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Patrícia Zaidan

Por Atualidades
Coluna da jornalista e psicóloga Patrícia Zaidan: atualidades, feminismo, direitos humanos
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CNJ julga hoje Kenarik Boujikian, que vale por mil Gilmar Mendes

Ela tenta anular a pena que sofreu por soltar 11 pobres. (E por ter condenado o estuprador Roger Abdelmassih, PMs torturadores... E por ser guerreira).

Por Patrícia Zaidan Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 29 ago 2017, 11h54 - Publicado em 29 ago 2017, 11h41

Kenarik Boujikian, a desembargadora que atua no Tribunal de Justiça de São Paulo, está em Brasília neste momento esperando a decisão do Conselho Nacional de Justiça. Ela quer, neste julgamento, anular a insana condenação que sofreu. Um de seus colegas, o desembargador Amaro Thomé Filho, havia pedido ao Tribunal paulista uma repreensão a ela – em processo disciplinar – por ter libertado 11 presos. Ora, eles eram pobres, não contavam com advogados e apodreciam no cárcere por tempo muito além do determinado nas suas sentenças. Thomé conseguiu em 2016 a condenação: o TJ aplicou pena de censura à desembargadora. E ela, então, recorreu ao CNJ.

Kerarik é o tipo pedra-no-sapato-da-Justiça e pedra-no-sapato-da-banda-tacanha-da-sociedade. Por que? Foi ela quem condenou a 181 anos de prisão o médico-estuprador Roger Abdelmassih. E por ela, o condenado não iria para casa nem com tornozeleira eletrônica – como ele andou fazendo, a passeio, algumas vezes.

Uma desembargadora como Kenarik serve de antídoto à atuação venenosa de um Gilmar Mendes, o ministro do Supremo que está sempre do lado do rançoso e injusto. Uma Kenarik incomoda muita gente. Um Gilmar Mendes alivia muita gente. Gente graúda. Ele corroborou com a corrupção ao apadrinhar e soltar o Barão-Barata do transporte público do Rio. Gilmarzão atrapalhou a nação inteira quando – feito capitão do mato – arregimentou ministros do Tribunal Superior Eleitoral naquele julgamento-farsa, que manteve no cargo um presidente-réu, um chefe da República que governa em cima de malas-de-rodinhas-cheias-de-dinheiro.

Senhores membros do CNJ: libertem Kenarik da pena que ela sofreu. Soltem Kenarik das garras do Tribunal de Justiça de São Paulo, que a condenou por (pasmem!) indisciplina.

Uma mulher como Kenarik vale muito para a democracia. Representa um estorvo, um atraso, um prejuízo medonho o tal Gilmar-mendes-jagunço-a-serviço-de-estupradores-vips.  A serviço de criminosos praticantes de todos os tipos de estupro.

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