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Roberta D'Albuquerque Por Maternidade Roberta D'Albuquerque é psicanalista e autora do livro Quem manda aqui sou eu - Verdades inconfessáveis sobre a maternidade

Que seja feita a ‘nossa’ vontade

Há de levar a sério nossos desejos, fazer legítimo o que queremos para nós. Na prática e na fala

Por Roberta D'Albuquerque Atualizado em 14 ago 2017, 17h29 - Publicado em 14 ago 2017, 17h24

Há uns dois anos, cortei meu cabelo curtinho. Não era um curtinho curtíssimo, mas era curto. Minha filha mais nova (então aos 6) foi a primeira pessoa que encontrei quando cheguei em casa cheia de confiança e feliz com a minha decisão. Ela se esforçou para disfarçar a decepção por uns segundos, mas acabou por encher os olhos d’água, montar cara de choro e desabar cheia de reclamações.

“Você deveria ter me perguntado antes”
Ao que eu respondi que não. Que eu era dona do meu corpinho e que eu tomava as minhas próprias decisões.
“Não preciso te consultar Sofi, mesmo!”
“Mas você disse que cada um era dono do seu NÃO. E isso não é um ‘não quero’ é um ‘eu quero’. Não é parte do acordo.”

Achei tão interessante esse raciocínio. A conversa de que cada um é dono do seu NÃO, dono do seu corpinho, é uma constante em casa. Repetimos essa ladainha desde cedo, sem dó de cansar. Mas me peguei pensando que nunca dei tanta importância ao meu SIM quanto dou aos meus NÃOS. (Vejo minha analista fazendo que sim com a cabeça agora)

Foi um alerta. Uma mudança de discurso importante. Há de levar a sério nossos desejos, fazer legítimo o que queremos para nós. Na prática e na fala. Me preocupei com esse gap na minha lição que eu achava tão cuidadosa, tão eficiente…

Até que… cortei o cabelo de novo. Dessa vez tão, tão curtinho que quase eu mesma choro na saída do salão. Cheguei em casa, tomei banho e esperei na sala a Sofi chegar da escola. Ela chegou, me olhou e disse que eu estava linda. Perguntou se eu tinha tido essa ideia sozinha (rs) e disse que estava feliz por eu ter tido coragem. Eu, na minha alegria/alívio disse que o cabeleireiro era incrível e que ela provavelmente adoraria conhecê-lo.
Minha menina de 8 anos, fios na altura da cintura me disse que não, obrigada.

“Tô fora, não vou cortar o cabelo nunca nessa vida. Amo ser uma menina de cabelo comprido”.
Ela dona do seu NÃO, eu dona do meu SIM, nós duas atentas aos SINS, NÃOS, TALVEZ, NÃO SEI AGORA, ESTOU NA DÚVIDA, QUEM SABE AMANHÃ uma da outra. Ai, ai, que orgulhinho da gente Sofi…

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