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Stalking é uma das formas mais comuns de violência contra as mulheres

A perseguição obsessiva é crime mas, apesar disso, muitos homens seguem importunando mulheres com a finalidade de coagi-las

Por Izabella Borges
Atualizado em 12 set 2022, 09h26 - Publicado em 12 set 2022, 09h25

O stalking é um comportamento tão antigo quanto a própria existência da humanidade. Basta pensarmos rapidamente nas antigas civilizações para concluirmos que mulheres e homens, ao longo da história, foram perseguidos por motivos variados: religiosos, políticos, sociais, entre tantos outros.

Apesar de ser um fenômeno antigo, o estudo dessa prática por ciências como o direito, a medicina e a psicologia é recente. O ponto de inflexão reside no fato de milhares de pessoas terem tido suas vidas marcadas ou destruídas pela perseguição obsessiva, enquanto seguem invisibilisadas, culpadas, envergonhadas, sem buscar ajuda, por acreditar que não haveria proteção legal suficiente, por crer que a denúncia levaria a uma piora de toda a situação ou por imaginar que em algum momento o stalker interromperá a perseguição.

Nos países onde se estuda esse fenômeno há mais tempo, como em Portugal, se observou que a perseguição é um jogo que sobe de nível e pode evoluir para violências mais graves, como crimes sexuais e feminicídios.

No Brasil, o crime de stalking surgiu em abril de 2020. Antes dessa data, a proteção legal das vítimas era remota e pouco se compreendia sobre a gravidade dos atos que englobam a perseguição.

De fato, a dificuldade reside nas subjetividades das ações praticadas pelo stalker ou sujeito que persegue. Por essa razão, venho chamando essa prática, há alguns anos, de stalking sistêmico, pois pode acontecer a partir da comunhão de atos criminosos e outros lícitos, socialmente aceitos por todos.

Vejam, se uma pessoa envia flores ou presentes de modo persistente e em lugares inusitados a vítima, deixando claro que conhece seus passos e sua rotina, pode estar praticando stalking. O envio de flores é absolutamente comum, mas presentear de forma obsessiva pode gerar nas vítimas medo, angústia, sensação de estar sendo vigiada, de não ter privacidade e intimidade respeitadas.

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A perseguição obsessiva se caracteriza pela prática de múltiplos atos, variados entre si, como reiteradas tentativas de contato, aproximação, controle e vigilância da vítima, por meio de abordagens distintas, como virtuais, presenciais ou por meio de pessoas interpostas, que resultam em medo e danos ou potenciais danos às vítimas.

É justamente o elemento persistência que nos permite concluir se as abordagens nas redes sociais ou o envio de presentes se traduzem em atos que compõe o assédio persistente, ou não.

Em estudos realizados nos Estados Unidos, se concluiu que cerca de 80% das vítimas são mulheres. Além disso, em 75% dos casos, a perseguição se inicia quando a vítima interrompe a relação afetiva contra a vontade do stalker.

A psicanálise nos ajuda a compreender quem é o sujeito que persegue: um indivíduo sem capacidade de elaborar sentimentos de rejeição e que ao ser exposto a situações que o gatilhem a sentir a “falta”, age para transferir para a vítima toda dor, tensão e sofrimento que, na verdade, são dele.

Como falei ao início desse texto, stalking é fenômeno sistêmico. A multiplicidade de olhares de ciências diversas é o caminho para a compreensão e prevenção dessa prática antiga, comum e tão violenta.

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A perspectiva de gênero também figura como recorte essencial nesse estudo. A ideia de proprietização das mulheres, do “se ela não for minha não será de mais ninguém” é parte do inconsciente coletivo que legitima e romantiza as perseguições sofridas pelas mulheres ao terminar um relacionamento afetivo.

Quantas de nós já nos deparamos com comentários como “ahhh ele apenas te ama demais”, “ele não sabe o que está fazendo, está desequilibrado porque você é a mulher da vida dele”.

Precisamos agir para desconstruir falácias que há séculos foram impressas em nossos corpos e mentes. Amar não é proprietizar relações e corpos. Os danos causados pela perseguição obsessiva podem resultar em estresse pós-traumático, danos psíquicos irreparáveis, além de prejuízos financeiros às vítimas, que chegam a alterar sua estética, corpo, cabelos, mudar de emprego, casa, cidade, para reconquistar a liberdade destruída pelo stalker.

É possível pleitear medidas protetivas de urgência para as mulheres vítimas de stalking, fique atenta aos sinais, converse com profissionais especialistas e, acredite, você pode estar exposta a riscos inimagináveis, não banalize a perseguição. 

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