. Pode ser que o filho responda que está exausto e que fica totalmente sugado e sem energia quando precisa arrumar o quarto. Se isso acontecer, a mãe pode convidar o filho para eles pensarem numa solução juntos. “Ela pode dizer ‘e se eu te ajudar agora e você se comprometer a manter a organização? Desse jeito você vai gastar menos energia do que se deixar a bagunça ficar deste tamanho. Vamos experimentar por uma semana?’”, diz Nolah.

    comunicação não-violenta
    Comunicação não-violenta é necessária desde a infância. (Jessica Rockowitz/Unsplash)

    Salvando relacionamentos com a comunicação não-violenta

    A CNV é um caminho para uma conexão de alta qualidade com as outras pessoas e com nós mesmos. E isso pressupõe empatia, ou seja, precisamos nos colocar no lugar do outro, entender suas necessidades e acolhê-las.“A CNV é capaz de salvar relacionamentos”, diz Nolah. “Se uma esposa chega para o marido e fala – ainda que de forma brincalhona – ‘Para de ser preguiçoso, faz alguma coisa nessa casa’, ele vai ficar chateado e tentar se defender falando tudo que fez sem ter o reconhecimento da esposa.”

    A violência também pode estar no silêncio. Em vez de falar ao parceiro o que está incomodando, a esposa fica quieta, sem dizer nada. Ele não sabe o que está acontecendo, não sabe a razão para ela estar chateada, mas ela fica em silêncio, com a crença de que ele tinha que saber. “O tratamento de silêncio pode ser uma forma manipulativa de criar no outro a sensação de punição”, diz a especialista.

    A orientação de Nolah para quem quer se comunicar de forma não-violenta é olhar para dentro e entender “de onde” estamos falando. Há uma diferença entre fazer uma cobrança e falar “eu estou supercansada, estou vendo que tem várias coisas para fazer aqui em casa. Tem a roupa, tem a louça, a sala… Topa dividir comigo? Eu imagino que você também esteja cansado, mas eu não vou dar conta de tudo.”

    O mais trágico de se comunicar de forma violenta é que o objetivo real dificilmente é atingido. “Aquilo que a esposa mais queria, que era que o marido a escutasse, compreendesse e apoiasse, não acontece, porque ele gasta toda energia se defendendo, se justificando”, conta Nolah. “O ideal para se chegar à solução seria eles se conectarem e fazerem combinados cuidando do que é importante para os dois”.

    Como saber se estamos nos comunicando de forma violenta

    Toda vez que nos expressarmos e colocamos um julgamento, uma crítica, um rótulo, são grandes as chances de estarmos estimulando na outra pessoa à experiência de culpa, medo e vergonha. Outra forma de comunicação que está ligada à violência é a ameaça e punição. São frases como “se eu voltar aqui e esse quarto continuar uma bagunça, a gente vai ter uma conversa”.

    “A punição como forma de motivação está muito presente na nossa cultura de educação, tanto na escola como nas famílias. Tendemos a achar que só vamos conseguir motivar o outro se ele sentir que tem um risco, se ele se sentir ameaçado”, afirma a especialista. Para nos comunicarmos de forma não-violenta, o primeiro passo é separar o fato do julgamento. Uma coisa é o que realmente aconteceu. Outra é o que sentimos e como aquilo nos afeta.

    Outro comportamento que gera muitos conflitos é a nossa dificuldade de fazer pedidos específicos. Normalmente, esperamos que o outro perceba o que queremos, como se isso fosse óbvio. “Não adianta andar pelos cantos da casa reclamando que está sobrecarregada e não fazer pedidos ou apontar ao outro qual acordo não está sendo cumprido”, diz Nolah. Mas seguir essas dicas não significa que as conversas serão fáceis. A comunicação não-violenta não garante que o mundo vai ser de unicórnios e sorrisos no rosto. “Às vezes, a CNV te apoia a ter mais conflitos, a convidar as pessoas para as conversas difíceis que precisam acontecer, porque essas conversas vão cuidar das suas necessidades. Talvez cuide até da necessidade do outro e da conexão de vocês”, completa.

    Não se julgue

    Quando comecei a ler sobre CNV e ouvi as palavras de Nolah, minha primeira reação foi vestir a carapuça, me reconhecendo nos maus exemplos. Mas ela fez um alerta importante: “Não quero que isso que estamos falando seja entendido como um ‘você está errada’. Se isso acontecer, estaremos mantendo o jogo de certo e errado e essa não é a intenção”. O que fazer, então? A resposta da especialista é: “Tenha consciência de como está agindo, desde onde está agindo e escolha se é esse o caminho que quer seguir. É uma questão de consciência e escolha”.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.